Juntam-se os símbolos
Na boca do abismo.
Aonde a luz não alcança,
Aonda as estrelas são mudas.
Jutam-se os livros, espelhos e cadernos;
Sintetizam-se os gritos, os bispos e as preces;
Seca-se o sangue, alimentam-se os vermes
No abstrato de cores que se apagaram.
Jutam-se e nada, e logo se decompoem
Deixando apenas os retratos, os diários
Nas bibliotecas que não se incendiaram.
Pois de nada existe tudo e de tudo existe muito,
Na empatia, na apatia de poetas moribundos.
Sintetizam-se os sígnos, sintetiza-se o mundo
[E nada mais importa.
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Irrelevância
Concebo o mundo pelo meu pensamento. Fito-o, o interpreto com a irrelevância de poeiras cósmicas. Afinal, como poderia eu ser arrogante se sou tão irrelevante como todos nós, sacos de carne errantes em busca de algum sentido para existir?
De tudo que sei, sou insignificante. E é com minha irrelevância que encaro a realidade, pois esta é minha maior dádiva libertadora.
Minha condição me faz ser o que quiser ao meu bel prazer. Pois de nada faço parte. Nada integro neste mundo em chamas. Nem nada devo aos efêmeros itinerantes que vagam inanes por cá e por lá.
Não sou um homem de palavras, pois estas nada valem. Como poderia eu afirmar alguma certeza, sendo que sou apenas uma peça desintegrada suscetível às paixões do mundo?
Como poderia eu, peça desqualificada de um todo que nunca existiu, afirmar alguma certeza neste conjunto de cenas incessantes e inconstantes?
Não existem certezas. Existem intenções. Estas mesmas serão apenas vitimadas por outras remanescentes.
De tudo que sei, sou insignificante. E é com minha irrelevância que encaro a realidade, pois esta é minha maior dádiva libertadora.
Minha condição me faz ser o que quiser ao meu bel prazer. Pois de nada faço parte. Nada integro neste mundo em chamas. Nem nada devo aos efêmeros itinerantes que vagam inanes por cá e por lá.
Não sou um homem de palavras, pois estas nada valem. Como poderia eu afirmar alguma certeza, sendo que sou apenas uma peça desintegrada suscetível às paixões do mundo?
Como poderia eu, peça desqualificada de um todo que nunca existiu, afirmar alguma certeza neste conjunto de cenas incessantes e inconstantes?
Não existem certezas. Existem intenções. Estas mesmas serão apenas vitimadas por outras remanescentes.
Qualificações:
ensaio,
existência,
Irrelevância
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A Irrelevância e o Tempo
A névoa que encobre
A escuridão da noite
A fumaça que exala
Meu cigarro de prazer
São fatos irrelevantes
Cotidiano de meu ser
Como a irrelevância julga
Todo fato simples ou complexo
São apenas frutos
De um julgamento convexo
Como o cachorro que anda pela rua
Ou o mendigo que lhe pede uns trocados
E que, sem perceber se julga
Tudo que está ao seu lado
E que, em completa apatia
Apenas não observa e segue em frente
E julgando sem notar
Não olha
Apenas caminha
E mais um cigarro acende
São fatos comuns
Que nada significam
Para muita gente
Eu apenas observo
Cada mísero detalhe
Da sociedade decadente
E digo que
A irrelevância é relativa
Ao ser que observa
E evita o julgamento
Pois esta mesma
Tem muito a mostrar
Para aqueles que não julgam
E se interessam em observar
A irrelevância é apenas uma venda
Que limita a realidade do vendado
È apenas uma prisão
Que diminui o ser
E o transforma em apenas
Um simples obstinado
A maior inspiração
Pode ser despertada
Pela simples irrelevância
A maior conclusão
Pode ser encontrada
Nessa simples irrelutância
Mas o mundo vive depressa
Depressa demais
E o tempo escraviza o ser
Com obrigações tão diversas
Que este
Esquece de ser
Apenas corre contra os ponteiros
Apático, mecanizado
E que mais parece máquina
Do que criatura
E que não tem nem sequer
Um sonho realizado
Não vive, existe
Não caminha, corre
Não observa, não vê
Não é nada mais que
Uma lataria
Cheia de engrenagens
Que nada sente, nada crê
O julgamento de irrelevância
Às vezes não passa de ignorância
E o único exemplo que te dou
São esses versos infames
Que a suposta irrelevância inspirou
A escuridão da noite
A fumaça que exala
Meu cigarro de prazer
São fatos irrelevantes
Cotidiano de meu ser
Como a irrelevância julga
Todo fato simples ou complexo
São apenas frutos
De um julgamento convexo
Como o cachorro que anda pela rua
Ou o mendigo que lhe pede uns trocados
E que, sem perceber se julga
Tudo que está ao seu lado
E que, em completa apatia
Apenas não observa e segue em frente
E julgando sem notar
Não olha
Apenas caminha
E mais um cigarro acende
São fatos comuns
Que nada significam
Para muita gente
Eu apenas observo
Cada mísero detalhe
Da sociedade decadente
E digo que
A irrelevância é relativa
Ao ser que observa
E evita o julgamento
Pois esta mesma
Tem muito a mostrar
Para aqueles que não julgam
E se interessam em observar
A irrelevância é apenas uma venda
Que limita a realidade do vendado
È apenas uma prisão
Que diminui o ser
E o transforma em apenas
Um simples obstinado
A maior inspiração
Pode ser despertada
Pela simples irrelevância
A maior conclusão
Pode ser encontrada
Nessa simples irrelutância
Mas o mundo vive depressa
Depressa demais
E o tempo escraviza o ser
Com obrigações tão diversas
Que este
Esquece de ser
Apenas corre contra os ponteiros
Apático, mecanizado
E que mais parece máquina
Do que criatura
E que não tem nem sequer
Um sonho realizado
Não vive, existe
Não caminha, corre
Não observa, não vê
Não é nada mais que
Uma lataria
Cheia de engrenagens
Que nada sente, nada crê
O julgamento de irrelevância
Às vezes não passa de ignorância
E o único exemplo que te dou
São esses versos infames
Que a suposta irrelevância inspirou
Qualificações:
crítica social,
Irrelevância,
poesia,
tempo
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