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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Maravilha Expressada

Eu, exaurido, torturado
Pungido, enclausurado
Dentro de meu ser de ócio
De decadência, de fóssil

Expressor de falsidades esfíngicas
Realidades inexistentes
Esculpindo e pintando
A sinestesia da expressão que mente

Dissonante o som que é
A expressão do acorde
Que dança, dentre notas
A melodia do consorte

Frustrada que é
Sua tão vária atuação
Lágrimas tão cálidas
Que merecem atenção

Dinâmica que é
O tão belo esforço
Saltitante, harmonioso
Doce flagelo, gracioso

Maravilha torturada
Esculpida, cantada
Tocada, pintada
Dançada, atuada

Maravilha expressada
Por expressar a maravilha
De todo torturado
Transmuta-se da forma enclausurada

Maravilha torturada
Agora livre desvairada
Maravilha vomitada
Maravilha expressada

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Retrato Decadente

Os livros gritam silenciosos
As cores apáticas ignoram
A brasa acende e joga sob o ar
A asmática cinzenta fumaça a passar

Pequenas legendas que invadem a pútrida lente
Significam tão pouco, quase nada agora
Brota-se em tão ilógica gênese
Um retrato de sinceridade biológica.

Um rosto esculpido em apática expressão
Indefinível, irreconhecível pela razão
A arte em seu berço macabro de ilusão
A cor velha e cinzenta, enclausurada na perdição

Mentiras, ilusões e desilusões esculpem uma face.
Esfinge definhada, torturada em disfarce.
Culpa desta, eis o rosto do apache.
Culpa dela, miséria em retrato com molduras
Feitas de cacos caídos da vidraça de Marte

Vinhas que torturam tão definhada face
Agoniada, silenciosa, apática expressão de arte
Antítese do tédio e da irrelevância cotidiana
Tão interessante a pútrida arte

Vinhas secas, mortas que preenchem
As lacunas oriundas de uma obstinada sina
Da criação do novo suposto deus desta noite
A entorpecida presença impregna

E percorrem tuas entranhas, e moldam tuas tripas
E perfuram teus olhos, em morte rústica
E entrelaçam e transpassam tua expressão indigna
E descrição novamente não se aplica
Ao tamanho retrato macabro desta face

Retrato teatro de cenas intermináveis
Agonias gritantes se esculpem nessa face
Melancolias surgem itinerantes dentre partes
Tudo a se preencher em torno desta tela
De vidro estilhaçado, d’um modelo exilado
Exaurida, a exaurir o olhar obstinado

Eis, ó belo retrato de minha parte
Vinhas que definham o rosto do mártir
Eis o resultado da sina masoquista
Eis o perseverante vômito de palavras
Para a tentativa frustrada de passar a mensagem
De divulgar aos decadentes, minha verdadeira face.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Réquiem

Divino réquiem que me atrai
pela ignota voz dos restos mortais
Enterrados a sete palmos do chão
sem motivos, sem razão.

Á todos ossos e toda a carne pútrida,
que jazem nesse solo sem vida.
A tudo que viveu um dia
e hoje alimenta tal bela harmonia.

Dedico a vós, restos dos seres que caminharam
por esta terra maldita
Dedico a vós, os versos profanos dessa poesia

Em vossa homenagem dedico essa simples prosa.
E que esse réquiem faça que o dia não amanheça
para que a harmonia da neblina, da escuridão e da morte prevaleça.