Me deram um nariz de palhaço
E eu não sabia
Se era uma piada de mal-gosto,
Pura ironia,
Ou se era um incentivo, uma prece,
Um incêndio de alegria.
Me deram um nariz de palhaço
E eu não tinha uma máscara.
Então fitei o espelho,
E encarei profundamente meu nariz vermelho.
Eu não sabia se eu era ou não a piada.
Se era possivelmente o piadista.
Então encarei novamente
O espelho que refletia
E comecei a rir da minha própria cara.
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Coragem de Saltimbanco
Acho que faltam olhos.
Olhos para ver o que não se vê.
Nesse mundo moderno, apressado, as pessoas correm olhando para frente
Sem caminhar olhando para cima e para os lados.
Mais parecem cavalos...
Acho que faltam dedos corajosos
Que consigam apontar as feridas que ainda doem em todos...
Falta gente corajosa para olhar dentro dos olhos dos outros.
Falta gente corajosa para tirar os óculos
E deixar de ver com lentes.
Ver com os próprios olhos.
E empatia para acariciar o sentimento,
Amá-lo e leva-lo para cama
Ao invés de enterrá-lo em medo e desalento.
Acho que ser poeta é ter coragem de encarar a si,
De escutar os gritos dos olhos
De lutar com a folha em branco
De lutar contra a folha em branco
Ser poeta é ter a coragem de ser um saltimbanco.
Por Renê B. Echeverria e Beatriz Porto
Olhos para ver o que não se vê.
Nesse mundo moderno, apressado, as pessoas correm olhando para frente
Sem caminhar olhando para cima e para os lados.
Mais parecem cavalos...
Acho que faltam dedos corajosos
Que consigam apontar as feridas que ainda doem em todos...
Falta gente corajosa para olhar dentro dos olhos dos outros.
Falta gente corajosa para tirar os óculos
E deixar de ver com lentes.
Ver com os próprios olhos.
E empatia para acariciar o sentimento,
Amá-lo e leva-lo para cama
Ao invés de enterrá-lo em medo e desalento.
Acho que ser poeta é ter coragem de encarar a si,
De escutar os gritos dos olhos
De lutar com a folha em branco
De lutar contra a folha em branco
Ser poeta é ter a coragem de ser um saltimbanco.
Por Renê B. Echeverria e Beatriz Porto
terça-feira, 20 de março de 2012
Versos de Corpo-Tela
E manco. E ando e carrego, como cargueiro perdido nas águas manchadas de petróleo.
E carrego no meu colo palavras da boca e corpo,
As rodopio nos meus ombros,
Manchando de sangue, compartilhando vísceras de meu viscerar humano.
E sangro, e canto, e as manchas são o pranto
Tingido na pele, manchado no pano.
O suspiro rouco, exausto, é pouco.
A coagulação na garganta é uma dança macabra,
Um espetáculo grotesco dum banquete de vinho.
- O vinho que torna ébrio. O vinho que é suposto sangue de cristo –
O vinho que é um misto! Era o visco encima de nós!
E tudo foi um obelisco honrado aos céus!
O vinho era um pedaço de voz
Gotejando com um cortejo ao chão.
Um pedaço de corpo, de cada dia o pão!
E a sanidade insana de tanto tempo, pranto,
E do afago da tua mão.
Um fardo pardo de mãos dadas ao chão.
Um largo sonho, um pedaço de mão.
Dos lábios a graça,
Dos olhos a tinta e a inspiração.
Uma caneta nos teus olhos, meu tinteiro-paixão,
Vou escrever no teu corpo pálido como tela
Um romance que nunca aconteceu.
E pintar nos teus lábios, com minha boca,
O carinho de uma mãe ao embrião que morreu.
E carrego no meu colo palavras da boca e corpo,
As rodopio nos meus ombros,
Manchando de sangue, compartilhando vísceras de meu viscerar humano.
E sangro, e canto, e as manchas são o pranto
Tingido na pele, manchado no pano.
O suspiro rouco, exausto, é pouco.
A coagulação na garganta é uma dança macabra,
Um espetáculo grotesco dum banquete de vinho.
- O vinho que torna ébrio. O vinho que é suposto sangue de cristo –
O vinho que é um misto! Era o visco encima de nós!
E tudo foi um obelisco honrado aos céus!
O vinho era um pedaço de voz
Gotejando com um cortejo ao chão.
Um pedaço de corpo, de cada dia o pão!
E a sanidade insana de tanto tempo, pranto,
E do afago da tua mão.
Um fardo pardo de mãos dadas ao chão.
Um largo sonho, um pedaço de mão.
Dos lábios a graça,
Dos olhos a tinta e a inspiração.
Uma caneta nos teus olhos, meu tinteiro-paixão,
Vou escrever no teu corpo pálido como tela
Um romance que nunca aconteceu.
E pintar nos teus lábios, com minha boca,
O carinho de uma mãe ao embrião que morreu.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Estrelas Em Meu Teto
Teu palor em meu sangue
Teu calor distante
Teu olhar atrás dos meus.
Minhas pálpebras perseguindo nuvens,
Espelhos alheios refletem o rosto teu.
Espelhos no céu...
Teus olhos são estrelas em meu teto.
Enquanto reflito, enquanto reflexo,
Enquanto desmaio no chão desconexo
Brilham e olham para mim dentro do escuro.
Grita o peito dentro do absurdo.
O cheiro macio, janelas para o mundo,
E o toque sem toque,
E um cigarro na madrugada,
Os olhos são mudos.
As lágrimas cálidas estão caladas.
E não irei tentar dormir,
Pois o onírico já não é meu companheiro.
Pois te vejo no teto do meu mundo,
Nas estrelas de meu quarto,
Meu sonho distante e lúcido.
A noite está nublada,
E as estrelas estão tímidas.
Os olhos perseguem dentro do avermelhado,
E tudo está escuro.
Não há como, não agora.
As estrelas somem e o teto desaba,
O poeta desmaia na noite de lua nova.
E agora o mundo expande e o peito aperta.
Uma sensação de oco, de pouco,
Uma sensação de nada.
E os olhos caçam estrelas na noite nublada,
O inverno um dia irá passar
E as estrelas ainda darão as caras...
E ainda iremos nos encontrar.
Teu calor distante
Teu olhar atrás dos meus.
Minhas pálpebras perseguindo nuvens,
Espelhos alheios refletem o rosto teu.
Espelhos no céu...
Teus olhos são estrelas em meu teto.
Enquanto reflito, enquanto reflexo,
Enquanto desmaio no chão desconexo
Brilham e olham para mim dentro do escuro.
Grita o peito dentro do absurdo.
O cheiro macio, janelas para o mundo,
E o toque sem toque,
E um cigarro na madrugada,
Os olhos são mudos.
As lágrimas cálidas estão caladas.
E não irei tentar dormir,
Pois o onírico já não é meu companheiro.
Pois te vejo no teto do meu mundo,
Nas estrelas de meu quarto,
Meu sonho distante e lúcido.
A noite está nublada,
E as estrelas estão tímidas.
Os olhos perseguem dentro do avermelhado,
E tudo está escuro.
Não há como, não agora.
As estrelas somem e o teto desaba,
O poeta desmaia na noite de lua nova.
E agora o mundo expande e o peito aperta.
Uma sensação de oco, de pouco,
Uma sensação de nada.
E os olhos caçam estrelas na noite nublada,
O inverno um dia irá passar
E as estrelas ainda darão as caras...
E ainda iremos nos encontrar.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Esfinges e Faraós
Enquanto a reputação é um filtro
A fala é muda, o silêncio é grito.
Enquanto são construídas famigeradas esfinges sem nariz
E esculturas sem braços e sem brado.
E sorrisos estáticos, simpáticos, de plástico,
Propagando a propaganda enganosa
Do mesmo marketing desenfreado.
Enquanto se segue, forjando próteses de aço,
Muletas de olhos impiedosos e ameaçadores,
Glíteres de unhas postiças, cintilando o mármore
Que escorre do monumento alheio.
Enquanto se erguem as belas muralhas,
Para proteger o continente dos mongóis.
Enquanto cantam as gralhas
Em lâmpadas de 110 volts.
Enquanto a reputação é um filtro
A fala é muda, o silêncio é grito.
E o tesouro da esfinge, o túmulo do faraó
De tantas armadilhas
Chega a parecer um mito
De tão escondido.
A fala é muda, o silêncio é grito.
Enquanto são construídas famigeradas esfinges sem nariz
E esculturas sem braços e sem brado.
E sorrisos estáticos, simpáticos, de plástico,
Propagando a propaganda enganosa
Do mesmo marketing desenfreado.
Enquanto se segue, forjando próteses de aço,
Muletas de olhos impiedosos e ameaçadores,
Glíteres de unhas postiças, cintilando o mármore
Que escorre do monumento alheio.
Enquanto se erguem as belas muralhas,
Para proteger o continente dos mongóis.
Enquanto cantam as gralhas
Em lâmpadas de 110 volts.
Enquanto a reputação é um filtro
A fala é muda, o silêncio é grito.
E o tesouro da esfinge, o túmulo do faraó
De tantas armadilhas
Chega a parecer um mito
De tão escondido.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Violão
Um cigarro, um violão, um pedaço de chão.
Aquelas coisas estranhas de cidadão.
Olhando para o céu, andando na contra mão,
Uma composição por um pedaço de pão.
Na sacola a fumaça da marola
Na cantiga um pedaço de razão
Na loucura estranha de hoje em dia
Os pés para o alto, a cabeça para o chão.
Aquele paraplégico que não sabia andar
Nos números imundos da civilização
Bebeu cachaça, e sem dar nenhuma pala.
Conheceu, na decadência, mais um irmão.
Não sabia de muito além de sua graça,
Seu colchão era seu violão.
O sol impiedoso batia na estrada
O suor era quase um vilão.
Achavam que era teimosia,
Não trabalhar, não ganhar e nem gastar na loja.
Mas o poeta barbudo não era besta e dizia:
-Não é hipocrisia, nem loucura
O gosto das moedas me enoja.
Meu trabalho é para com a vida.
Aquelas coisas estranhas de cidadão.
Olhando para o céu, andando na contra mão,
Uma composição por um pedaço de pão.
Na sacola a fumaça da marola
Na cantiga um pedaço de razão
Na loucura estranha de hoje em dia
Os pés para o alto, a cabeça para o chão.
Aquele paraplégico que não sabia andar
Nos números imundos da civilização
Bebeu cachaça, e sem dar nenhuma pala.
Conheceu, na decadência, mais um irmão.
Não sabia de muito além de sua graça,
Seu colchão era seu violão.
O sol impiedoso batia na estrada
O suor era quase um vilão.
Achavam que era teimosia,
Não trabalhar, não ganhar e nem gastar na loja.
Mas o poeta barbudo não era besta e dizia:
-Não é hipocrisia, nem loucura
O gosto das moedas me enoja.
Meu trabalho é para com a vida.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Programação Do Dia
Vida efêmera na tela,
Correm, voam, rastejam enfumaçando a atmosfera.
Concreto, reboco, arame farpado correndo,
Correndo montando o quadro, lado a lado.
As tintas, as revistas, as cores manchadas e encardidas,
E os bancos, e os prantos cinzas
Parecem crianças brincando na construção
Enquanto as minhocas de ferro voam no chão.
As flores gritam mudas, diante da luz cinza.
Um caule, um tronco rompe o cascalho e a calçada cria feições.
Rios choram em dialetos, em bordas adornadas de veias rotas,
Desaguam em tubos, em turnos de perfeições.
Anjos de ferro guardam, flutuando em arames, as estradas de alumínio.
Cantam uma melodia imperial os corais sintéticos.
Enquanto ovelhas desgarradas andam com suas tralhas
Ensacadas, errantes pelas vias, sem olhar para os dois lados
Antes de atravessar a rua.
São pedaços de cenário,
Árvores cenográficas chorando folhas mortas
Num outono sem vento.
Todos sorriem e distribuem seus mimos.
E riem e suspiram nuvens cinza em desatino.
Simpatias aos mitos!
Gritam três vezes aos ritos!:
Amém, amém, amém!
Amem, amem, amem!...
...E tudo volta ao normal.
Correm, voam, rastejam enfumaçando a atmosfera.
Concreto, reboco, arame farpado correndo,
Correndo montando o quadro, lado a lado.
As tintas, as revistas, as cores manchadas e encardidas,
E os bancos, e os prantos cinzas
Parecem crianças brincando na construção
Enquanto as minhocas de ferro voam no chão.
As flores gritam mudas, diante da luz cinza.
Um caule, um tronco rompe o cascalho e a calçada cria feições.
Rios choram em dialetos, em bordas adornadas de veias rotas,
Desaguam em tubos, em turnos de perfeições.
Anjos de ferro guardam, flutuando em arames, as estradas de alumínio.
Cantam uma melodia imperial os corais sintéticos.
Enquanto ovelhas desgarradas andam com suas tralhas
Ensacadas, errantes pelas vias, sem olhar para os dois lados
Antes de atravessar a rua.
São pedaços de cenário,
Árvores cenográficas chorando folhas mortas
Num outono sem vento.
Todos sorriem e distribuem seus mimos.
E riem e suspiram nuvens cinza em desatino.
Simpatias aos mitos!
Gritam três vezes aos ritos!:
Amém, amém, amém!
Amem, amem, amem!...
...E tudo volta ao normal.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Sopro Distante
Meu apreço exaurido e distante
Percorre horizontes em tua busca
Tão incerta, tão incessante.
Eu nado sozinho, e neste nada
Obstinado, caminho, andarilho vago.
Pintando manchas num quadro abstrato.
E grito, não de desespero,
Mas como sopro uma pena
Para que o vento a carregue
E a deixe ao teu lado.
Que ela te acaricie
Antes de dormir.
Ou te de bom dia
Quando teus olhos romperem a areia.
Que ela te toque
Nos momentos que não posso
E escreva versos belos em tua pele
Que, quem me dera, como ator,
Logo eu leia, logo eu viva
Em vivencia teatral
Em vivencia real.
Percorre horizontes em tua busca
Tão incerta, tão incessante.
Eu nado sozinho, e neste nada
Obstinado, caminho, andarilho vago.
Pintando manchas num quadro abstrato.
E grito, não de desespero,
Mas como sopro uma pena
Para que o vento a carregue
E a deixe ao teu lado.
Que ela te acaricie
Antes de dormir.
Ou te de bom dia
Quando teus olhos romperem a areia.
Que ela te toque
Nos momentos que não posso
E escreva versos belos em tua pele
Que, quem me dera, como ator,
Logo eu leia, logo eu viva
Em vivencia teatral
Em vivencia real.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
A Balada Do Poeta Ébrio II (Grito!)
Grito pelas poesias paraplégicas que não conseguem andar com as próprias pernas.
Pelas máscaras trincadas e manchadas de suor e sangue de poeta.
Gritos às margens da ilusão da liberdade marginalizada.
Grito porque não sou um homem-máquina!
Porque sinto, não dor, mas luta.
E grito enrolado, em voz distorcida, ébrio da bela arte que proponho a mim!
Da arte que sou e que faço de meu ser.
E as coisas continuam as mesmas, embora não pareçam.
O outdoor na rua mostra apenas uma sutura superficial, opaca e substituída a cada semana
Dentro d’um efêmero movimento de ferrugem.
Lubrificados por ilusões que desviam os olhos secos,
Os estáticos globos de glóbulos que já nem tentam lutar contra uma patologia viral estampada na face.
Tendem a não notar o que está como trapezista, malabareando na ponta do nariz.
É o palhaço maquiado em pixels, na tela plana de alta definição.
Eu grito contra ele! Eu jogo a caixa colorida pela janela!
Eu grito porque sou artista, e não tenho escolha.
Grito porque sou poeta!
Tentando me libertar e levando quem eu conseguir com a voz rouca de tanto soltar fumaça.
A decadência reflete apenas o sangue que ainda não se coagulou.
É a prisão! A frustração trancada no sótão das casas de classe alta.
Não sou rei, não sou peão. Nem cavalo e muito menos bispo!
Estou chocado neste jogo de tabuleiros.
Estou aqui quebrando peças enquanto me julgam de louco, tentam me medicar, chamam de patologia meus devaneios.
Grito porque anseio, e carrego no profundo do seio da amante,
Nas olheiras e nas letras adiante, o fogo tenro que aquece o peito.
Eu grito porque sou artista, e não tenho escolha.
Grito porque sou poeta!
Tentando me libertar e levando quem eu conseguir com a voz rouca.
Pelas máscaras trincadas e manchadas de suor e sangue de poeta.
Gritos às margens da ilusão da liberdade marginalizada.
Grito porque não sou um homem-máquina!
Porque sinto, não dor, mas luta.
E grito enrolado, em voz distorcida, ébrio da bela arte que proponho a mim!
Da arte que sou e que faço de meu ser.
E as coisas continuam as mesmas, embora não pareçam.
O outdoor na rua mostra apenas uma sutura superficial, opaca e substituída a cada semana
Dentro d’um efêmero movimento de ferrugem.
Lubrificados por ilusões que desviam os olhos secos,
Os estáticos globos de glóbulos que já nem tentam lutar contra uma patologia viral estampada na face.
Tendem a não notar o que está como trapezista, malabareando na ponta do nariz.
É o palhaço maquiado em pixels, na tela plana de alta definição.
Eu grito contra ele! Eu jogo a caixa colorida pela janela!
Eu grito porque sou artista, e não tenho escolha.
Grito porque sou poeta!
Tentando me libertar e levando quem eu conseguir com a voz rouca de tanto soltar fumaça.
A decadência reflete apenas o sangue que ainda não se coagulou.
É a prisão! A frustração trancada no sótão das casas de classe alta.
Não sou rei, não sou peão. Nem cavalo e muito menos bispo!
Estou chocado neste jogo de tabuleiros.
Estou aqui quebrando peças enquanto me julgam de louco, tentam me medicar, chamam de patologia meus devaneios.
Grito porque anseio, e carrego no profundo do seio da amante,
Nas olheiras e nas letras adiante, o fogo tenro que aquece o peito.
Eu grito porque sou artista, e não tenho escolha.
Grito porque sou poeta!
Tentando me libertar e levando quem eu conseguir com a voz rouca.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
A Dona De Meu Zelo
Só te peço para fazer estrelas para enfeitar meu céu.
Dos teus pequenos feitiços raivosos, insensatos como as minhas atitudes,
Não posso dizer que sou o único réu.
Mas sou poeta tentando desvendar o carinho das tuas redes de féu.
Tentando explorar teu sangue meu,
Derramado no breu de algo incompreensível,
Desvendo o visível paradoxo do oco.
Ecoam os gritos dentro de si.
Não poderíamos nascer um para o outro,
Pois tu és escudo enquanto sou arma a disparar em desatino insensato!
Frutos pútridos do absurdo
Que nutrem a terra ao queimar de pleno Sol.
Queria olhar para os teus olhos soturnos,
Eles que são o canto para os surdos;
A dança dos paraplégicos;
O caminho indeciso do frevo d'um carnaval que não chega.
Encontro teu olhar na perdição de teus cabelos curtos.
Tendo a tentar entender porque não podemos,
Nós almas perdidas na madrugada,
Olhar nos galpões das inexistentes galinhas.
Queria ter as tuas lentes coloridas!
Queria dizer sem nenhuma vergonha corrompida
O quanto prezo o zelo e tento
Com os olhos falar.
Gritar lágrimas,
Chorar versos
Só para tentar escutar as emoções tímidas
Que murmuram carícias e socos em meus tímpanos
E caixa torácica.
Discretamente em exaspero
Tento ver teus olhos castanhos no espelho de meu desespero.
Tento dizer o quando disto e daquilo que já disse,
Dos desencontros e de nossos apocalipses,
O quanto tu és preciosa,
O quanto prezo o preço da dona de meu zelo.
Dos teus pequenos feitiços raivosos, insensatos como as minhas atitudes,
Não posso dizer que sou o único réu.
Mas sou poeta tentando desvendar o carinho das tuas redes de féu.
Tentando explorar teu sangue meu,
Derramado no breu de algo incompreensível,
Desvendo o visível paradoxo do oco.
Ecoam os gritos dentro de si.
Não poderíamos nascer um para o outro,
Pois tu és escudo enquanto sou arma a disparar em desatino insensato!
Frutos pútridos do absurdo
Que nutrem a terra ao queimar de pleno Sol.
Queria olhar para os teus olhos soturnos,
Eles que são o canto para os surdos;
A dança dos paraplégicos;
O caminho indeciso do frevo d'um carnaval que não chega.
Encontro teu olhar na perdição de teus cabelos curtos.
Tendo a tentar entender porque não podemos,
Nós almas perdidas na madrugada,
Olhar nos galpões das inexistentes galinhas.
Queria ter as tuas lentes coloridas!
Queria dizer sem nenhuma vergonha corrompida
O quanto prezo o zelo e tento
Com os olhos falar.
Gritar lágrimas,
Chorar versos
Só para tentar escutar as emoções tímidas
Que murmuram carícias e socos em meus tímpanos
E caixa torácica.
Discretamente em exaspero
Tento ver teus olhos castanhos no espelho de meu desespero.
Tento dizer o quando disto e daquilo que já disse,
Dos desencontros e de nossos apocalipses,
O quanto tu és preciosa,
O quanto prezo o preço da dona de meu zelo.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Homem-Garrafa
Os dentes que batem contra o espelho
Que se quebra em cacos de anseio e martírio
São apenas da boca que não consegue ser boca.
Mastigam a cabeça como a de uma garrafa atacada por um saca-rolhas.
Libera-se na pequena explosão o etílico
Que embriaga o peito, molhando o rótulo úmido em imperfeito desfazer.
Ele era uma bebida lacrada, gasificada rolando no porta-malas.
Aguardando um toque sutil para entrar numa erupção de lata.
E toda coisa contida só daria no mesmo resultado:
Um champagne aberto por uma espada.
Era um homem-garrafa, explodindo sem tampa, nem anel, nem rolha, nem nada.
Uma dose destilada sem gelo que descia goela abaixo
Queimando o peito derradeiro.
Era o anseio que batia nas portas do crânio sem tocar a campainha.
E mais uma vez o homem-garrafa explodia...
Suas palavras não eram como champagne na taça de cristal, não eram harmonia.
Eram como a garrafa de vinho quebrada num bar no início de uma briga:
Armadas de silêncio forçado de vergonha alheia adquirida
E da violência pressentida nos olhares que tendiam a participar e assistiam.
Inconveniente como ir ao bar ao meio-dia.
Seu mecanismo era o de um copo cheio no meio de uma pista de dança:
Preenchido temporariamente para ser derramado na vida.
Ele era apenas uma garrafa vazia jogada na avenida.
Utilizada várias vezes como recipiente de diversos tipos de bebida.
...
Era apenas um frustrado recipiente de ideologia,
Fadado a ingerir todos aqueles paradigmas
Para vomitar em tipografia dentro d’algum outro copo o mesmo tópico...
Tudo destilava e batia cacos de vidro e cristais em ritmo de ópio,
Lentamente sufocando as lentes manchadas dos óculos.
Tudo se tornava ébrio,
Uma centelha acendia a garganta inflamada
E não havia como sentir nada,
Tudo recomeçava...
E ele estava tão cansado de andar na mesma estrada...
Adicto de culpa por não ser bebida legítima.
Bravejava diante tudo e todos,
Gritava para o mundo
E era pouco.
Pois gritava somente para si.
Que se quebra em cacos de anseio e martírio
São apenas da boca que não consegue ser boca.
Mastigam a cabeça como a de uma garrafa atacada por um saca-rolhas.
Libera-se na pequena explosão o etílico
Que embriaga o peito, molhando o rótulo úmido em imperfeito desfazer.
Ele era uma bebida lacrada, gasificada rolando no porta-malas.
Aguardando um toque sutil para entrar numa erupção de lata.
E toda coisa contida só daria no mesmo resultado:
Um champagne aberto por uma espada.
Era um homem-garrafa, explodindo sem tampa, nem anel, nem rolha, nem nada.
Uma dose destilada sem gelo que descia goela abaixo
Queimando o peito derradeiro.
Era o anseio que batia nas portas do crânio sem tocar a campainha.
E mais uma vez o homem-garrafa explodia...
Suas palavras não eram como champagne na taça de cristal, não eram harmonia.
Eram como a garrafa de vinho quebrada num bar no início de uma briga:
Armadas de silêncio forçado de vergonha alheia adquirida
E da violência pressentida nos olhares que tendiam a participar e assistiam.
Inconveniente como ir ao bar ao meio-dia.
Seu mecanismo era o de um copo cheio no meio de uma pista de dança:
Preenchido temporariamente para ser derramado na vida.
Ele era apenas uma garrafa vazia jogada na avenida.
Utilizada várias vezes como recipiente de diversos tipos de bebida.
...
Era apenas um frustrado recipiente de ideologia,
Fadado a ingerir todos aqueles paradigmas
Para vomitar em tipografia dentro d’algum outro copo o mesmo tópico...
Tudo destilava e batia cacos de vidro e cristais em ritmo de ópio,
Lentamente sufocando as lentes manchadas dos óculos.
Tudo se tornava ébrio,
Uma centelha acendia a garganta inflamada
E não havia como sentir nada,
Tudo recomeçava...
E ele estava tão cansado de andar na mesma estrada...
Adicto de culpa por não ser bebida legítima.
Bravejava diante tudo e todos,
Gritava para o mundo
E era pouco.
Pois gritava somente para si.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Opinião Enlatada
É muito simples, muito mais prático e fácil pegar aquele produto – vendido em qualquer supermercado – na sua geladeira frost-free de ultima geração
E colocá-lo no microondas, acertar o tempo certo,
E assistir TV enquanto a comida fica pronta.
Complicado mesmo é levantar do sofá,
E ir atrás cada ingrediente, e escolher cada ingrediente – se esta em bom estado, para o que será útil, se não causará náuseas -.
É pensar na receita, passar por todos os seus processos – de fazer a massa, de fazer o molho, de cozinhar e temperar a gosto,
De arrumar a mesa com todo seu aparato de talheres e copos
De servir aos convidados e perguntar o que acham –
É claro que dá um puta trabalho,
Um dispêndio de energias que sustentariam as telas coloridas,
Mas é muito mais respeitável.
Não se serve um congelado a um convidado
E muito menos um banquete elaborado aos porcos...
(...)
O mesmo vale para uma opinião.
É muito simples e prático acreditar no que todos seus cinqüenta e nove mil canais
- seus melhores amigos! – lhe dizem.
- Pra quê eu vou me importar com essa porra toda? Não tem nada a ver comigo mesmo!
Que se fodam esse bando de vagabundos ordinários sem respeito. Pouco me importa o que pensam!
Afinal de contas, pensar dá um puta trabalho.
Estudar e compreender então, nem se fala!
Pra quê vou cozinhar se tenho comida enlatada?
...
E aí? Do que você tem se alimentado?
E colocá-lo no microondas, acertar o tempo certo,
E assistir TV enquanto a comida fica pronta.
Complicado mesmo é levantar do sofá,
E ir atrás cada ingrediente, e escolher cada ingrediente – se esta em bom estado, para o que será útil, se não causará náuseas -.
É pensar na receita, passar por todos os seus processos – de fazer a massa, de fazer o molho, de cozinhar e temperar a gosto,
De arrumar a mesa com todo seu aparato de talheres e copos
De servir aos convidados e perguntar o que acham –
É claro que dá um puta trabalho,
Um dispêndio de energias que sustentariam as telas coloridas,
Mas é muito mais respeitável.
Não se serve um congelado a um convidado
E muito menos um banquete elaborado aos porcos...
(...)
O mesmo vale para uma opinião.
É muito simples e prático acreditar no que todos seus cinqüenta e nove mil canais
- seus melhores amigos! – lhe dizem.
- Pra quê eu vou me importar com essa porra toda? Não tem nada a ver comigo mesmo!
Que se fodam esse bando de vagabundos ordinários sem respeito. Pouco me importa o que pensam!
Afinal de contas, pensar dá um puta trabalho.
Estudar e compreender então, nem se fala!
Pra quê vou cozinhar se tenho comida enlatada?
...
E aí? Do que você tem se alimentado?
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Gula de Poeta
Quero mais armações, mais clarões,
Mais explicações - por mais equívocas que sejam -,
Mais arrepios, mais mentiras,
Mais ilusões, mais harpias,
Mais loucura, mais cicatrizes,
Mais asco, mais música
E mais álcool, mais incensos de Cingapura
E tudo abaixo das conjunturas
E mais ARTE e mais POESIA para massagear meu cérebro,
E o coração que palpita
Para influenciá-lo e fazê-lo pulsar fluído e maquinar
Qualquer coisa que eu possa respirar,
Que eu possa gritar,
Que eu possa transpirar
Para inspirar qualquer outro poeta
Qualquer pessoa que passa na rua
Que queira algo para engolir,
Algo para digerir
Para expirar,
Para inspirar
Outro poeta que possa surgir
Fazendo uma corrente de luz
Jogando arpões para pescar poesias no mar
Tudo para transpor e transpirar
As vísceras mais belas
Que um dia precisaram gritar algo para inspirar algo
E dilacerar o mundo com suas próprias unhas.
Mais explicações - por mais equívocas que sejam -,
Mais arrepios, mais mentiras,
Mais ilusões, mais harpias,
Mais loucura, mais cicatrizes,
Mais asco, mais música
E mais álcool, mais incensos de Cingapura
E tudo abaixo das conjunturas
E mais ARTE e mais POESIA para massagear meu cérebro,
E o coração que palpita
Para influenciá-lo e fazê-lo pulsar fluído e maquinar
Qualquer coisa que eu possa respirar,
Que eu possa gritar,
Que eu possa transpirar
Para inspirar qualquer outro poeta
Qualquer pessoa que passa na rua
Que queira algo para engolir,
Algo para digerir
Para expirar,
Para inspirar
Outro poeta que possa surgir
Fazendo uma corrente de luz
Jogando arpões para pescar poesias no mar
Tudo para transpor e transpirar
As vísceras mais belas
Que um dia precisaram gritar algo para inspirar algo
E dilacerar o mundo com suas próprias unhas.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Notas Nocivas
Notas nocivas que anoto em meu caderno esfarrapado
De folhas manchadas e queimaduras de cigarro.
Elas gritam agressivas em pedaços soltos,
Frangalhos e migalhas picotadas de destino morto.
Notas nocivas que desafinam em meu rosto,
Cantos harmoniosos em dissonância,
Cacofonias subliminares que meus tímpanos não escutam,
Compreendidas apenas pelo o que os olhos guardam.
Notas nocivas que me reprovam,
Que me deixam abaixo da média.
Avaliações como juízes cegos pela quantificação,
Tentam me transformar num código de barra.
As notas nocivas me dão a noção errada.
Me prendem, me pegam pela marra,
Me desviam da minha própria estrada
Enquanto construo edificações intransitáveis.
Notas nocivas de um roteiro apagado,
Nunca encenado, produzido ou raciocinado,
Que se limitaram e se limitarão pelos óculos do abstrato.
... Um substrato difamado pelos próprios autores.
Notas nocivas, notas despidas...
Apenas notas esparramadas no tapete,
Nunca fizeram corpo de obra oficial.
São apenas retratos do transbordar da mente do poeta...
...
Notas nocivas nas quais desenhei com teu dom
Momentos de graça engraçada.
Nelas esbocei uma possibilidade,
Retratei o que poderia ser
E colei seus pedaços no meu quarto
Para alimentar doces ocos, sem recheio...
De folhas manchadas e queimaduras de cigarro.
Elas gritam agressivas em pedaços soltos,
Frangalhos e migalhas picotadas de destino morto.
Notas nocivas que desafinam em meu rosto,
Cantos harmoniosos em dissonância,
Cacofonias subliminares que meus tímpanos não escutam,
Compreendidas apenas pelo o que os olhos guardam.
Notas nocivas que me reprovam,
Que me deixam abaixo da média.
Avaliações como juízes cegos pela quantificação,
Tentam me transformar num código de barra.
As notas nocivas me dão a noção errada.
Me prendem, me pegam pela marra,
Me desviam da minha própria estrada
Enquanto construo edificações intransitáveis.
Notas nocivas de um roteiro apagado,
Nunca encenado, produzido ou raciocinado,
Que se limitaram e se limitarão pelos óculos do abstrato.
... Um substrato difamado pelos próprios autores.
Notas nocivas, notas despidas...
Apenas notas esparramadas no tapete,
Nunca fizeram corpo de obra oficial.
São apenas retratos do transbordar da mente do poeta...
...
Notas nocivas nas quais desenhei com teu dom
Momentos de graça engraçada.
Nelas esbocei uma possibilidade,
Retratei o que poderia ser
E colei seus pedaços no meu quarto
Para alimentar doces ocos, sem recheio...
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
No Limbo Dos Precoces
No limbo dos precoces o silêncio ressoa,
Silêncio de seres perdidos em proa
Que gritam em berços errados.
Confusas criaturas que se rebelam diante da regência
De ponteiros batizados de:
“O que se foi” em segundos;
“O que se deve ser” em minutos
E “O que se será” em horas.
- As pedras que desembarcaram no vale
Antes de um deslizamento propício
Tendem a ser soterradas pelas que embarcaram na nau correta.
Não são chuva, nem garoa,
Nem água e nem vinho.
Esculturas sem forma nem fôrma
Esculpidas num granito inóspito de hospício.
- O limbo dos precoces é um purgatório suíço
Em meio do algo nem-antes-nem-depois que,
Deflagrando o decreto de um estado de dadaísma,
Parece abrigar manchas monocromáticas na pintura colorido-abstrata.
- Lá a noite ressoa como nuances em ânsia
De ecos do oco da inconstância.
Grita silêncios e palores transcendentais.
Grita coisas estranhas que grudam nas entranhas abissais
Enquanto a eletricidade apagada sorri ao fitar minha face,
Porém, esta não sorri de alegria, e sim de escárnio,
De sarcasmo sorrindo de lado.
- Lá se escreve poesia e se quer ser Sartre num cúmulo existencialista.
E cada poema, cada poesia é um parto que mata,
Um parto homicida que parte pedaços de vida.
No limbo dos precoces a graça bizarra da arte performática se retifica,
Se justifica e se amplia.
E se multiplica e se dissipa num suicídio representativo,
Como um símbolo da maneira que se quer morrer.
- Lá as flores à flor da pele vomitam pétalas tentando se reproduzir,
Porém, nem sempre elas sabem aonde ir.
Silêncio de seres perdidos em proa
Que gritam em berços errados.
Confusas criaturas que se rebelam diante da regência
De ponteiros batizados de:
“O que se foi” em segundos;
“O que se deve ser” em minutos
E “O que se será” em horas.
- As pedras que desembarcaram no vale
Antes de um deslizamento propício
Tendem a ser soterradas pelas que embarcaram na nau correta.
Não são chuva, nem garoa,
Nem água e nem vinho.
Esculturas sem forma nem fôrma
Esculpidas num granito inóspito de hospício.
- O limbo dos precoces é um purgatório suíço
Em meio do algo nem-antes-nem-depois que,
Deflagrando o decreto de um estado de dadaísma,
Parece abrigar manchas monocromáticas na pintura colorido-abstrata.
- Lá a noite ressoa como nuances em ânsia
De ecos do oco da inconstância.
Grita silêncios e palores transcendentais.
Grita coisas estranhas que grudam nas entranhas abissais
Enquanto a eletricidade apagada sorri ao fitar minha face,
Porém, esta não sorri de alegria, e sim de escárnio,
De sarcasmo sorrindo de lado.
- Lá se escreve poesia e se quer ser Sartre num cúmulo existencialista.
E cada poema, cada poesia é um parto que mata,
Um parto homicida que parte pedaços de vida.
No limbo dos precoces a graça bizarra da arte performática se retifica,
Se justifica e se amplia.
E se multiplica e se dissipa num suicídio representativo,
Como um símbolo da maneira que se quer morrer.
- Lá as flores à flor da pele vomitam pétalas tentando se reproduzir,
Porém, nem sempre elas sabem aonde ir.
sábado, 20 de agosto de 2011
A Antiga Central
O solo se irregula na terra de retângulos,
Cada geométrico cravado parece devorar
Seus vizinhos lentamente.
Suas faces, manchadas de substantivos,
Parecem gritar em múltiplas personalidades.
O contexto atenua o teor paradoxal do verde-cinza.
Colméias bloqueiam a luz, envoltas por
Abelhas que não voam.
Insetos rotulados, enumerados, capengando
Enrolados como cigarros a queimar.
Parem-se mancos – Reparem como andam!
E zumbem, e zumbem, e zumbem
Tentando voar com suas azzzas aleijadas,
Feitas em frangalhos de forma tão precoce,
Antes mesmo de suas próprias gêneses.
Algumas vestem-se em panos, exclamando superioridade
Em seu ócio burlesco. Outras, em seus trapos, maltrapilhos
E maltratados, perseguem falsos profetas.
Os admiram em seu sistema nervoso de engrenagens enferrujadas
E circuitos queimados.
- Oh, insetos aleijados de tantos olhos, que função eles tem?
- Porque entregaram suas línguas, integraram as massas fúngicas,
E continuam a zumbir tendenciosamente?
- Oh, insetos caídos, porque abandonaram o céu e se rastejam
Como minhocas que não são?
Cada geométrico cravado parece devorar
Seus vizinhos lentamente.
Suas faces, manchadas de substantivos,
Parecem gritar em múltiplas personalidades.
O contexto atenua o teor paradoxal do verde-cinza.
Colméias bloqueiam a luz, envoltas por
Abelhas que não voam.
Insetos rotulados, enumerados, capengando
Enrolados como cigarros a queimar.
Parem-se mancos – Reparem como andam!
E zumbem, e zumbem, e zumbem
Tentando voar com suas azzzas aleijadas,
Feitas em frangalhos de forma tão precoce,
Antes mesmo de suas próprias gêneses.
Algumas vestem-se em panos, exclamando superioridade
Em seu ócio burlesco. Outras, em seus trapos, maltrapilhos
E maltratados, perseguem falsos profetas.
Os admiram em seu sistema nervoso de engrenagens enferrujadas
E circuitos queimados.
- Oh, insetos aleijados de tantos olhos, que função eles tem?
- Porque entregaram suas línguas, integraram as massas fúngicas,
E continuam a zumbir tendenciosamente?
- Oh, insetos caídos, porque abandonaram o céu e se rastejam
Como minhocas que não são?
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Chama Remanescente
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A estrela se sufoca, implode,
Dando gênese ao buraco na parede da memória.
Encerrando o espetáculo que não havia começado,
Embora todos tão vívidos ensaios...
Os atores – que ainda nem sequer eram personagens –
Dançavam no palco sem cenário, sem roteiro,
Sem iluminação daquele teatro vazio:
Nosso sarau, grotesco e surreal,
Sem diretor e sem direção.
Dançavam sonhos em efemeridade da escuridão.
Pedaços de vida rindo, gritando, escorrendo
E exalando seu corta-rédeas-de-padrão...
Atores mal-pagos pelas pedras das rodovias
- Tão vazias vias – que furam seus sapatos velhos e baratos.
A trupe que invadia e ocupava, sem alvará,
Sua função de estar, em dispêndio da matéria,
Na fúria atroz da pena que voa, que escreve,
Que sangra...
Os palhaços a riam, os malabaristas a agitavam,
Os poetas a exaltavam junto dos bardos
- Que a cantavam junto de seus fardos – em dentes amarelos
E olhos secos de tanto chorar e rir, ela:
A asa de voar para os céus desejados.
E, de súbito, uma das poesias deixou o livro em composição.
Sem se despedir, se esvaiu, sumiu, desapareceu.
A concepção era simples, e não de preocupação:
Esta iria dançar em outros livros.
- Seu brilho esta no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz,
De criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Os livros se encaminharam,
As trupes encenaram, se encerraram e continuaram,
E várias poesias foram saltitar em outras páginas.
O mundo virou nosso palco, e já não estávamos ensaiando.
(...) Nada se soube sobre a poesia atriz-feliz.
E foi-se dada a notícia num mural velho de mais um dos palcos
Rechaçados e dilacerados, no qual poetas bêbados e entorpecidos
Cantavam mais uma ode dos marginalizados.
(...)
O silêncio estanque fulminou a garganta de todos.
A hemorragia recôndita fora cruel, um súbito linear
Dissonando a nota única que todos esperam, desesperam e exasperam.
Uma estrela que se perdeu em seu fôlego.
Um pedaço arrancado da bomba sanguínea de cada poeta gritante.
Lágrimas alcoólicas e sangue toxicológico...
Um poema incompleto, uma covardia da existência
Abortar uma estrela viva...
A lástima intransponível...
Não haveria de se dizer mais nada.
As poesias se entreolharam em seus prantos, com um único e uníssono verso já citado:
- Seu brilho está no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz, de criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Uma estrela morta ainda grita dentro de sua galáxia...
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A estrela se sufoca, implode,
Dando gênese ao buraco na parede da memória.
Encerrando o espetáculo que não havia começado,
Embora todos tão vívidos ensaios...
Os atores – que ainda nem sequer eram personagens –
Dançavam no palco sem cenário, sem roteiro,
Sem iluminação daquele teatro vazio:
Nosso sarau, grotesco e surreal,
Sem diretor e sem direção.
Dançavam sonhos em efemeridade da escuridão.
Pedaços de vida rindo, gritando, escorrendo
E exalando seu corta-rédeas-de-padrão...
Atores mal-pagos pelas pedras das rodovias
- Tão vazias vias – que furam seus sapatos velhos e baratos.
A trupe que invadia e ocupava, sem alvará,
Sua função de estar, em dispêndio da matéria,
Na fúria atroz da pena que voa, que escreve,
Que sangra...
Os palhaços a riam, os malabaristas a agitavam,
Os poetas a exaltavam junto dos bardos
- Que a cantavam junto de seus fardos – em dentes amarelos
E olhos secos de tanto chorar e rir, ela:
A asa de voar para os céus desejados.
E, de súbito, uma das poesias deixou o livro em composição.
Sem se despedir, se esvaiu, sumiu, desapareceu.
A concepção era simples, e não de preocupação:
Esta iria dançar em outros livros.
- Seu brilho esta no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz,
De criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Os livros se encaminharam,
As trupes encenaram, se encerraram e continuaram,
E várias poesias foram saltitar em outras páginas.
O mundo virou nosso palco, e já não estávamos ensaiando.
(...) Nada se soube sobre a poesia atriz-feliz.
E foi-se dada a notícia num mural velho de mais um dos palcos
Rechaçados e dilacerados, no qual poetas bêbados e entorpecidos
Cantavam mais uma ode dos marginalizados.
(...)
O silêncio estanque fulminou a garganta de todos.
A hemorragia recôndita fora cruel, um súbito linear
Dissonando a nota única que todos esperam, desesperam e exasperam.
Uma estrela que se perdeu em seu fôlego.
Um pedaço arrancado da bomba sanguínea de cada poeta gritante.
Lágrimas alcoólicas e sangue toxicológico...
Um poema incompleto, uma covardia da existência
Abortar uma estrela viva...
A lástima intransponível...
Não haveria de se dizer mais nada.
As poesias se entreolharam em seus prantos, com um único e uníssono verso já citado:
- Seu brilho está no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz, de criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Uma estrela morta ainda grita dentro de sua galáxia...
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Ao Invés de Várias Doses, Uma Garrafa Inteira
“Foi um pouco de tudo no meio do nada”
Enquanto não-santos foram fieis de fidelidade diferente – nada de coisas concretas, só poesia.
O palhaço e a palhaça decidiram: ao invés de pagar caro por várias doses,
Escolheram pagar por plenas garrafas.
A palhaça lhe deu um nariz, o palhaço a deu um complexo.
Ambos riram destilados - e daqueles também – diante de seus cigarros...
O palhaço disse:
- Eu gosto de marcas, são memórias concretas. E toda experiência é sempre válida.
A palhaça ficou vermelha como seu nariz...
Trocaram pronomes, adjetivos, verbos e métricas presentes e ausentes
Eles haviam se soterrado.
Sintetizado intenções que tomaram caminhos diferentes diante do frio e da poesia.
(...)
O palhaço fitava e lia as paredes enquanto a palhaça fazia café.
A palhaça disse – com canecas e garrafa a mão:
- Vamos escutar a gaita, já que não fizemos o pandeiro e a flauta.
O palhaço sorriu com bafo de café enquanto recusava-se a voltar do onírico
Metade do brinco sumiu, a outra ficara com a palhaça.
Caminharam, o palhaço sem-brinco-com-nariz e a palhaça com meio brinco e um complexo amaciado pelo cômico, pelo sol da manhã que já se esvaira.
Enquanto não-santos foram fieis de fidelidade diferente – nada de coisas concretas, só poesia.
O palhaço e a palhaça decidiram: ao invés de pagar caro por várias doses,
Escolheram pagar por plenas garrafas.
A palhaça lhe deu um nariz, o palhaço a deu um complexo.
Ambos riram destilados - e daqueles também – diante de seus cigarros...
O palhaço disse:
- Eu gosto de marcas, são memórias concretas. E toda experiência é sempre válida.
A palhaça ficou vermelha como seu nariz...
Trocaram pronomes, adjetivos, verbos e métricas presentes e ausentes
Eles haviam se soterrado.
Sintetizado intenções que tomaram caminhos diferentes diante do frio e da poesia.
(...)
O palhaço fitava e lia as paredes enquanto a palhaça fazia café.
A palhaça disse – com canecas e garrafa a mão:
- Vamos escutar a gaita, já que não fizemos o pandeiro e a flauta.
O palhaço sorriu com bafo de café enquanto recusava-se a voltar do onírico
Metade do brinco sumiu, a outra ficara com a palhaça.
Caminharam, o palhaço sem-brinco-com-nariz e a palhaça com meio brinco e um complexo amaciado pelo cômico, pelo sol da manhã que já se esvaira.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Mosaicos e Paródias Do Canibalismo Secular
Vejo e beijo o povo como um bando de microondas lotados de migalhas podres, cheias de fungos... Naturezas mortas tão belas...
Da minha língua, nenhuma destas bitucas de cigarros apagados não-por-mim, saca, entende, ou comenta sobre...Língua de poeta ébrio, louco como dizem...
Só as línguas manchadas pelo etanol, pelo propinol, pelo tal-tal produto de industria farmacêutica que não sei nomear, que não sei dizer sobre... Línguas manchadas entendem línguas manchadas...
Serei a língua podre do difunto moribundo desbundando do caos e fazendo loucuras nas correrias das estradas e estradas e estradas que não fazem – nem nunca fizeram – tanto sentido... Como pena flutuante, diria, como bobagem que se diz e não se lembra...
Como ser um pedaço de universo, preenchendo suas lacunas com o blues do lacrimoso, o jazz do swingado, o folk do inspirado e a ausência do impiedoso...
Esses eletrodomésticos não calam a boca! Vivem com suas radioatividades baixas e tão letalmente inertes e irrelevantes...
Nem sequer me dão um câncer!
Me poupem do discurso pieguisse-sobre-pieguisse e igrejas e padres e jesus e nadas...
Diria que existe um murro na parede para cada tijolinho laranja que se prosta nas paredes góticas, romanas, postólico-romanas! Ou simplesmente venenos contemporâneos... Acreditem, são até piores que antigos...
O raio do sol sopra! Quero a ardência da estrada e o medo do efêmero novo...
Não a tortura do temperamento abafado das vidraças mosaicas, cheias de história e paródia clichê, que grelham carne em oitavo pecado capital ou nona sinfonia clássica do poeta surdo...
Arcadismos rendidos são a trilha sonora, claro...
Afinal, arte pela arte é coisa de gente louca...
Ajoelham-se como Madalenas prostadas à serviço!
Abrem suas bocas puras e recebem o canibalismo secular – de sangue e de corpo e de “espírito” –
Saem do ritual alegrinhos e chegam em casa de fígados sobrecarregados e culpas pesadas nas costas... E acabam ganhando algumas mais...
O ciclo se cumpre, periódicamente...
Oh! Me ponho a dizer: “Se é acrática a concepção, a única púnica culpa é justa!”
Da minha língua, nenhuma destas bitucas de cigarros apagados não-por-mim, saca, entende, ou comenta sobre...Língua de poeta ébrio, louco como dizem...
Só as línguas manchadas pelo etanol, pelo propinol, pelo tal-tal produto de industria farmacêutica que não sei nomear, que não sei dizer sobre... Línguas manchadas entendem línguas manchadas...
Serei a língua podre do difunto moribundo desbundando do caos e fazendo loucuras nas correrias das estradas e estradas e estradas que não fazem – nem nunca fizeram – tanto sentido... Como pena flutuante, diria, como bobagem que se diz e não se lembra...
Como ser um pedaço de universo, preenchendo suas lacunas com o blues do lacrimoso, o jazz do swingado, o folk do inspirado e a ausência do impiedoso...
Esses eletrodomésticos não calam a boca! Vivem com suas radioatividades baixas e tão letalmente inertes e irrelevantes...
Nem sequer me dão um câncer!
Me poupem do discurso pieguisse-sobre-pieguisse e igrejas e padres e jesus e nadas...
Diria que existe um murro na parede para cada tijolinho laranja que se prosta nas paredes góticas, romanas, postólico-romanas! Ou simplesmente venenos contemporâneos... Acreditem, são até piores que antigos...
O raio do sol sopra! Quero a ardência da estrada e o medo do efêmero novo...
Não a tortura do temperamento abafado das vidraças mosaicas, cheias de história e paródia clichê, que grelham carne em oitavo pecado capital ou nona sinfonia clássica do poeta surdo...
Arcadismos rendidos são a trilha sonora, claro...
Afinal, arte pela arte é coisa de gente louca...
Ajoelham-se como Madalenas prostadas à serviço!
Abrem suas bocas puras e recebem o canibalismo secular – de sangue e de corpo e de “espírito” –
Saem do ritual alegrinhos e chegam em casa de fígados sobrecarregados e culpas pesadas nas costas... E acabam ganhando algumas mais...
O ciclo se cumpre, periódicamente...
Oh! Me ponho a dizer: “Se é acrática a concepção, a única púnica culpa é justa!”
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Heróis da Linha Torta
Meus heróis não usam espadas,
Nem armas impregnadas de pólvora.
Suas lâminas implacavelmente forjadas
Atingem o peito, sem demora.
Suas balas voam oníricas em asas.,
Atingem e queimam as vísceras da alma.
E vos peço que tenham calma,
Pois aquecem e ferem as impetuosas brasas.
Meus heróis não vem de exércitos nem de barricadas,
Não são guerreiros treinados por nada
Além das crateras e deformidades da estrada
Que se segue, se seguiu e se seguirá.
Estão nas mansões, nos sanatórios, nos bares...
E, solitários com seus cigarros,
Externam pedaços d’alma impares,
Compostos de lógicas, atmosferas, ascos...
Meus heróis são como coringas do baralho:
Bufões saltitantes sem função específica
Em meio a potências altas e baixas do carteado,
Sacados aleatoriamente para mostrar sua magia.
São instrumentos que ecoam no hall da vida,
Rendidos voluntariamente a seus músicos abstratos
Que os manipulam com certo carinho e certo maltrato,
E são mais conhecidos como poesias.
Meus heróis são mestres da polêmintriga
E não estão nem de um lado nem de outro da moeda.
Na verdade, estão bem longe dela...
Não observam através da lente... São lentes!
Não usam pentes,
São bagunçados alucinados.
São gente indecente, (in)fluentes,
Rochas crucificadas.
Meus heróis são artistas – da vida e do nada,
Ousadias que põem a mão na merda.
Malabaristas que engolem a ponta da espada;
Revolucionários, malditos e subjulgados
Por muitas lentes opacas-cegas que os observam.
Nem armas impregnadas de pólvora.
Suas lâminas implacavelmente forjadas
Atingem o peito, sem demora.
Suas balas voam oníricas em asas.,
Atingem e queimam as vísceras da alma.
E vos peço que tenham calma,
Pois aquecem e ferem as impetuosas brasas.
Meus heróis não vem de exércitos nem de barricadas,
Não são guerreiros treinados por nada
Além das crateras e deformidades da estrada
Que se segue, se seguiu e se seguirá.
Estão nas mansões, nos sanatórios, nos bares...
E, solitários com seus cigarros,
Externam pedaços d’alma impares,
Compostos de lógicas, atmosferas, ascos...
Meus heróis são como coringas do baralho:
Bufões saltitantes sem função específica
Em meio a potências altas e baixas do carteado,
Sacados aleatoriamente para mostrar sua magia.
São instrumentos que ecoam no hall da vida,
Rendidos voluntariamente a seus músicos abstratos
Que os manipulam com certo carinho e certo maltrato,
E são mais conhecidos como poesias.
Meus heróis são mestres da polêmintriga
E não estão nem de um lado nem de outro da moeda.
Na verdade, estão bem longe dela...
Não observam através da lente... São lentes!
Não usam pentes,
São bagunçados alucinados.
São gente indecente, (in)fluentes,
Rochas crucificadas.
Meus heróis são artistas – da vida e do nada,
Ousadias que põem a mão na merda.
Malabaristas que engolem a ponta da espada;
Revolucionários, malditos e subjulgados
Por muitas lentes opacas-cegas que os observam.
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