Das mortes as mais belas.
Das carícias as mais puras.
Do sangue os mais escuros.
Das noites as mais soturnas.
Pois um ser puro
Jamais seria relativamente
Interessante, ou nitidamente
Relevante e intrigante.
Pois uma noite clara
Possui muito pouco mistério,
Pouco terror e pouca agonia.
E uma carícia falsa
Não reflete sentido.
Apenas ilude a vítima,
Gera-se um ato inválido e onírico.
E o esvair da vida
Diante do corpo,
Da mente e do coração
Deve ser digno.
Da metragem corrida,
Da intensidade em vida
Sofrida pela alma
Em ponteiros de relógio em vão.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Noite Vazia
Nesta noite de insônia, o céu não demonstra significado algum. Não, nenhuma filosofia vã, nenhum pensando onírico, nenhuma nostalgia, nenhuma música, nada.
Escuta-se apenas o cantar obstinado de um galo distante nessas ruas vazias. Como se houvesse significado para este som irritante.
Talvez, nesta noite-quase-manhã de insônia, ele não tenha sentido tudo que poderia sentir. Talvez, se ele estivesse na ausência de seu cigarro, companheiro de toda solidão e de todo prazer, ou de seus analgésicos, essenciais deuses do conforto para sua atual situação, esta noite tivesse mais sentido e mais emoção.
Talvez este seja seu maior medo: noites sem emoção, sem objetivo, sem causalidade ou razão. Medo de tornar-se um ser-máquina comum como tantos existentes nesta tragicidade humana.
Um rosto seco e inexpressivo, uma mente sem foco e exaurida, impossibilitada de sonhar. O olhar vazio fita a parede branca, reflete-se em si um nada que consome.
Não existia nada para pensar, ou talvez não existisse capacidade para pensar. Apenas acendeu mais um cigarro, tragou-o pesadamente e observou o vazio dentro de sua mentalidade.
Nota-se um sinal de vida em si, um sinal de que não se tornara uma máquina padronizada. Nota-se uma irritação profunda por este ócio. Esta fadiga começou a o dilacerar. Este estafa inexplicável deu gênese a uma profunda inquietação irremediável. Não havia o que fazer. Ele sabia que não poderia dormir, que não poderia se refugiar em fantasias oníricas mais uma vez para dar algum sentido a uma noite vazia. Sabia que, em um ato desesperado, ligaria a TV e encontraria apenas futilidades irrelevantes que apenas o irritariam diante de sua inconformidade. Já havia se enjoado dos livros que possuía, de tanto lê-los e relê-los. Porém nunca havia tempo para comprar novos. E procurou possibilidades, perseguiu errantemente qualquer esperança, por mais vã que fosse, de se livrar daquele vácuo existencial.
Surtou em eloqüente frustração, sem nenhuma solução aparente ou nenhuma anestesia possível. Jogou-se ao chão em poeira inóspita e fitou o recipiente da lâmpada da sala em que se encontrava. Notou a quantidade de insetos mortos se acumulando naquele pequeno cemitério de criaturas insignificantes. Pensou consigo mesmo em diálogo irônico: - Como são felizes alienados estes pútridos insetos. Vivem por tão poucas horas que nem sequer precisam de significado para existir. Apenas cumprem seu instinto simples e padecem anestesiados em uma morte súbita e fria, pois não existe tragédia se não existe significado. Não existe mágoa se não existe o que lamentar ou o que perder, nem existe preocupação ou relutância.
Trágica é a humanidade, tão racional e tão perdida que procura obstinadamente por algum sentido para justificar sua existência.
Tão sôfregos, que quando se encontram na ausência de significado, desesperam-se e surtam incessantes até que algo os anestesie com alguma lógica ou emoção.
Ele concluiu seu devaneio, riu-se, e encontrou seu refúgio em seu carpete imundo no desmaiar de sua mente exaurida.
Escuta-se apenas o cantar obstinado de um galo distante nessas ruas vazias. Como se houvesse significado para este som irritante.
Talvez, nesta noite-quase-manhã de insônia, ele não tenha sentido tudo que poderia sentir. Talvez, se ele estivesse na ausência de seu cigarro, companheiro de toda solidão e de todo prazer, ou de seus analgésicos, essenciais deuses do conforto para sua atual situação, esta noite tivesse mais sentido e mais emoção.
Talvez este seja seu maior medo: noites sem emoção, sem objetivo, sem causalidade ou razão. Medo de tornar-se um ser-máquina comum como tantos existentes nesta tragicidade humana.
Um rosto seco e inexpressivo, uma mente sem foco e exaurida, impossibilitada de sonhar. O olhar vazio fita a parede branca, reflete-se em si um nada que consome.
Não existia nada para pensar, ou talvez não existisse capacidade para pensar. Apenas acendeu mais um cigarro, tragou-o pesadamente e observou o vazio dentro de sua mentalidade.
Nota-se um sinal de vida em si, um sinal de que não se tornara uma máquina padronizada. Nota-se uma irritação profunda por este ócio. Esta fadiga começou a o dilacerar. Este estafa inexplicável deu gênese a uma profunda inquietação irremediável. Não havia o que fazer. Ele sabia que não poderia dormir, que não poderia se refugiar em fantasias oníricas mais uma vez para dar algum sentido a uma noite vazia. Sabia que, em um ato desesperado, ligaria a TV e encontraria apenas futilidades irrelevantes que apenas o irritariam diante de sua inconformidade. Já havia se enjoado dos livros que possuía, de tanto lê-los e relê-los. Porém nunca havia tempo para comprar novos. E procurou possibilidades, perseguiu errantemente qualquer esperança, por mais vã que fosse, de se livrar daquele vácuo existencial.
Surtou em eloqüente frustração, sem nenhuma solução aparente ou nenhuma anestesia possível. Jogou-se ao chão em poeira inóspita e fitou o recipiente da lâmpada da sala em que se encontrava. Notou a quantidade de insetos mortos se acumulando naquele pequeno cemitério de criaturas insignificantes. Pensou consigo mesmo em diálogo irônico: - Como são felizes alienados estes pútridos insetos. Vivem por tão poucas horas que nem sequer precisam de significado para existir. Apenas cumprem seu instinto simples e padecem anestesiados em uma morte súbita e fria, pois não existe tragédia se não existe significado. Não existe mágoa se não existe o que lamentar ou o que perder, nem existe preocupação ou relutância.
Trágica é a humanidade, tão racional e tão perdida que procura obstinadamente por algum sentido para justificar sua existência.
Tão sôfregos, que quando se encontram na ausência de significado, desesperam-se e surtam incessantes até que algo os anestesie com alguma lógica ou emoção.
Ele concluiu seu devaneio, riu-se, e encontrou seu refúgio em seu carpete imundo no desmaiar de sua mente exaurida.
Qualificações:
crônica,
pensamento
domingo, 6 de junho de 2010
Devaneio-Enleio (Eólica Noturna)
Noite fria que me ilumina
Resvalando ventos límpidos.
Inodoras bênçãos
Que esfriam minha carne.
Doçura oportuna
Tão simples e inválida.
Tamanha graciosa ternura.
Minha inspiração sem precedentes.
Meu diálogo profundo e incompreensível
Com os ventos que banham,
Que atingem inconstantes
Esta bela morada.
Procuro apenas ser
Puro como o vento:
Sincero e espontâneo
Prazer oportuno
Ou desconforto súbito.
Observo o azeviche
Profundo deste belo céu
Sem estrelas, sem nuvens
Como em constante meditação.
E vejo em reflexo
Pedaços simples de vida
Fluindo na escuridão.
Vejo lágrimas e dentes
Em céu composto de emoção.
Vejo miséria e alegria
Dançando em plenitude.
Vejo dor e prazer
Igualando-se no nada.
Vejo tudo em meio
A plenitude do nada.
Pois somente este
Vazio por si só
Poderia ser completo em existência.
Vejo em enleio
Que somos apenas
Uma síntese de sentimentos
Que jamais será plena.
Resvalando ventos límpidos.
Inodoras bênçãos
Que esfriam minha carne.
Doçura oportuna
Tão simples e inválida.
Tamanha graciosa ternura.
Minha inspiração sem precedentes.
Meu diálogo profundo e incompreensível
Com os ventos que banham,
Que atingem inconstantes
Esta bela morada.
Procuro apenas ser
Puro como o vento:
Sincero e espontâneo
Prazer oportuno
Ou desconforto súbito.
Observo o azeviche
Profundo deste belo céu
Sem estrelas, sem nuvens
Como em constante meditação.
E vejo em reflexo
Pedaços simples de vida
Fluindo na escuridão.
Vejo lágrimas e dentes
Em céu composto de emoção.
Vejo miséria e alegria
Dançando em plenitude.
Vejo dor e prazer
Igualando-se no nada.
Vejo tudo em meio
A plenitude do nada.
Pois somente este
Vazio por si só
Poderia ser completo em existência.
Vejo em enleio
Que somos apenas
Uma síntese de sentimentos
Que jamais será plena.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
De Todos Sentimentos... A Dor
Existência em tufão emocional.
Que seja digna a visão
E o valor de cada inconsciente,
Insensata e dilacerada emoção.
De toda alegria, de todo sorriso
De todo suspiro ansioso.
De toda fúria não contida
E toda agonia sussurrante.
De todo ridículo olhar apaixonado
E toda miséria da solidão.
De todo sangue derramado
De toda vida, toda emoção.
De toda emoção
Prefiro a dor.
Pois esta é sincera
É profunda e constante.
É lívida e opta
Entre o racional e o irracional.
É transitória e permanente
É trágica e prazerosa.
É a mais relevante emoção
Pois esta é a única
Que comprova em sua profundidade
A existência do viver e do morrer.
A dor é a única medida
Relacionada ao sentimento.
É a essência humana
Que modifica o viver em seu extremo.
A emoção mais poderosa
O amargo de existir
A antítese do desejo obstinado
Que a humanidade tanto procura.
É o valor da alegria.
Pois sem dor agonizante
Não existe margem ou sentido
Para que exista felicidade.
Que seja digna a visão
E o valor de cada inconsciente,
Insensata e dilacerada emoção.
De toda alegria, de todo sorriso
De todo suspiro ansioso.
De toda fúria não contida
E toda agonia sussurrante.
De todo ridículo olhar apaixonado
E toda miséria da solidão.
De todo sangue derramado
De toda vida, toda emoção.
De toda emoção
Prefiro a dor.
Pois esta é sincera
É profunda e constante.
É lívida e opta
Entre o racional e o irracional.
É transitória e permanente
É trágica e prazerosa.
É a mais relevante emoção
Pois esta é a única
Que comprova em sua profundidade
A existência do viver e do morrer.
A dor é a única medida
Relacionada ao sentimento.
É a essência humana
Que modifica o viver em seu extremo.
A emoção mais poderosa
O amargo de existir
A antítese do desejo obstinado
Que a humanidade tanto procura.
É o valor da alegria.
Pois sem dor agonizante
Não existe margem ou sentido
Para que exista felicidade.
Qualificações:
dor,
poesia,
sentimento
Soneto da Vergonha Passada
E provoca-se em nostalgia
Através de momentos
Que desejara exasperadamente
Fazer evanescer de sua infame memória.
De retratos de faces imbecilizadas
Dando gênese à insegurança
E ao contestar de falas e atos.
O arrepender em desesperança.
Dá-se razão ao questionar
Do irracional impulso
Em expressar no atuar.
E responsabiliza-se no equívoco
Do lamentar e remoer
Do agir através do instinto
Através de momentos
Que desejara exasperadamente
Fazer evanescer de sua infame memória.
De retratos de faces imbecilizadas
Dando gênese à insegurança
E ao contestar de falas e atos.
O arrepender em desesperança.
Dá-se razão ao questionar
Do irracional impulso
Em expressar no atuar.
E responsabiliza-se no equívoco
Do lamentar e remoer
Do agir através do instinto
Qualificações:
impulsividade,
insegurança,
memória,
soneto,
vergonha
sábado, 22 de maio de 2010
Causa em Meta-Linguística
O desejo de influenciar
Manipuladora ou filantropicamente
Em seu relativo etimológico
É inerente a minha existência.
Para pintar uma nova realidade
E transmitir idealismos
Para conscientizar, para despertar
Essas criaturas deste comum abismo.
Para esculpir em folha virgem
A escultura abstrata
O retrato peculiar
Da realidade idiossincrática.
Por pensar
Por prazer
Por amar
Por morrer.
Para sentir as agonias do mundo
Aflorarem em minha pele.
E as alegrias espontâneas
Contraírem meus lábios.
Dançar com emoções
Brincar com eufemismos
E observar o fluir
Das estrofes sob o vento
Da inspiração súbita.
Retratar o princípio da humanidade.
A base da definição do ser vivente.
A ambigüidade do espontâneo esporádico
Que é o instinto.
Pois a irracionalidade é mais tangível
Que a apática lógica.
Pois fazer escorrer uma lágrima
É às vezes mais fácil
Do que injetar conceitos
Na inteligência racional.
Pois fazer sentir
É mais fácil e eficaz
Do que fazer pensar.
E eu sou apenas
Um acorde de estrofes emocionadas.
Sou apenas uma harmonia
Ansiosa e desesperada.
Manipuladora ou filantropicamente
Em seu relativo etimológico
É inerente a minha existência.
Para pintar uma nova realidade
E transmitir idealismos
Para conscientizar, para despertar
Essas criaturas deste comum abismo.
Para esculpir em folha virgem
A escultura abstrata
O retrato peculiar
Da realidade idiossincrática.
Por pensar
Por prazer
Por amar
Por morrer.
Para sentir as agonias do mundo
Aflorarem em minha pele.
E as alegrias espontâneas
Contraírem meus lábios.
Dançar com emoções
Brincar com eufemismos
E observar o fluir
Das estrofes sob o vento
Da inspiração súbita.
Retratar o princípio da humanidade.
A base da definição do ser vivente.
A ambigüidade do espontâneo esporádico
Que é o instinto.
Pois a irracionalidade é mais tangível
Que a apática lógica.
Pois fazer escorrer uma lágrima
É às vezes mais fácil
Do que injetar conceitos
Na inteligência racional.
Pois fazer sentir
É mais fácil e eficaz
Do que fazer pensar.
E eu sou apenas
Um acorde de estrofes emocionadas.
Sou apenas uma harmonia
Ansiosa e desesperada.
Qualificações:
existência,
meta-linguística,
poesia
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A Alegria dos Ignorantes.
Ócio que me consome
Em uma realidade entediante
De conceitos baseados em pré-conceitos
De moral com fundamento alienante.
Tédio de conviver
Com a hipocrisia daqueles
Que nunca nem uma regra
Tiveram a ousadia de quebrar.
Os frutos podres estão em maioria
Nesta colheita acabrunhante
De criaturas sem atitude
Conformistas, estáticas.
Como é impossível manter
Qualquer espécie de diálogo interessante
Com estes seres constantes...
O tédio me consome com comentários fúteis.
Talvez eu seja um arrogante
Exclamando o quanto sou
Maior e mais consciente,
Melhor do que estas criaturas.
Mas os diálogos são inconcebíveis.
E eles riem e sorriem.
Eu me calo, solitário e austero.
É fácil dizer
Quem é mais intelectual.
E ainda mais nítido ver
Qual está mais próximo da felicidade.
Em uma realidade entediante
De conceitos baseados em pré-conceitos
De moral com fundamento alienante.
Tédio de conviver
Com a hipocrisia daqueles
Que nunca nem uma regra
Tiveram a ousadia de quebrar.
Os frutos podres estão em maioria
Nesta colheita acabrunhante
De criaturas sem atitude
Conformistas, estáticas.
Como é impossível manter
Qualquer espécie de diálogo interessante
Com estes seres constantes...
O tédio me consome com comentários fúteis.
Talvez eu seja um arrogante
Exclamando o quanto sou
Maior e mais consciente,
Melhor do que estas criaturas.
Mas os diálogos são inconcebíveis.
E eles riem e sorriem.
Eu me calo, solitário e austero.
É fácil dizer
Quem é mais intelectual.
E ainda mais nítido ver
Qual está mais próximo da felicidade.
Qualificações:
conformismo,
futilidade,
ignorância,
poesia,
tédio
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