Todo nosso caso de acasos
Deveria ser banhado por lágrimas e risos,
Beijos e abraços submissos
A essa coisa estranha que chamam de destino,
E não narrados pelos carros que nos atropelaram,
Nem pelos cacos de vidro
Que nossas faces percorreram e cortaram
Ao desintegrar-se da vidraça da alma.
Faltou aquela melodia daquele violão velho.
Aquele pedido absorto atingindo a superfície,
Aquele sorriso torto fugindo
Da esquisitice de ser sincero.
Faltou o grito das estrelas,
A iluminação da estréia de nosso espetáculo,
De quando as trajetórias de nossos lábios
Se encontraram no primeiro ato.
Faltaram os cacos dos corações dilacerados
Se consolando no ventre da noite;
O gesto da carícia empática
Que há entre os desamparados.
Faltou realidade, faltou sonho...
Faltou o primeiro momento teu,
Momento meu de quando eu criei
Um mosaico com todos nossos cacos.
Sim...
Faltou o primeiro momento que se dissolveu,
Que o tempo rompeu,
Noite que amanheceu,
Sonho que se acordou,
A única lágrima brilhosa que escorreu.
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domingo, 1 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Tragédia Existencial
De início tudo era simples
Tudo era prático e palpável.
O mistério era lícito e
Inerente a mente inocente.
A pureza da possibilidade.
Pois puro e decente
São todos aqueles
Que não realizam os atos
Que não querem que realizem.
O rótulo é um poder
De manipulação profunda e voraz
Que soterra as vontades
Pelo medo do julgamento e da interpretação.
A realidade já se amplificou
E a complexidade bifurca a estrada
Em diversas possibilidades
Infames e traiçoeiras.
Os mistérios se desnudam
Em conceitos teóricos e empíricos
E explicações físicas e emocionais.
Tudo se justifica.
E múltiplas justificativas
Borbulham implacáveis.
Os temos medo e coragem
Vendamos e ampliamos com lentes
[os olhares
E tudo se torna plano
De forma abstrata e inane.
E nos buscamos sentido
Para tudo ao nosso redor.
Mentes desvirtuadas
A mercê do destino
Em busca da inocência e da ignorância
Que perdemos no fim do início.
Memórias mortas nos esfaqueiam.
Possibilidades nos amedrontam.
Pensamentos nos pungem.
A emoção escorre pelos poros.
Questionamos nossos desejos
E nos colocamos em um tribunal peculiar
No qual integramos a função
De promotor, defensor, juiz e réu.
E, por fim
Aquilo que mais desejamos
É aquilo que nos é abstrato, intangível, inatingível...
Pois a realidade se desfaz
E tudo se torna cinzas.
A vida e a existência
São ambas tragédias
Tudo era prático e palpável.
O mistério era lícito e
Inerente a mente inocente.
A pureza da possibilidade.
Pois puro e decente
São todos aqueles
Que não realizam os atos
Que não querem que realizem.
O rótulo é um poder
De manipulação profunda e voraz
Que soterra as vontades
Pelo medo do julgamento e da interpretação.
A realidade já se amplificou
E a complexidade bifurca a estrada
Em diversas possibilidades
Infames e traiçoeiras.
Os mistérios se desnudam
Em conceitos teóricos e empíricos
E explicações físicas e emocionais.
Tudo se justifica.
E múltiplas justificativas
Borbulham implacáveis.
Os temos medo e coragem
Vendamos e ampliamos com lentes
[os olhares
E tudo se torna plano
De forma abstrata e inane.
E nos buscamos sentido
Para tudo ao nosso redor.
Mentes desvirtuadas
A mercê do destino
Em busca da inocência e da ignorância
Que perdemos no fim do início.
Memórias mortas nos esfaqueiam.
Possibilidades nos amedrontam.
Pensamentos nos pungem.
A emoção escorre pelos poros.
Questionamos nossos desejos
E nos colocamos em um tribunal peculiar
No qual integramos a função
De promotor, defensor, juiz e réu.
E, por fim
Aquilo que mais desejamos
É aquilo que nos é abstrato, intangível, inatingível...
Pois a realidade se desfaz
E tudo se torna cinzas.
A vida e a existência
São ambas tragédias
Qualificações:
desejo,
desilusão,
existência,
moral,
nostalgia,
poesia,
questionamento,
sentido,
tempo
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A doença do patético
O patetismo de meus atos
Não me envergonha nem me humilha
Sou apenas um patético romântico
Em busca de uma cura ou uma anestesia
De minha insalubre e melancólica existência.
Românticos são patéticos,
Pois sentimentos também são.
Pois estar vulnerável a desilusão e decepção
É simplesmente patético.
Mas a pateticidade é humana
Pois só os patéticos vulneráveis
Que provaram do azedume da dor
Podem ser vítimas da alegria.
Sou apenas uma vítima impulsiva
Uma alma torturada
Uma criatura ridícula e vencida
Diante de um jogo sentimental.
Pois o preço da alegria
É a trágica tristeza
E a infelicidade se torna tangível
A felicidade se torna utopia.
A dor e o sofrimento são apenas constantes
Alegria é apenas uma droga rara
Um entorpecente caro
Uma morfina.
E o preço de tal anestesia
É o sangue derramado
Das veias laceradas
Da dor do patético.
A cura é apenas uma utopia
Somos apenas vítimas
Da patologia quase extinta
Da doença do patético.
Não me envergonha nem me humilha
Sou apenas um patético romântico
Em busca de uma cura ou uma anestesia
De minha insalubre e melancólica existência.
Românticos são patéticos,
Pois sentimentos também são.
Pois estar vulnerável a desilusão e decepção
É simplesmente patético.
Mas a pateticidade é humana
Pois só os patéticos vulneráveis
Que provaram do azedume da dor
Podem ser vítimas da alegria.
Sou apenas uma vítima impulsiva
Uma alma torturada
Uma criatura ridícula e vencida
Diante de um jogo sentimental.
Pois o preço da alegria
É a trágica tristeza
E a infelicidade se torna tangível
A felicidade se torna utopia.
A dor e o sofrimento são apenas constantes
Alegria é apenas uma droga rara
Um entorpecente caro
Uma morfina.
E o preço de tal anestesia
É o sangue derramado
Das veias laceradas
Da dor do patético.
A cura é apenas uma utopia
Somos apenas vítimas
Da patologia quase extinta
Da doença do patético.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Defeitos
Gostaria de dizer
Mil palavras a você
Mas estas, não significariam nada.
Gostaria de entender
O simples por que
Desta ausência desvairada.
Gostaria de vomitar
Toda miscelânea
De sentimentos e tormentos.
Gostaria de pensar
Que tudo poderia acabar
Neste exato momento.
Pois a calúnia e as personagens insensatas
Estão exausta de serem vítimas
Da falsidade ideológica
Desta realidade fragmentada.
Pois a filosofia inalada
Do gás tóxico que dá
Gênese a égide
De máscaras podres, putrefatas
De rostos de crianças mortas
Que jazem nesta lápide.
Pois meus heróis estão mortos
E os monstros existem
Dentro de meu ser
Vorazes e absortos.
Pois o mito da esperança
A ilusão da expectativa
São frutos do conceito
De meros defeitos.
Mil palavras a você
Mas estas, não significariam nada.
Gostaria de entender
O simples por que
Desta ausência desvairada.
Gostaria de vomitar
Toda miscelânea
De sentimentos e tormentos.
Gostaria de pensar
Que tudo poderia acabar
Neste exato momento.
Pois a calúnia e as personagens insensatas
Estão exausta de serem vítimas
Da falsidade ideológica
Desta realidade fragmentada.
Pois a filosofia inalada
Do gás tóxico que dá
Gênese a égide
De máscaras podres, putrefatas
De rostos de crianças mortas
Que jazem nesta lápide.
Pois meus heróis estão mortos
E os monstros existem
Dentro de meu ser
Vorazes e absortos.
Pois o mito da esperança
A ilusão da expectativa
São frutos do conceito
De meros defeitos.
Qualificações:
desilusão,
dor,
ilusão,
pessimismo,
poesia
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Noiteadores
Deixando pelas ruas
Seus rastros de decadência
Fazendo das noites tão absurdas
Expondo ações julgadas como indecência
Donos da noite, malditos por opção
Excluídos, românticos em putrefação
Alucinados, excitados, infames sem razão
Bucólicos e melancólicos perdidos na escuridão
Vândalos acabrunhantes sem religião
Infectados por terror e agonia
Em seus momentos de solidão
Artistas carentes de razão
Estes são os Noiteadores
Inspirados somente pela emoção
Seus rastros de decadência
Fazendo das noites tão absurdas
Expondo ações julgadas como indecência
Donos da noite, malditos por opção
Excluídos, românticos em putrefação
Alucinados, excitados, infames sem razão
Bucólicos e melancólicos perdidos na escuridão
Vândalos acabrunhantes sem religião
Infectados por terror e agonia
Em seus momentos de solidão
Artistas carentes de razão
Estes são os Noiteadores
Inspirados somente pela emoção
Qualificações:
decadencia,
desilusão,
romance,
romantismo,
soneto
O conflito diante do romance incompreensível
E depois de muitas noites mal dormidas. De dias pensando na mesma pessoa, que me enfeitiçara com tamanha eficácia a ponto de me fazer deixar de pensar em situações alheias, fatos cotidianos, argumentos, filosofias...
Enfeitiçara-me a ponto de excluir de minha mente todos os conhecimentos de adquirira através de minha experiência de infame vivencia miserável.
Surgiu motivação, esperança por este romance, pois todo início de romance sempre traz aquela sensação insólita de alegria débil, de sorrisos espontâneos e olhares em devaneio. Surgiu esperança de completar o vazio que se manteve a me consumir num ato voraz e vil.
Falsa esperança eu diria. Tão comum falsa esperança, da qual todos um dia já provaram.
A falsa esperança de encontrar em algum ser alheio a solução de suas mágoas. O preencher da lacuna tediosa e voraz de seu tragicômico cotidiano.
Tudo que o ser humano procura. Completar a si mesmo. Plenitude. O ato mais imbecil que o ser humano pode cometer, e comete,
é o de ter a falsa esperança de encontrar em outro ser humano (tão vazio quanto este mesmo) o preencher desta tão lúgubre circunstância comum.
Estava a vivenciar, novamente, esta falsa esperança, mas de uma forma diferente. Esta pessoa conseguira tirar todo conhecimento, toda a auto-preservação de sua mente. Tornou-se um sentimento desesperado e, logo, uma gafe.
A sensibilidade do ser diante desta situação incomum, portanto desesperadora, realmente preenchera este vazio, mas não da forma tão plena que se deseja. Apenas substituíra o sofrimento do vazio pelo sofrimento de um amor platônico.
Por tamanho desespero que sofrera por causa deste sentimento em sua intensidade toda, não conseguia preservar a si próprio, nem respeitar a si próprio, e muito menos pensar em si próprio.
E por estas circunstâncias, fora tomado, completamente, pelo sentimento constrangedor da insegurança. Por insegurança, que resultou em sua falta de atitude, em seu nervosismo, e por fim, em seu trágico sofrimento. Esta a justificativa do sofrimento de um amor platônico: a insegurança, que resulta na falta de atitude, e assim na impossibilidade de vivenciar tal sentimento, já que impossível declará-lo.
Mantive-me em sofrimento, por horas, dias, semanas... A terrível sensação de inaptidão me fizera pensar na incapabilidade, considerando os argumentos internos e externos diante dessa situação emocional masoquista.
O sofrimento agoniado, e sem possibilidade de mudança. Tão terrível sombra diante de teu ser, que o impedia de dormir ou acordar, que o impedia de pensar, que o fizera chorar por este tão vasto período cruel.
Era praticamente atroz sofrer desta forma. Porém, preferia sofrer agoniadamente, sem sua segurança, sem voz, por este romance de uma só parte, do que sofrer pelo vazio, que o consumira aos poucos durante os anos, subtraindo cada vez mais seu precioso sentimento de si.
Aceitava ser o romântico que era, e apreciava muito o sentimento que é amar. Até como a maior dor que um triste ser obtém através do mesmo.
Dilacerando a si mesmo, lenta e dolorosamente. Não havia outro pensamento em sua tão cega mente.
Mantinha sonhos, lembranças sobre esse amor. Fechava os olhos, e podia vê-la tão claramente a ponto de considerar a possibilidade de tocá-la.
Sonhos e lembranças que o pungiam ainda mais, de forma ainda mais cruel.
Tudo relacionado a romance passou a torturá-lo. A imagem de um casal o fazia pensar na possibilidade de estar acompanhado por sua amada, e, logo, o fazia lembrar a impossibilidade e da realidade que vivia.
Escrevia poesias, prosas, crônicas, pensamentos, sonetos, todos sobre este romance. Todo seu conhecimento literário, toda sua produção artística se voltara a ela.
Perdia-se em si mesmo, conflitando sua (agora tão prejudicada) racionalidade com sua sensibilidade. Estava atordoado, confuso, ausente. Seus sonhos tomaram conta de seu pensamento, suas fantasias substituíram suas teorias, e seu obsessivo romance substituía sua filosofia.
O preencher de seu vazio o pungia. O vazio em si, também o dilacerava. Não encontrara solução alguma para nada, já não conseguia pensar.
Tornara-se atroz, um animal romântico incapaz de raciocinar.
Essa metamorfose acontecia dentro de si imperceptivelmente.
Certa manhã, já desumanizado, sofreu uma overdose deste sentimento.
Desumanizado, desanimalizado, convertera-se em nada.
Um objeto inerte a toda situação que vivera interna e externamente.
Um corpo sem mente, desalmado, frio e sem vida.
Manteve-se desta forma por alguns minutos e logo regressou a si.
Voltou a ser, realmente. Pensava com normalidade, suas filosofias jogavam em sua face o quanto se tornou ocioso.
Não sentia mais a intensidade romântica que sentira, porém não deixara de ser um romântico.
Assim como a intensidade, a insegurança também evanesceu subitamente. Porém, não deixou de amar, apenas deixou de ser o masoquista que era antes.
Estranhamente, o vazio também não estava presente nesse momento de epifania.
Encontrara o equilíbrio de si mesmo, depois de tantas descargas emocionais, tantas lágrimas desesperadas, encontrara seu eixo.
E somente neste momento de epifania, soube que ainda poderia seguir em frente e lutar pelo que sentia. Pois agora havia segurança em si, e somente agora deixaria de conflitar consigo mesmo, e passaria a conflitar com o externo de sua infame vivência ao invés de conflitar consigo mesmo.
Compreendera o significado de "completo". Compreendeu, novamente, que somente ele mesmo poderia completar a si.
Porém, não deixara de ser o romântico que é, muito menos deixara de amar, ainda esta mesma pessoa.
E seguiu em frente, sem se importar com o sucesso ou com o fracasso.
Enfeitiçara-me a ponto de excluir de minha mente todos os conhecimentos de adquirira através de minha experiência de infame vivencia miserável.
Surgiu motivação, esperança por este romance, pois todo início de romance sempre traz aquela sensação insólita de alegria débil, de sorrisos espontâneos e olhares em devaneio. Surgiu esperança de completar o vazio que se manteve a me consumir num ato voraz e vil.
Falsa esperança eu diria. Tão comum falsa esperança, da qual todos um dia já provaram.
A falsa esperança de encontrar em algum ser alheio a solução de suas mágoas. O preencher da lacuna tediosa e voraz de seu tragicômico cotidiano.
Tudo que o ser humano procura. Completar a si mesmo. Plenitude. O ato mais imbecil que o ser humano pode cometer, e comete,
é o de ter a falsa esperança de encontrar em outro ser humano (tão vazio quanto este mesmo) o preencher desta tão lúgubre circunstância comum.
Estava a vivenciar, novamente, esta falsa esperança, mas de uma forma diferente. Esta pessoa conseguira tirar todo conhecimento, toda a auto-preservação de sua mente. Tornou-se um sentimento desesperado e, logo, uma gafe.
A sensibilidade do ser diante desta situação incomum, portanto desesperadora, realmente preenchera este vazio, mas não da forma tão plena que se deseja. Apenas substituíra o sofrimento do vazio pelo sofrimento de um amor platônico.
Por tamanho desespero que sofrera por causa deste sentimento em sua intensidade toda, não conseguia preservar a si próprio, nem respeitar a si próprio, e muito menos pensar em si próprio.
E por estas circunstâncias, fora tomado, completamente, pelo sentimento constrangedor da insegurança. Por insegurança, que resultou em sua falta de atitude, em seu nervosismo, e por fim, em seu trágico sofrimento. Esta a justificativa do sofrimento de um amor platônico: a insegurança, que resulta na falta de atitude, e assim na impossibilidade de vivenciar tal sentimento, já que impossível declará-lo.
Mantive-me em sofrimento, por horas, dias, semanas... A terrível sensação de inaptidão me fizera pensar na incapabilidade, considerando os argumentos internos e externos diante dessa situação emocional masoquista.
O sofrimento agoniado, e sem possibilidade de mudança. Tão terrível sombra diante de teu ser, que o impedia de dormir ou acordar, que o impedia de pensar, que o fizera chorar por este tão vasto período cruel.
Era praticamente atroz sofrer desta forma. Porém, preferia sofrer agoniadamente, sem sua segurança, sem voz, por este romance de uma só parte, do que sofrer pelo vazio, que o consumira aos poucos durante os anos, subtraindo cada vez mais seu precioso sentimento de si.
Aceitava ser o romântico que era, e apreciava muito o sentimento que é amar. Até como a maior dor que um triste ser obtém através do mesmo.
Dilacerando a si mesmo, lenta e dolorosamente. Não havia outro pensamento em sua tão cega mente.
Mantinha sonhos, lembranças sobre esse amor. Fechava os olhos, e podia vê-la tão claramente a ponto de considerar a possibilidade de tocá-la.
Sonhos e lembranças que o pungiam ainda mais, de forma ainda mais cruel.
Tudo relacionado a romance passou a torturá-lo. A imagem de um casal o fazia pensar na possibilidade de estar acompanhado por sua amada, e, logo, o fazia lembrar a impossibilidade e da realidade que vivia.
Escrevia poesias, prosas, crônicas, pensamentos, sonetos, todos sobre este romance. Todo seu conhecimento literário, toda sua produção artística se voltara a ela.
Perdia-se em si mesmo, conflitando sua (agora tão prejudicada) racionalidade com sua sensibilidade. Estava atordoado, confuso, ausente. Seus sonhos tomaram conta de seu pensamento, suas fantasias substituíram suas teorias, e seu obsessivo romance substituía sua filosofia.
O preencher de seu vazio o pungia. O vazio em si, também o dilacerava. Não encontrara solução alguma para nada, já não conseguia pensar.
Tornara-se atroz, um animal romântico incapaz de raciocinar.
Essa metamorfose acontecia dentro de si imperceptivelmente.
Certa manhã, já desumanizado, sofreu uma overdose deste sentimento.
Desumanizado, desanimalizado, convertera-se em nada.
Um objeto inerte a toda situação que vivera interna e externamente.
Um corpo sem mente, desalmado, frio e sem vida.
Manteve-se desta forma por alguns minutos e logo regressou a si.
Voltou a ser, realmente. Pensava com normalidade, suas filosofias jogavam em sua face o quanto se tornou ocioso.
Não sentia mais a intensidade romântica que sentira, porém não deixara de ser um romântico.
Assim como a intensidade, a insegurança também evanesceu subitamente. Porém, não deixou de amar, apenas deixou de ser o masoquista que era antes.
Estranhamente, o vazio também não estava presente nesse momento de epifania.
Encontrara o equilíbrio de si mesmo, depois de tantas descargas emocionais, tantas lágrimas desesperadas, encontrara seu eixo.
E somente neste momento de epifania, soube que ainda poderia seguir em frente e lutar pelo que sentia. Pois agora havia segurança em si, e somente agora deixaria de conflitar consigo mesmo, e passaria a conflitar com o externo de sua infame vivência ao invés de conflitar consigo mesmo.
Compreendera o significado de "completo". Compreendeu, novamente, que somente ele mesmo poderia completar a si.
Porém, não deixara de ser o romântico que é, muito menos deixara de amar, ainda esta mesma pessoa.
E seguiu em frente, sem se importar com o sucesso ou com o fracasso.
Qualificações:
amor platônico,
ansiedade,
crônica,
desilusão,
dor,
motivações,
romance
domingo, 19 de abril de 2009
Embalsamento Artificial.
Embalsamado artificialmente,
sigo em frente pelo caminho da escuridão.
Não somos nada e não temos ninguém,
no final de tudo não existe sentimento ou razão.
Vagamos pelo mundo iludidos com algo inexistente,
nos apegamos a ilusões perdidas,
achamos uma virtude que se torna vício,
algo que me faz inerente.
Não há mais ninguém,
não existe nada além da solidão,
nos tornamos egoístas,
já não procuramos alguém.
Não importa o que é real ou ilusão,
não importa quem mente ou quem diz a verdade,
não importa,
no fim de tudo sempre haverá decepção.
Não existe nenhum final feliz,
não existe nenhum final pacífico,
tudo é gerado por conflito.
Dizem que não há desculpa para o que fiz.
Fui embalsamado por materiais artificiais,
por pessoas artificiais,
por razões superficiais,
por malditos motivos irracionais.
sigo em frente pelo caminho da escuridão.
Não somos nada e não temos ninguém,
no final de tudo não existe sentimento ou razão.
Vagamos pelo mundo iludidos com algo inexistente,
nos apegamos a ilusões perdidas,
achamos uma virtude que se torna vício,
algo que me faz inerente.
Não há mais ninguém,
não existe nada além da solidão,
nos tornamos egoístas,
já não procuramos alguém.
Não importa o que é real ou ilusão,
não importa quem mente ou quem diz a verdade,
não importa,
no fim de tudo sempre haverá decepção.
Não existe nenhum final feliz,
não existe nenhum final pacífico,
tudo é gerado por conflito.
Dizem que não há desculpa para o que fiz.
Fui embalsamado por materiais artificiais,
por pessoas artificiais,
por razões superficiais,
por malditos motivos irracionais.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Depressão Pós-Suicídio
Eu passo todas as noites em claro,
já não consigo dormir de acordo com o relógio.
Já não consigo me render a tres malditos ponteiros.
O descanso não vem, o descanso não acontece mais.
Como se o dormir durasse apenas alguns segundos, sem valor.
Não faz sentido se manter desacordado durante horas,
isso não me satisfaz.
Já não sonho mais, já não acordo mais,
o mundo se tornou escuro e sem sentido.
As ultimas noites foram ótimas,
cheias de ilusões, cheias de insanidade, realmente necessárias.
Eu gostaria de não precisar parar,
mas isso não é possível.
É um infortúnio ter limítes.
Estou decaindo aos poucos.
Minha mente já não pensa,
meu corpo já não cansa,
meu coração não sente,
minha alma descansa.
Cada vez mais sinto a degeneração profunda de tudo isso.
Estou destruindo a mim mesmo.
E isso é tão bom.
Já não me sinto patético
porque já não me importo mais.
É tudo vazio, ninguém realmente existe.
Não há com quem contar, nem em quem pensar.
Não faz sentido.
Vivemos uma grande ilusão, uma grande farsa.
Somos alma corrompidas perdidas num mundo cruel cheio de
desgraça.
Não faz sentido confiar,
Não faz sentido conversar,
Não faz sentido sentir,
Não faz sentido agir.
Vivemos uma hipocrisia na qual acreditamos que estamos bem
ao lado de pessoas que amamos quando na verdade estamos
nada mais nada menos do que sozinhos, como todos seres humanos.
Somos egoistas, e não faz diferença acreditar em alguém.
Somos seres pútridos da mais profunda escuridão.
Somos seres desauridos e amaldiçoados por pensar.
Somos a escória predadora de um mundo em chamas.
Não existe definição melhor para o ser humano.
É possível encontrar beleza dentro destes seres desalmados e
perdidos... como é possível encontrar beleza em tudo.
O conforto vem de cada um, assim como a consideração, o gosto
e todas condições únicas...
É tudo uma questão escolha, pois no fim de tudo, tudo passa.
Tudo acaba.
Tudo se perde.
Tudo se esquece, por mais cruel que seja.
Somos memórias perdidas.
Somos passado que não volta, presente que não satisfaz e
futuro que não existe.
Somos... não...
Não somos.
Não mais.
Já não consigo me render a tres malditos ponteiros.
O descanso não vem, o descanso não acontece mais.
Como se o dormir durasse apenas alguns segundos, sem valor.
Não faz sentido se manter desacordado durante horas,
isso não me satisfaz.
Já não sonho mais, já não acordo mais,
o mundo se tornou escuro e sem sentido.
As ultimas noites foram ótimas,
cheias de ilusões, cheias de insanidade, realmente necessárias.
Eu gostaria de não precisar parar,
mas isso não é possível.
É um infortúnio ter limítes.
Estou decaindo aos poucos.
Minha mente já não pensa,
meu corpo já não cansa,
meu coração não sente,
minha alma descansa.
Cada vez mais sinto a degeneração profunda de tudo isso.
Estou destruindo a mim mesmo.
E isso é tão bom.
Já não me sinto patético
porque já não me importo mais.
É tudo vazio, ninguém realmente existe.
Não há com quem contar, nem em quem pensar.
Não faz sentido.
Vivemos uma grande ilusão, uma grande farsa.
Somos alma corrompidas perdidas num mundo cruel cheio de
desgraça.
Não faz sentido confiar,
Não faz sentido conversar,
Não faz sentido sentir,
Não faz sentido agir.
Vivemos uma hipocrisia na qual acreditamos que estamos bem
ao lado de pessoas que amamos quando na verdade estamos
nada mais nada menos do que sozinhos, como todos seres humanos.
Somos egoistas, e não faz diferença acreditar em alguém.
Somos seres pútridos da mais profunda escuridão.
Somos seres desauridos e amaldiçoados por pensar.
Somos a escória predadora de um mundo em chamas.
Não existe definição melhor para o ser humano.
É possível encontrar beleza dentro destes seres desalmados e
perdidos... como é possível encontrar beleza em tudo.
O conforto vem de cada um, assim como a consideração, o gosto
e todas condições únicas...
É tudo uma questão escolha, pois no fim de tudo, tudo passa.
Tudo acaba.
Tudo se perde.
Tudo se esquece, por mais cruel que seja.
Somos memórias perdidas.
Somos passado que não volta, presente que não satisfaz e
futuro que não existe.
Somos... não...
Não somos.
Não mais.
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