E quantos livros não li
Quantas poesias não escrevi
Quantas serenatas não cantei
A quantas amadas que não deletei.
E quantas lágrimas não derramei.
Do tempo que, pouco a pouco
Esvaiu-se fluindo, constante rio,
Em meu inerente cio de criação.
De quantas noites olhando a miragem,
Letárgico ócio em sublimação.
De quantas noites sem paisagem,
No teto de meu quarto-solidão.
Alienado, inválido, assisti
Como platéia, nos camarotes embebidos
De melancolia e solidão, a peça bucólica,
A melodia inconstante de existir.
Anestesiado, estático, na desesperança
D'um fantasma. Intangível, invisível,
Apenas a vagar-parado, em sua maldição estática
De por nada passar, nada integrar e
Por nada ser concebido.
Mudo de alma auto-selada por insegura,
Repreendida por traumatizada.
Apenas peça estática, sublimada
Por medos passados pelos mesmos relógios.
Ah, tudo que poderia ter sido!
Tudo que poderia ter nascido das centelhas
Absortas que nunca viram a luz da superfície,
Nem nunca tiveram a chance
De violar um papel virgem.
Ah, o quanto poderia ter amado!
O quanto poderia ter me contagiado
Da doença que é amar como assassino e vítima.
No confuso jogo preferido
Desta tão pobre e rica humanidade falida.
O que poderia ter feito...
O que poderia ter criado...
E todos esses verbos configurados para o passado...
Porém tudo se esvai, e tudo se tornou cinzas.
Nada remanesceu a não ser este pobre lamento.
Esta pobre lamúria daquele que não viveu,
Apenas assistiu. Apenas fitou a obra de arte da qual
Tal desconsolado inane poderia ter feito parte.
Nada restou a não ser as memórias que nunca existiram.
Os sonhos das oportunidades declinadas, definhadas...
Das pobres epifanias abortadas. Apenas restaram
Sementes envelhecidas que nunca foram regadas.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Nostalgia (Cemitério de Emoções)
Naquele momento eu senti dor. Sim, dor. E, ao mesmo tempo, eu nunca desejei tanto uma lâmina para me cortar. Eu desejei a dor. Eu a desejei, porém, de uma forma diferente. Eu desejei meu sangue escorrendo, pingando aos poucos, como lágrimas no chão. Desejei fazer meu corpo chorar, pois minhas lágrimas haviam secado.
Sim, eu senti dor. Mas não uma dor comum de quando machucamos nossos corpos sem querer. Eu senti uma dor para a qual não existem analgésicos para curar (pelo menos não especificamente). Um sofrimento sem atalhos, profundo e inadiável. Uma tortura irrelutante que simplesmente ocorre quando se sente falta de alguém.
Saudade. Sim, este é o nome. Saudade. E então um turbilhão de sons e imagens insurgiu em minha memória. E me vieram doces recordações de momentos sublimes, do ápice de minha existência desde então. Me vieram sorrisos, risos, abraços, beijos, conversas, gestos... Tudo de mais gracioso que ocorreu nos últimos tempos. E também me vieram lágrimas, brigas, discussões, ofensas e fatos dolorosos que antes tanto significavam, tanto doíam, e que hoje, lembro aos risos e lágrimas, se estas ainda me pertencessem.
Estas memórias me abraçaram de forma carinhosa, acolhedora e gentil. Um sorriso retorcido e incompleto se esboçou em minha face, pois este abraço, tão sublime, além de me acariciar me estrangulou. Junto da saudade nasce a dor. Pois saudade é gostar de algo que se foi, que não está mais presente. É tentar abraçar o intangível. É a decepção óbvia de falhar ao perseguir o impossível.
É tão triste ver como tudo perde o sentido diante de seu contexto. Como tudo se esvai aos poucos nos labirintos da memória. Que o concreto se torna abstrato, e o passado existe apenas como lembrança. Que as guinadas da trajetória da existência nos fazem tanto perder, tanto deixar para trás.
Guardamos nossas memórias em tesouros recônditos, de apreciação sôfrega e deleitosa. E estes tesouros evanescem como cadáveres a se decompor. Somos apenas um cemitério de memórias, de emoções obsoletas. Até sua remoção, como ossadas de indigentes no nosso cemitério de sentimento.
Jaz a imagem, o epitáfio de lembranças. O sentimento se abafa, se sufoca, morre aos poucos agonizante em sua asfixia.
È triste mas tudo morre, se decompõe e desaparece inexoravelmente.
Sim, eu senti dor. Mas não uma dor comum de quando machucamos nossos corpos sem querer. Eu senti uma dor para a qual não existem analgésicos para curar (pelo menos não especificamente). Um sofrimento sem atalhos, profundo e inadiável. Uma tortura irrelutante que simplesmente ocorre quando se sente falta de alguém.
Saudade. Sim, este é o nome. Saudade. E então um turbilhão de sons e imagens insurgiu em minha memória. E me vieram doces recordações de momentos sublimes, do ápice de minha existência desde então. Me vieram sorrisos, risos, abraços, beijos, conversas, gestos... Tudo de mais gracioso que ocorreu nos últimos tempos. E também me vieram lágrimas, brigas, discussões, ofensas e fatos dolorosos que antes tanto significavam, tanto doíam, e que hoje, lembro aos risos e lágrimas, se estas ainda me pertencessem.
Estas memórias me abraçaram de forma carinhosa, acolhedora e gentil. Um sorriso retorcido e incompleto se esboçou em minha face, pois este abraço, tão sublime, além de me acariciar me estrangulou. Junto da saudade nasce a dor. Pois saudade é gostar de algo que se foi, que não está mais presente. É tentar abraçar o intangível. É a decepção óbvia de falhar ao perseguir o impossível.
É tão triste ver como tudo perde o sentido diante de seu contexto. Como tudo se esvai aos poucos nos labirintos da memória. Que o concreto se torna abstrato, e o passado existe apenas como lembrança. Que as guinadas da trajetória da existência nos fazem tanto perder, tanto deixar para trás.
Guardamos nossas memórias em tesouros recônditos, de apreciação sôfrega e deleitosa. E estes tesouros evanescem como cadáveres a se decompor. Somos apenas um cemitério de memórias, de emoções obsoletas. Até sua remoção, como ossadas de indigentes no nosso cemitério de sentimento.
Jaz a imagem, o epitáfio de lembranças. O sentimento se abafa, se sufoca, morre aos poucos agonizante em sua asfixia.
È triste mas tudo morre, se decompõe e desaparece inexoravelmente.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Tragédia Existencial
De início tudo era simples
Tudo era prático e palpável.
O mistério era lícito e
Inerente a mente inocente.
A pureza da possibilidade.
Pois puro e decente
São todos aqueles
Que não realizam os atos
Que não querem que realizem.
O rótulo é um poder
De manipulação profunda e voraz
Que soterra as vontades
Pelo medo do julgamento e da interpretação.
A realidade já se amplificou
E a complexidade bifurca a estrada
Em diversas possibilidades
Infames e traiçoeiras.
Os mistérios se desnudam
Em conceitos teóricos e empíricos
E explicações físicas e emocionais.
Tudo se justifica.
E múltiplas justificativas
Borbulham implacáveis.
Os temos medo e coragem
Vendamos e ampliamos com lentes
[os olhares
E tudo se torna plano
De forma abstrata e inane.
E nos buscamos sentido
Para tudo ao nosso redor.
Mentes desvirtuadas
A mercê do destino
Em busca da inocência e da ignorância
Que perdemos no fim do início.
Memórias mortas nos esfaqueiam.
Possibilidades nos amedrontam.
Pensamentos nos pungem.
A emoção escorre pelos poros.
Questionamos nossos desejos
E nos colocamos em um tribunal peculiar
No qual integramos a função
De promotor, defensor, juiz e réu.
E, por fim
Aquilo que mais desejamos
É aquilo que nos é abstrato, intangível, inatingível...
Pois a realidade se desfaz
E tudo se torna cinzas.
A vida e a existência
São ambas tragédias
Tudo era prático e palpável.
O mistério era lícito e
Inerente a mente inocente.
A pureza da possibilidade.
Pois puro e decente
São todos aqueles
Que não realizam os atos
Que não querem que realizem.
O rótulo é um poder
De manipulação profunda e voraz
Que soterra as vontades
Pelo medo do julgamento e da interpretação.
A realidade já se amplificou
E a complexidade bifurca a estrada
Em diversas possibilidades
Infames e traiçoeiras.
Os mistérios se desnudam
Em conceitos teóricos e empíricos
E explicações físicas e emocionais.
Tudo se justifica.
E múltiplas justificativas
Borbulham implacáveis.
Os temos medo e coragem
Vendamos e ampliamos com lentes
[os olhares
E tudo se torna plano
De forma abstrata e inane.
E nos buscamos sentido
Para tudo ao nosso redor.
Mentes desvirtuadas
A mercê do destino
Em busca da inocência e da ignorância
Que perdemos no fim do início.
Memórias mortas nos esfaqueiam.
Possibilidades nos amedrontam.
Pensamentos nos pungem.
A emoção escorre pelos poros.
Questionamos nossos desejos
E nos colocamos em um tribunal peculiar
No qual integramos a função
De promotor, defensor, juiz e réu.
E, por fim
Aquilo que mais desejamos
É aquilo que nos é abstrato, intangível, inatingível...
Pois a realidade se desfaz
E tudo se torna cinzas.
A vida e a existência
São ambas tragédias
Qualificações:
desejo,
desilusão,
existência,
moral,
nostalgia,
poesia,
questionamento,
sentido,
tempo
segunda-feira, 29 de março de 2010
O Contemplar Moderno
Porque vivemos nós
Na sombra alheia
De velhos gênios
Que já morreram?
Porque contemplamos
E não criamos?
Porque não existem
Contemporâneos gênios?
E reproduzem e discutem
Obras clássicas
De outra era.
E contemplam ao invés de ser
E relembrar ao invés de fazer
Porque tantos intérpretes e tão poucos poetas?
Na sombra alheia
De velhos gênios
Que já morreram?
Porque contemplamos
E não criamos?
Porque não existem
Contemporâneos gênios?
E reproduzem e discutem
Obras clássicas
De outra era.
E contemplam ao invés de ser
E relembrar ao invés de fazer
Porque tantos intérpretes e tão poucos poetas?
Equilíbrio de Miséria
Talvez as alegrias e misérias
Deste mundo, estejam estas
Colocadas em uma infame
Balança adulterada.
Pois a alegria de um
Sempre será a miséria do outro.
E não há justiça
Há apenas equilíbrio.
Talvez estas alegrias sejam
Espectros raros, limitados
A vagar pelo cotidiano
Atingindo e fugindo dos seres.
Talvez a tristeza seja
A ausência de uma alegria
Que poderia ter existido.
Ou talvez esta seja
O sentimento que dilacera o ser
Por lamúria, por dor...
Ou simplesmente
Por razão nenhuma.
Porém tudo passa
Tudo se metamorfoseia.
E definitivamente esta é a beleza
De existir nesta trajetória
De infortúnios e sorrisos.
Nada é eterno
Algumas circunstâncias apenas
Demoram a evanescer...
Outras foram apenas
Ilusões peculiares
Que nunca existiram.
Deste mundo, estejam estas
Colocadas em uma infame
Balança adulterada.
Pois a alegria de um
Sempre será a miséria do outro.
E não há justiça
Há apenas equilíbrio.
Talvez estas alegrias sejam
Espectros raros, limitados
A vagar pelo cotidiano
Atingindo e fugindo dos seres.
Talvez a tristeza seja
A ausência de uma alegria
Que poderia ter existido.
Ou talvez esta seja
O sentimento que dilacera o ser
Por lamúria, por dor...
Ou simplesmente
Por razão nenhuma.
Porém tudo passa
Tudo se metamorfoseia.
E definitivamente esta é a beleza
De existir nesta trajetória
De infortúnios e sorrisos.
Nada é eterno
Algumas circunstâncias apenas
Demoram a evanescer...
Outras foram apenas
Ilusões peculiares
Que nunca existiram.
Qualificações:
alegria,
existência,
poesia,
sentimento,
tempo,
tristeza
Essência Fúnebre
Tão visível a essência da humanidade
Diante de teus simples e irremediáveis olhares
Pois nada é mais sincero
Do que a expressão súbita de sua face.
A simples e complexa essência humana
Tanto na frieza do raciocínio lógico
Quanto na incendiária emoção alheia.
Caracteres planos e esféricos
Recaem sobre nós.
Tão visível a alegria débil
Do início da existência.
O olhar alegre e alienado
A pureza da inocência
Da faceta de nossa fase mais primitiva
E animalesca.
Tão obstinado e inflamado
O grito e o olhar da juventude.
O primeiro questionar, o primeiro rebelar.
O primeiro grito junto de sua metamorfose.
O essencial desejo de expressar.
O ocorrer de suas primeiras simples mortes...
E começam a surgir os primeiros detalhes
As primeiras formas em sua escultura existencial.
Como o lapidar do granito
Nas mãos do escultor.
E entra em contato com a complexidade
Do sentimento em si manifestado.
Aprende-se a odiar e a repudiar,
A amar e a fazer,
A ser e estar.
E vagamos piamente
Em verdades que se tornam desilusões,
Em sonhos que se tornam tangíveis,
Em pesadelos que são passados para trás...
Encontram-se tesouros e armadilhas
Perdidas em nossos atos e desejos.
E se dá o nome de vida
Ao existir infatigável.
E corremos e corremos
Em busca de ambições e metas
Encontramos ombros amigos
E punhos alheios.
Pois pisamos em cabeças
Nesta estrada desertificada.
E somos pisados
Na ausência presente
Desta mesma estrada.
E se perde nossa vitalidade
Com o passar das estações.
Apodrecemos e caímos aos poucos
Como folhas no outono
Entre o doce e o amargo.
E o que mais fazemos
Além de morrer?
Diante de teus simples e irremediáveis olhares
Pois nada é mais sincero
Do que a expressão súbita de sua face.
A simples e complexa essência humana
Tanto na frieza do raciocínio lógico
Quanto na incendiária emoção alheia.
Caracteres planos e esféricos
Recaem sobre nós.
Tão visível a alegria débil
Do início da existência.
O olhar alegre e alienado
A pureza da inocência
Da faceta de nossa fase mais primitiva
E animalesca.
Tão obstinado e inflamado
O grito e o olhar da juventude.
O primeiro questionar, o primeiro rebelar.
O primeiro grito junto de sua metamorfose.
O essencial desejo de expressar.
O ocorrer de suas primeiras simples mortes...
E começam a surgir os primeiros detalhes
As primeiras formas em sua escultura existencial.
Como o lapidar do granito
Nas mãos do escultor.
E entra em contato com a complexidade
Do sentimento em si manifestado.
Aprende-se a odiar e a repudiar,
A amar e a fazer,
A ser e estar.
E vagamos piamente
Em verdades que se tornam desilusões,
Em sonhos que se tornam tangíveis,
Em pesadelos que são passados para trás...
Encontram-se tesouros e armadilhas
Perdidas em nossos atos e desejos.
E se dá o nome de vida
Ao existir infatigável.
E corremos e corremos
Em busca de ambições e metas
Encontramos ombros amigos
E punhos alheios.
Pois pisamos em cabeças
Nesta estrada desertificada.
E somos pisados
Na ausência presente
Desta mesma estrada.
E se perde nossa vitalidade
Com o passar das estações.
Apodrecemos e caímos aos poucos
Como folhas no outono
Entre o doce e o amargo.
E o que mais fazemos
Além de morrer?
Qualificações:
existência,
ilusão,
motivações,
poesia,
questionamento,
tempo
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Relicário de Emoções
E ver as imagens do passado
Evanescendo, se perdendo pelos anos.
O sentimento se esvai com o tempo
Junto de toda memória e alegria.
Os laços envelhecem e se rompem.
Os sentimentos mudam e se perdem.
O passado deixa lentamente de existir.
As lágrimas escorrem e os risos desaparecem...
Morremos e renascemos, mudamos.
Perdemo-nos no presente e seguimos
Vendados ao futuro.
Sem medos, com nossa bagagem de emoções.
Estamos fadados a perder nossa essência
Para dar lugar a novos caminhos e novas visões.
Fluímos e nos bifurcamos na estrada da existência
Onde cada um se perde e se encontra, sem olhar para trás.
Tudo que fomos morre.
Tudo que seremos também morrerá.
E nós morreremos, por fim,
Sem saber quem estará ao lado de nosso funéreo leito.
Levando para sempre nossas memórias queridas,
Sentimentos guardados em nossos corações.
Momentos gravados em nossos olhos.
Sensações vivas em nossa pele.
E é levado embora nosso grande tesouro,
Nossa preciosidade querida.
Um relicário de emoções.
Somos apenas tesoureiros de nossa vida.
E todos os obstáculos, adversidades.
Todas as ambições e sonhos.
Tudo dito, feito e esquecido
Levado á sete palmos do chão.
A morte de um ser
É como o queimar de um museu.
O perder de um tesouro
No naufragar de um navio.
E remanescem as memórias sobre nós
Dentro daqueles que estiveram
Ao nosso lado nesta estrada.
Deixamos saudades e dor.
Lembrados até o fim de nossa geração.
Tornamo-nos lendas e cicatrizes
Para a nova prole da realidade.
E nos perdemos nos calendários e ponteiros.
Inexistimos para criar a existência
Da nova volta do relógio.
E se cumpre mais um ciclo
Da existência dos belos seres.
Da beleza da grotesca humanidade.
Evanescendo, se perdendo pelos anos.
O sentimento se esvai com o tempo
Junto de toda memória e alegria.
Os laços envelhecem e se rompem.
Os sentimentos mudam e se perdem.
O passado deixa lentamente de existir.
As lágrimas escorrem e os risos desaparecem...
Morremos e renascemos, mudamos.
Perdemo-nos no presente e seguimos
Vendados ao futuro.
Sem medos, com nossa bagagem de emoções.
Estamos fadados a perder nossa essência
Para dar lugar a novos caminhos e novas visões.
Fluímos e nos bifurcamos na estrada da existência
Onde cada um se perde e se encontra, sem olhar para trás.
Tudo que fomos morre.
Tudo que seremos também morrerá.
E nós morreremos, por fim,
Sem saber quem estará ao lado de nosso funéreo leito.
Levando para sempre nossas memórias queridas,
Sentimentos guardados em nossos corações.
Momentos gravados em nossos olhos.
Sensações vivas em nossa pele.
E é levado embora nosso grande tesouro,
Nossa preciosidade querida.
Um relicário de emoções.
Somos apenas tesoureiros de nossa vida.
E todos os obstáculos, adversidades.
Todas as ambições e sonhos.
Tudo dito, feito e esquecido
Levado á sete palmos do chão.
A morte de um ser
É como o queimar de um museu.
O perder de um tesouro
No naufragar de um navio.
E remanescem as memórias sobre nós
Dentro daqueles que estiveram
Ao nosso lado nesta estrada.
Deixamos saudades e dor.
Lembrados até o fim de nossa geração.
Tornamo-nos lendas e cicatrizes
Para a nova prole da realidade.
E nos perdemos nos calendários e ponteiros.
Inexistimos para criar a existência
Da nova volta do relógio.
E se cumpre mais um ciclo
Da existência dos belos seres.
Da beleza da grotesca humanidade.
Qualificações:
existência,
morte,
nostalgia,
poesia,
tempo
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A Irrelevância e o Tempo
A névoa que encobre
A escuridão da noite
A fumaça que exala
Meu cigarro de prazer
São fatos irrelevantes
Cotidiano de meu ser
Como a irrelevância julga
Todo fato simples ou complexo
São apenas frutos
De um julgamento convexo
Como o cachorro que anda pela rua
Ou o mendigo que lhe pede uns trocados
E que, sem perceber se julga
Tudo que está ao seu lado
E que, em completa apatia
Apenas não observa e segue em frente
E julgando sem notar
Não olha
Apenas caminha
E mais um cigarro acende
São fatos comuns
Que nada significam
Para muita gente
Eu apenas observo
Cada mísero detalhe
Da sociedade decadente
E digo que
A irrelevância é relativa
Ao ser que observa
E evita o julgamento
Pois esta mesma
Tem muito a mostrar
Para aqueles que não julgam
E se interessam em observar
A irrelevância é apenas uma venda
Que limita a realidade do vendado
È apenas uma prisão
Que diminui o ser
E o transforma em apenas
Um simples obstinado
A maior inspiração
Pode ser despertada
Pela simples irrelevância
A maior conclusão
Pode ser encontrada
Nessa simples irrelutância
Mas o mundo vive depressa
Depressa demais
E o tempo escraviza o ser
Com obrigações tão diversas
Que este
Esquece de ser
Apenas corre contra os ponteiros
Apático, mecanizado
E que mais parece máquina
Do que criatura
E que não tem nem sequer
Um sonho realizado
Não vive, existe
Não caminha, corre
Não observa, não vê
Não é nada mais que
Uma lataria
Cheia de engrenagens
Que nada sente, nada crê
O julgamento de irrelevância
Às vezes não passa de ignorância
E o único exemplo que te dou
São esses versos infames
Que a suposta irrelevância inspirou
A escuridão da noite
A fumaça que exala
Meu cigarro de prazer
São fatos irrelevantes
Cotidiano de meu ser
Como a irrelevância julga
Todo fato simples ou complexo
São apenas frutos
De um julgamento convexo
Como o cachorro que anda pela rua
Ou o mendigo que lhe pede uns trocados
E que, sem perceber se julga
Tudo que está ao seu lado
E que, em completa apatia
Apenas não observa e segue em frente
E julgando sem notar
Não olha
Apenas caminha
E mais um cigarro acende
São fatos comuns
Que nada significam
Para muita gente
Eu apenas observo
Cada mísero detalhe
Da sociedade decadente
E digo que
A irrelevância é relativa
Ao ser que observa
E evita o julgamento
Pois esta mesma
Tem muito a mostrar
Para aqueles que não julgam
E se interessam em observar
A irrelevância é apenas uma venda
Que limita a realidade do vendado
È apenas uma prisão
Que diminui o ser
E o transforma em apenas
Um simples obstinado
A maior inspiração
Pode ser despertada
Pela simples irrelevância
A maior conclusão
Pode ser encontrada
Nessa simples irrelutância
Mas o mundo vive depressa
Depressa demais
E o tempo escraviza o ser
Com obrigações tão diversas
Que este
Esquece de ser
Apenas corre contra os ponteiros
Apático, mecanizado
E que mais parece máquina
Do que criatura
E que não tem nem sequer
Um sonho realizado
Não vive, existe
Não caminha, corre
Não observa, não vê
Não é nada mais que
Uma lataria
Cheia de engrenagens
Que nada sente, nada crê
O julgamento de irrelevância
Às vezes não passa de ignorância
E o único exemplo que te dou
São esses versos infames
Que a suposta irrelevância inspirou
Qualificações:
crítica social,
Irrelevância,
poesia,
tempo
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Olhar para o passado
Observar o passado olho para cima!
Eis o passado trágico perante a Lua divina!
De escuridão tão profunda, de beleza ignota.
Que sua imensidão difunda em mim, oh beleza morta.
Um sentimento de nostalgia e prazer em minha obra.
Difunda em mim a trágica saudade, oh beleza morta!
Para lembrar e dilacerar,
meu desgraçado ser em vão.
Observo-te em convexa visão,
e vejo, diante do passado, tamanha solidão.
Diante deste lamento, eis uma ode a ti.
Doce decadência que é sofrer em vão.
Minha dor se torna prazer,
por ti, beleza morta,
ressuscita memória do que um dia fui a ser.
Eis o passado trágico perante a Lua divina!
De escuridão tão profunda, de beleza ignota.
Que sua imensidão difunda em mim, oh beleza morta.
Um sentimento de nostalgia e prazer em minha obra.
Difunda em mim a trágica saudade, oh beleza morta!
Para lembrar e dilacerar,
meu desgraçado ser em vão.
Observo-te em convexa visão,
e vejo, diante do passado, tamanha solidão.
Diante deste lamento, eis uma ode a ti.
Doce decadência que é sofrer em vão.
Minha dor se torna prazer,
por ti, beleza morta,
ressuscita memória do que um dia fui a ser.
Qualificações:
melancolia,
noite,
nostalgia,
soneto,
tempo
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Pouco tempo, pouco tempo.
Eu já não aguento mais,
perder tanto tempo.
Há tanto a fazer,
em tão pouco tempo.
As horas são escassas,
os momentos são raros,
momentos curtos,
a serem apreciados.
Tenho muito a perder,
tenho muito a fazer,
e pouco tempo para realizar.
Pouco tempo para ser.
Pouco tempo para estar.
Pouco tempo, pouco tempo,
e o mundo vai acabar
no próximo momento.
Que sede de viver,
que sede de fazer tudo acontecer.
Mas eu tenho pouco tempo
e muito fazer.
E logo morrerei,
e pouco tempo viverei,
e muito não farei,
e não sei porque,
me preocupo tanto
em deixar de fazer.
Pouco tempo, pouco tempo,
está tudo acabando.
Ansioso por não ter tempo,
já não vivo nem faço,
já não sou nem estou.
E ansioso, me acabo,
com o tempo que restou.
perder tanto tempo.
Há tanto a fazer,
em tão pouco tempo.
As horas são escassas,
os momentos são raros,
momentos curtos,
a serem apreciados.
Tenho muito a perder,
tenho muito a fazer,
e pouco tempo para realizar.
Pouco tempo para ser.
Pouco tempo para estar.
Pouco tempo, pouco tempo,
e o mundo vai acabar
no próximo momento.
Que sede de viver,
que sede de fazer tudo acontecer.
Mas eu tenho pouco tempo
e muito fazer.
E logo morrerei,
e pouco tempo viverei,
e muito não farei,
e não sei porque,
me preocupo tanto
em deixar de fazer.
Pouco tempo, pouco tempo,
está tudo acabando.
Ansioso por não ter tempo,
já não vivo nem faço,
já não sou nem estou.
E ansioso, me acabo,
com o tempo que restou.
terça-feira, 24 de março de 2009
Saudade.
Saudade que machuca,
Que dói
Maldita nostalgia,
Saudade que corrói.
Sentimento inevitável,
Que traz tanta agonia.
Momento incurável,
Que tira minha alegria.
Saudade do que já passou,
De tudo que aconteceu,
De tudo que já não sou,
De tudo que se perdeu.
Saudade, amarga saudade,
Quero um atídoto parar curar minha nostalgia.
Saudade, amarga saudade,
Quero um veneno que me dê alegria.
terça-feira, 17 de março de 2009
Filosofia propriamente dita
Como se o tudo fosse agora,
Como se nada demorasse como demora,
Por todas razões, motivos,
Fúteis, irracionais,
Não importa,
Não adianta lamentar ou tentar encontrar motivos
para justificar.
Como se tudo fosse acontecer com alguma razão...
Tolice...
E agora, mais uma vez, são oito horas da manhã e
eu não dormi ainda,
oito horas e muitos minutos,
as vezes tão eternos, porém tão curtos.
Descansar não vale a pena, muito tempo perdido,
sem fazer nada, sem se expressar...
Chego a conclusão de que a exaustão me ajuda a pensar
melhor,
Talvez seja verdade... Até faz sentido...
Talvez este seja o momento oportuno,
ou importuno... Que oportunidade!
Se esconder da luz é mais interessante do que viver
na escuridão.
Vale mais aprender por necessidade, do que por
pressão.
Mais interessante, do que se perguntar se sim ou não.
É irrelevante se questionar sobre o "sim" e o "não".
Como se fosse, por um momento, uma vida perdida,
E foi, por um segundo, uma irremediável intriga.
O que faz sentido pra eles parece bobagem.
O que faz sentido pra mim parece loucura.
Por um mês, eternamente, pensando, se esforçando,
se cansando, tentando, se decepcionando...
Por uma semana, esperança, tédio, esperando pelo fim,
desesperadamente...
Por um dia, uma contagem, uma repetição, uma exaustão
uma diversão, uma imensidão que acabou tão cedo,
podendo ser eterna, ou repentina...
Por uma hora, como se o tédio matasse, e o fazer
também, como se o prazer se matasse sem conhecer
ninguém...
Por um minuto, sou o que gostaria de ser, mas no
minuto seguinte, não sei mais o que sou...
Por um segundo, não acreditei, mas foi o suficiente
para me mudar completamente...
Como conseguir ver atravez dos olhos de outro?
Como conseguir sentir atravez do coração de outro?
Como conseguir pensar atravez da mente de outro?
Como conseguir se expressar atravez da arte do outro?
Impossível... isso nos faz imperfeitos...
Mas nos faz tão belos do mesmo jeito.
Qualificações:
exaustão,
insônia,
moralidade,
motivações,
motivos,
questionamento,
tempo
Memória jogada ao vento
O ponteiro gira sem se ver,
A roda gira sem saber,
em que ponto estará amanhã,
aonde chegara, sem saber,
São tantos segundos passando,
voando enquanto pensamos,
tantos momentos que são agora,
amanhã serão só memória,
memória perdida no tempo,
memória jogada ao vento.
Minha memória sem glória,
Sem esperança, apenas história,
Minha harmonia infeliz,
Tudo que foi já passou,
Tudo que sou, já não sou
Tudo que eu fiz, acabou
Tudo que eu sei, esqueci,
Tudo que sonhei, eu perdi
São tantos segundos passando,
voando enquanto pensamos,
tantos momentos que são agora,
amanhã serão só memória,
memória perdida no tempo,
memória jogada ao vento.
em que ponto estará amanhã,
aonde chegara, sem saber,
São tantos segundos passando,
voando enquanto pensamos,
tantos momentos que são agora,
amanhã serão só memória,
memória perdida no tempo,
memória jogada ao vento.
Minha memória sem glória,
Sem esperança, apenas história,
Minha harmonia infeliz,
Tudo que foi já passou,
Tudo que sou, já não sou
Tudo que eu fiz, acabou
Tudo que eu sei, esqueci,
Tudo que sonhei, eu perdi
São tantos segundos passando,
voando enquanto pensamos,
tantos momentos que são agora,
amanhã serão só memória,
memória perdida no tempo,
memória jogada ao vento.
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