sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Motivação

Sinto-me filosoficamente morto
Como dentro de uma espécie de vácuo
Existencial do qual
Não faço parte.

De nada faço parte.
Sou uma peça solta
Diante de vários quebra-cabeças

Quebra-cabeças coloridos.
E eu sou uma peça
Em preto e branco
Que só aparente se encaixar.

Talvez a essência fundamental
De meu ser isolado e alheio
Seja esta.

A essência de uma peça
Solitária e inacabada
Disfarçando-se em suas tintas
Para adentrar as cores
De outros quebra-cabeças.

Pelomenos aqui
Nesta folha de caderno
Eu não preciso fazer
Parte de nada.

Aqui eu não preciso ser nada.
Só preciso dizer algo.
Qualquer algo que queira dizer
Para meus raros leitores.

E, obviamente,
Algo que eu queira dizer
Para mim, eu, ser-caneta
De tinta negra.

(Talvez eu seja apenas
Um excluído, um isolado qualquer.
Um coringa sem baralho.
Um cigarro sem maço.)

Mas aqui eu não preciso ser!
Eu preciso dizer, expressar,
Escrever algo que eu considere relevante
Ou pelomenos, no mínimo interessante.

(Talvez eu não seja.
Simplesmente não seja!
Talvez eu nem exista!
Como poderia existir uma peça
Solta nessa realidade?)

Eu digo que a vida é bela!
Mas será que eu acredito nisso?
Vale a pena viver?
Não?

(Uma criatura sem raça...
Uma palavra sem verso...
Uma pena sem asa...
Uma folha sem árvore...)

Existem motivos para viver?
Não?
Existem motivos para morrer?
Nãos?
Que dilema!

(O que sou eu?
O que eu sou?
Eu sou?
Eu?)

Existe esta folha de caderno.
Por enquanto é o suficiente.
Existe algo a dizer.
É muito mais que o suficiente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lamúria

Eu só consigo escrever sobre ti.
Só consigo expressar esta única emoção
Que talvez não tenha valido a pena.

Minto! È óbvio que valeu a pena!
Toda a intensidade de nós...
E hoje resta a ausência...

E eu, em meu lamento comum e clichê,
Em meu patético estado
Em meu estado lastimável.

Em minha lamúria incansável
Diante da lápide de nossa arte
Perdida com as areias do tempo.

Eu lamento, pois parece que
Não existe mais nada a dizer
Nada a fazer.

Eu lamento meu fim,
Lamento seu novo início sublime
Seu novo início sem mim.

Lamento, pois é tudo que sei fazer.
Lamento em uma poesia sem título,
Sem cor e sem sentido.

Lamento, somente
Pois é tudo que sei fazer
Em minhas lágrimas imbecis.

Lamento, somente
Pois já não tenho mais
Palavras em meu repertório
A declarar, a dizer.

Lamento, simplesmente,
Só, como sempre
Lamento, somente
Pois é tudo que posso fazer.

O Fim da Agonia Existencial

Eu invejo a primeira vítima
Do primeiro assassinato atroz
Nesta noite vazia de ventos cantantes
Na névoa sangrenta de nostalgia constante.

Invejo a gloriosa vítima
Esquartejada nesta noite soturna
Que em seu pungir hemorrágico
Encontrou sua sincera liberdade.

Invejo aquele que deixou este plano
Sem cerimônias, sem memórias
Com um simples anônimo sem glória.

Invejo o ser livre que a chama já não orienta
Invejo o anonimato da morte ocasional
Invejo o fim da agonia existencial

Nós

Me diga quantos dias e quantas noites
Eu hei de esperar.
Me diga quantos Sois e quantas Luas
Por minhas retinas dilaceradas
Haverão de passar.

E esperar de mãos atadas
Amordaçado sob o luar.
Meu coração esmagado
Espera pela possibilidade de estar
Mais uma vez presente
Onde você estará.

Surgiu como um simples sonho
Do qual eu jamais quis acordar.
Súbito e cheio de magia
Como teu doce castanho olhar.

E evanesceu em um trágico
E lastimável acordar.
Trazendo-me de volta
Ao vazio de existir.

Que maldita trajetória o destino traçou
Sob nós, meros amantes.
Que conhecemos juntos, em poucos dias,
A beleza do paraíso
E o escarlate do inferno.

E hoje apenas me resta utilizar
De minha frágil, porém prezada memória
Para relembrar mais uma vez
De como nossa alegria e nosso romance
Que foi tão belo e poético, mais uma vez.

E além de toda miséria,
Da dor que proporciona o vazio
Da noite sem tua voz,
Eu jamais poderei dizer
Que nossa melodia se desfez.

Pois eu nunca deixarei que morras
Dentro de mim.
E meu interno, doente e saudável
Por nosso romance,
Jamais esquecerá o significado de ti.

Estarás dentro de mim
Em todas as manhãs exauridas
De minha insônia.

Em todas as noites frias e claras,
Em todos os ventos uivantes
Que soprarem em minha face.

Estará como o Sol e a Lua
Inerente a minha existência
Que um dia, ao seu lado
Tomou forma de vida.

Nossa melodia ressoará pela eternidade
E tu estarás viva ao meu lado,
Estarás ao meu lado, como sempre esteve
Minha amiga, Minha Musa
Minha Amante
Meu Amor.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

(In)Perseverança Melancólica

Apenas uma decepção qualquer.
Apenas mais uma existência
Em um conto de final trágico.

Diante de tal conto
Apenas uma existência obliqua
Anestesiada em sua trajetória ébria.

Todos nós, eu e você
Apenas peças de mais um
Quebra-cabeça que é
O destino em nossos céus

Todos nós, eu e você
Existências obliquas
Lacunas não preenchidas
Meros réus

Diante da noite de nós
Estrelas choram e o
Sol sem poe, sem dor
Sem esperança, sem nada

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Promessa

Plantarei nosso sentimento
Como uma pequena semente
Simples e frágil
Dentro de meu dilacerado coração.

E o regarei com a esperança
De que um dia poderemos estar
Juntos novamente
Mesmo que isso seja apenas
O fruto de uma doce ilusão

E enquanto eu respirar
Enquanto meu coração pulsar
Enquanto o Sol nascer
E a Lua iluminar.

Guardarei e cultivarei
Nosso digno sentimento
Na memória daquele dia
Daquela noite.

E seu sorriso
Sempre iluminará
Minhas manhãs de insônia.

E seu olhar
Sempre me trará alegria
Na tristeza de tua ausência.

E eu sempre lembrarei
De seu doce abraço
De seus carinhos
E de sua preciosa presença
Ao meu lado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Solução de Sentimentos Crueis

A verdade é que estou exausto
Minha garganta agoniza
Meu coração está apertado
E a angústia toma conta de meu corpo.

Nas noites sombrias que em claro passei
Em pensamentos tortuosos e memórias perdidas
Memórias de fatos em lugares e objetos
Como meu quarto, minha cama.

Meu corpo exausto e inquieto exala distração
Minha garganta cerrada me dá a sensação de afogamento
Minha mente segue múltiplos raciocínios
Curtos e incompletos.

Por que de repente se tornou tão difícil respirar?
Meus pulmões que falham?
Ou o ar que esta pesado?
Apenas sei que meus pulmões estão cheios de agonia.

Minha cabeça parece girar
Em uma náusea inquieta
Minha visão se distorce e sai de foco
Memórias me torturam.

Meu peito parece estar perfurado
Uma lâmina parece estar alojada
Compondo uma sensação de hemorragia
Em um pungir de sensações emocionais e físicas.

Meu corpo agoniza junto de meu coração
Minha mente confusa distorce a realidade
Uma síntese de sensações e sentimentos
Vorazes, impetuosos e torturantes.

Uma solução de agonias inquietas
Como se meus músculos contraíssem a cada segundo
Como se cada molécula de oxigênio
Fosse composta por agulhas ocas.

Meu corpo não exala mais nada além de dor
E este texto é apenas a tentativa de descrevê-la
Tamanha síntese de agonias
Solução de sentimentos cruéis.