domingo, 6 de junho de 2010

Devaneio-Enleio (Eólica Noturna)

Noite fria que me ilumina
Resvalando ventos límpidos.
Inodoras bênçãos
Que esfriam minha carne.

Doçura oportuna
Tão simples e inválida.
Tamanha graciosa ternura.
Minha inspiração sem precedentes.

Meu diálogo profundo e incompreensível
Com os ventos que banham,
Que atingem inconstantes
Esta bela morada.

Procuro apenas ser
Puro como o vento:
Sincero e espontâneo
Prazer oportuno
Ou desconforto súbito.

Observo o azeviche
Profundo deste belo céu
Sem estrelas, sem nuvens
Como em constante meditação.

E vejo em reflexo
Pedaços simples de vida
Fluindo na escuridão.
Vejo lágrimas e dentes
Em céu composto de emoção.

Vejo miséria e alegria
Dançando em plenitude.
Vejo dor e prazer
Igualando-se no nada.

Vejo tudo em meio
A plenitude do nada.
Pois somente este
Vazio por si só
Poderia ser completo em existência.

Vejo em enleio
Que somos apenas
Uma síntese de sentimentos
Que jamais será plena.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

De Todos Sentimentos... A Dor

Existência em tufão emocional.
Que seja digna a visão
E o valor de cada inconsciente,
Insensata e dilacerada emoção.

De toda alegria, de todo sorriso
De todo suspiro ansioso.
De toda fúria não contida
E toda agonia sussurrante.

De todo ridículo olhar apaixonado
E toda miséria da solidão.
De todo sangue derramado
De toda vida, toda emoção.

De toda emoção
Prefiro a dor.
Pois esta é sincera
É profunda e constante.

É lívida e opta
Entre o racional e o irracional.
É transitória e permanente
É trágica e prazerosa.

É a mais relevante emoção
Pois esta é a única
Que comprova em sua profundidade
A existência do viver e do morrer.

A dor é a única medida
Relacionada ao sentimento.
É a essência humana
Que modifica o viver em seu extremo.

A emoção mais poderosa
O amargo de existir
A antítese do desejo obstinado
Que a humanidade tanto procura.

É o valor da alegria.
Pois sem dor agonizante
Não existe margem ou sentido
Para que exista felicidade.

Soneto da Vergonha Passada

E provoca-se em nostalgia
Através de momentos
Que desejara exasperadamente
Fazer evanescer de sua infame memória.

De retratos de faces imbecilizadas
Dando gênese à insegurança
E ao contestar de falas e atos.
O arrepender em desesperança.

Dá-se razão ao questionar
Do irracional impulso
Em expressar no atuar.

E responsabiliza-se no equívoco
Do lamentar e remoer
Do agir através do instinto

sábado, 22 de maio de 2010

Causa em Meta-Linguística

O desejo de influenciar
Manipuladora ou filantropicamente
Em seu relativo etimológico
É inerente a minha existência.

Para pintar uma nova realidade
E transmitir idealismos
Para conscientizar, para despertar
Essas criaturas deste comum abismo.

Para esculpir em folha virgem
A escultura abstrata
O retrato peculiar
Da realidade idiossincrática.

Por pensar
Por prazer
Por amar
Por morrer.

Para sentir as agonias do mundo
Aflorarem em minha pele.
E as alegrias espontâneas
Contraírem meus lábios.

Dançar com emoções
Brincar com eufemismos
E observar o fluir
Das estrofes sob o vento
Da inspiração súbita.

Retratar o princípio da humanidade.
A base da definição do ser vivente.
A ambigüidade do espontâneo esporádico
Que é o instinto.

Pois a irracionalidade é mais tangível
Que a apática lógica.
Pois fazer escorrer uma lágrima
É às vezes mais fácil
Do que injetar conceitos
Na inteligência racional.

Pois fazer sentir
É mais fácil e eficaz
Do que fazer pensar.

E eu sou apenas
Um acorde de estrofes emocionadas.
Sou apenas uma harmonia
Ansiosa e desesperada.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Alegria dos Ignorantes.

Ócio que me consome
Em uma realidade entediante
De conceitos baseados em pré-conceitos
De moral com fundamento alienante.

Tédio de conviver
Com a hipocrisia daqueles
Que nunca nem uma regra
Tiveram a ousadia de quebrar.

Os frutos podres estão em maioria
Nesta colheita acabrunhante
De criaturas sem atitude
Conformistas, estáticas.

Como é impossível manter
Qualquer espécie de diálogo interessante
Com estes seres constantes...
O tédio me consome com comentários fúteis.

Talvez eu seja um arrogante
Exclamando o quanto sou
Maior e mais consciente,
Melhor do que estas criaturas.

Mas os diálogos são inconcebíveis.
E eles riem e sorriem.
Eu me calo, solitário e austero.

É fácil dizer
Quem é mais intelectual.
E ainda mais nítido ver
Qual está mais próximo da felicidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Simplesmente...

Tendo a ignorância como uma bênção
Eu talvez seja um amaldiçoado egoísta.
E não sou culpado
Por simplesmente não me importar.

As pessoas tornam-se insignificantes
E a realidade torna-se intransponível.
As mensagens são pessimistas
E a poesia é escura
Como uma noite de lua nova.

Mantenho-me inconstante
Beirando a ausência do sociopata
Em conflito com a sensibilidade do artista,
Constantemente desesperado como um romântico.

Apenas posso cantar
E continuar meu solene-soturno viver
E expressar o quanto amo...
O quanto sinto...
O quanto deixo de sentir...
Posso apenas continuar a gritar.

Eu apenas busco
Mais uma tristeza para um retrato.
Pois esta é a obstinação de um artista,
Retratar, amar e lamentar.

Amo demais...
Lamento tanto...
Retrato pouco...

Simplesmente, sou apenas um complexo.
Como uma bactéria de males e benefícios.
Sou muito muito pouco para ser.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tabuleiro de Influências

E olhar o mundo girar
Com os olhos de um ignorante
Sem perspectivas, conceitos ou concepções
Com saliência em apenas um egoísmo simples
E na ausência de opiniões.

Rondado pelo azeviche alienante
Da visão manipuladora
Ser apenas um peão
Em um xadrez incessante

Tabuleiro de influências
Que rege a existência plana.
Apenas uma peça descartável
E sem qualidade alguma.

Porém, grande a quantidade
Dessas peças comuns
Pois os desprezíveis
São os geradores do poder.

Basta alimentá-los
Com ilusões baratas
E esperanças falsas.

Basta iludi-los
Com uma visão de superioridade
E induzi-los no desejo
De pisar na cabeça alheia.

Oferecê-los bobagens para falar
Futilidades para acreditar
E estereótipos para julgar.

Peões...
Apenas soldados boçais
Para morrer e existir em vão.

Peões...
O exército de patologia humana...
Composto por grotescos perdidos
Fadados a viver sem razão.