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sábado, 11 de setembro de 2010

Sou poeta

Eu sou um poeta que reaprendeu
A arte de amar, de esculpir a emoção.
Aprendi a viver, a enfrentar
Ilusões da doce e atroz existência.

Sou poeta e também aprendi a morrer.
Aprendi a me afogar dentre oceanos de lágrimas
E decadência soturna
E também aprendi a apreciar o brilho do arco-íris
Ao ver o dia nascer.

Aprendi solitário a transformar vísceras
E risos, gritos e suspiros
Em palavras e estrofes
Que enfeitam os olhares
Que distribuem carinhos
De amor e solidariedade

Solitário e patético,
Melancólico e alegre,
Aprendi a deixar as folhas cair
E as flores florescer
Que o amor,a dor, a angústia e o prazer
Fazendo parte da arte de existir.
Aprendi que é poeta quem quer ser!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Descender

A vida é nada
Há quem dissera
Romance insólito
Perdido, instável
Ilusão adjunta
Miséria deplorável

Vazio, falta de nada
Situação comum
Decadência cotidiana
Que é somente
A agonia de mais um

Miséria tristonha
Conseqüência comum
Adoecer a alma
Com tanta calma

Cotidiano de solidão
De desgraça psíquica
Uma vida oblíqua

Esvai-se, sem ilusão de plenitude
Esvai-se, dilacerada atitude

Esvai-se a humanidade do miserável ser que se ilude.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Retrato Decadente

Os livros gritam silenciosos
As cores apáticas ignoram
A brasa acende e joga sob o ar
A asmática cinzenta fumaça a passar

Pequenas legendas que invadem a pútrida lente
Significam tão pouco, quase nada agora
Brota-se em tão ilógica gênese
Um retrato de sinceridade biológica.

Um rosto esculpido em apática expressão
Indefinível, irreconhecível pela razão
A arte em seu berço macabro de ilusão
A cor velha e cinzenta, enclausurada na perdição

Mentiras, ilusões e desilusões esculpem uma face.
Esfinge definhada, torturada em disfarce.
Culpa desta, eis o rosto do apache.
Culpa dela, miséria em retrato com molduras
Feitas de cacos caídos da vidraça de Marte

Vinhas que torturam tão definhada face
Agoniada, silenciosa, apática expressão de arte
Antítese do tédio e da irrelevância cotidiana
Tão interessante a pútrida arte

Vinhas secas, mortas que preenchem
As lacunas oriundas de uma obstinada sina
Da criação do novo suposto deus desta noite
A entorpecida presença impregna

E percorrem tuas entranhas, e moldam tuas tripas
E perfuram teus olhos, em morte rústica
E entrelaçam e transpassam tua expressão indigna
E descrição novamente não se aplica
Ao tamanho retrato macabro desta face

Retrato teatro de cenas intermináveis
Agonias gritantes se esculpem nessa face
Melancolias surgem itinerantes dentre partes
Tudo a se preencher em torno desta tela
De vidro estilhaçado, d’um modelo exilado
Exaurida, a exaurir o olhar obstinado

Eis, ó belo retrato de minha parte
Vinhas que definham o rosto do mártir
Eis o resultado da sina masoquista
Eis o perseverante vômito de palavras
Para a tentativa frustrada de passar a mensagem
De divulgar aos decadentes, minha verdadeira face.

Libertação

Quantas vezes por dia
Eu considero a idéia
De tirar a própria vida
Sem prazer

Esperando a próxima dose
As próximas ilusões
Nada a fazer

Quantos pensamentos fluem
Quanto sangue escorre
Sem haver

Esperança e harmonia
Caótica fisionomia
De meu ser

Devaneios que surgem
Em meu deturpado pensamento
De morte

O vazio que me consome
Transmuta-se na infame forma
De consorte

Grita-me, dilacera-me
Por favor, faça isso
Por mim

Estou exaurido
De abafar o grito
Dentro de si

Por um fim na glória
De um anonimato sem memória
Que sou

Despeço-me desse infortúnio
Lamento o caos incompreensível
“Me vou”

[24/09/2009]

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Noiteadores

Deixando pelas ruas
Seus rastros de decadência
Fazendo das noites tão absurdas
Expondo ações julgadas como indecência

Donos da noite, malditos por opção
Excluídos, românticos em putrefação
Alucinados, excitados, infames sem razão
Bucólicos e melancólicos perdidos na escuridão

Vândalos acabrunhantes sem religião
Infectados por terror e agonia
Em seus momentos de solidão

Artistas carentes de razão
Estes são os Noiteadores
Inspirados somente pela emoção