E quantos livros não li
Quantas poesias não escrevi
Quantas serenatas não cantei
A quantas amadas que não deletei.
E quantas lágrimas não derramei.
Do tempo que, pouco a pouco
Esvaiu-se fluindo, constante rio,
Em meu inerente cio de criação.
De quantas noites olhando a miragem,
Letárgico ócio em sublimação.
De quantas noites sem paisagem,
No teto de meu quarto-solidão.
Alienado, inválido, assisti
Como platéia, nos camarotes embebidos
De melancolia e solidão, a peça bucólica,
A melodia inconstante de existir.
Anestesiado, estático, na desesperança
D'um fantasma. Intangível, invisível,
Apenas a vagar-parado, em sua maldição estática
De por nada passar, nada integrar e
Por nada ser concebido.
Mudo de alma auto-selada por insegura,
Repreendida por traumatizada.
Apenas peça estática, sublimada
Por medos passados pelos mesmos relógios.
Ah, tudo que poderia ter sido!
Tudo que poderia ter nascido das centelhas
Absortas que nunca viram a luz da superfície,
Nem nunca tiveram a chance
De violar um papel virgem.
Ah, o quanto poderia ter amado!
O quanto poderia ter me contagiado
Da doença que é amar como assassino e vítima.
No confuso jogo preferido
Desta tão pobre e rica humanidade falida.
O que poderia ter feito...
O que poderia ter criado...
E todos esses verbos configurados para o passado...
Porém tudo se esvai, e tudo se tornou cinzas.
Nada remanesceu a não ser este pobre lamento.
Esta pobre lamúria daquele que não viveu,
Apenas assistiu. Apenas fitou a obra de arte da qual
Tal desconsolado inane poderia ter feito parte.
Nada restou a não ser as memórias que nunca existiram.
Os sonhos das oportunidades declinadas, definhadas...
Das pobres epifanias abortadas. Apenas restaram
Sementes envelhecidas que nunca foram regadas.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Tua Pena, Teu Tinteiro De Sangue
Mate-me! Mate-me, por favor!
Mate este coração dilacerado
Tão cansado, tão cansado
De sangrar deste amor.
Mate-me, por favor!
Ou então me venha em sua intenção
Venha sangrar de mim, de ti
Venha sangrar em mim tamanha dor!
Venha e me diga
Que ilusões um dia forjou.
Escreva com sua pena
Achada nas ruas vazias,
Umedecida num tinteiro de sangue,
Em meu peito as lesões débeis
Que nunca concebi e nunca esqueci.
Apenas gostaria de lhe dizer
Em cartas-poemas-perdidas
Todas as corrosões profundas
Que sua graça me causa e me causou.
Em tal desejo patético
Sem fundação, de qualquer ilusão
Piegas, talvez nasça apenas
Uma atração por tua pena.
Uma atração por tua pena,
Ferramenta de sofrimento,
Tinta lívida em escarlate.
Tua pena...
Pois existem coisas
Que devem ser escritas
Com sangue.
Mate este coração dilacerado
Tão cansado, tão cansado
De sangrar deste amor.
Mate-me, por favor!
Ou então me venha em sua intenção
Venha sangrar de mim, de ti
Venha sangrar em mim tamanha dor!
Venha e me diga
Que ilusões um dia forjou.
Escreva com sua pena
Achada nas ruas vazias,
Umedecida num tinteiro de sangue,
Em meu peito as lesões débeis
Que nunca concebi e nunca esqueci.
Apenas gostaria de lhe dizer
Em cartas-poemas-perdidas
Todas as corrosões profundas
Que sua graça me causa e me causou.
Em tal desejo patético
Sem fundação, de qualquer ilusão
Piegas, talvez nasça apenas
Uma atração por tua pena.
Uma atração por tua pena,
Ferramenta de sofrimento,
Tinta lívida em escarlate.
Tua pena...
Pois existem coisas
Que devem ser escritas
Com sangue.
Qualificações:
amor,
ilusão,
poesia,
sofrimento
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
(Des)Esperança
Espero por tudo que vivo.
Espero este Sol torto se por
E dar origem a mais uma noite vazia.
Espero mais uma dose de qualquer
Bebida forte que me abafe os sentidos.
Espero a dor que golpeia
Meu peito incessante vestir
Seu figurino e atuar
Como personagem ululante a cantar
Músicas-memórias num desatino.
Espero mais uma oportunidade
De se autodestruir, somente
Para expressar e externar
As ruínas de meu interno emocional flamejante.
Espero na janela e assisto a vida
Passar pelas minhas retinas.
Espero no passado-presente de um futuro sórdido,
Perdido na neblina de um acaso de dor e prazer.
Espero no sangue amargo,
No sangue derramado
De um reles apaixonado morto.
Espero você passar por mim
E espero você passar em mim.
Espero com a graça e decadência
De um ultra-romântico dilacerado.
Espero algo que não sei dizer
Apenas espero você passar.
Espero este Sol torto se por
E dar origem a mais uma noite vazia.
Espero mais uma dose de qualquer
Bebida forte que me abafe os sentidos.
Espero a dor que golpeia
Meu peito incessante vestir
Seu figurino e atuar
Como personagem ululante a cantar
Músicas-memórias num desatino.
Espero mais uma oportunidade
De se autodestruir, somente
Para expressar e externar
As ruínas de meu interno emocional flamejante.
Espero na janela e assisto a vida
Passar pelas minhas retinas.
Espero no passado-presente de um futuro sórdido,
Perdido na neblina de um acaso de dor e prazer.
Espero no sangue amargo,
No sangue derramado
De um reles apaixonado morto.
Espero você passar por mim
E espero você passar em mim.
Espero com a graça e decadência
De um ultra-romântico dilacerado.
Espero algo que não sei dizer
Apenas espero você passar.
Qualificações:
amor,
existência,
poesia,
sofrimento
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Às Máscaras Árticas
Que todos são carentes,
Uns mais que outros
Em suas lágrimas incendiárias,
Outros menos que uns
Em suas máscaras árticas.
Ainda indago: para que
Fazer de tanta carência,
De tanto desapego,
Se podemos todos nós
Integrar este nosso todo?
Se nós, criaturas táteis
Ao invés de fazer de tantas táticas
Não nos concebemos utilitários
Comumente gratos
Por desfazer nossas personagens.
Ah! Tantas frígidas máscaras
Amedrontadas, guardiãs de tantas cicatrizes.
Escondendo tantas faces traumatizadas
Com tanto receio de novas diretrizes.
Pobres destas faces recônditas,
Acabrunhantes a vagar
Na ausência do dilacerar,
No entediar dos prazeres
A morrer estaticamente.
Pobres meras faces
Que de tanto sangraram.
Negam-se a escorrer,
Pois detrás de tais máscaras
Resta apenas a carne fria.
Uns mais que outros
Em suas lágrimas incendiárias,
Outros menos que uns
Em suas máscaras árticas.
Ainda indago: para que
Fazer de tanta carência,
De tanto desapego,
Se podemos todos nós
Integrar este nosso todo?
Se nós, criaturas táteis
Ao invés de fazer de tantas táticas
Não nos concebemos utilitários
Comumente gratos
Por desfazer nossas personagens.
Ah! Tantas frígidas máscaras
Amedrontadas, guardiãs de tantas cicatrizes.
Escondendo tantas faces traumatizadas
Com tanto receio de novas diretrizes.
Pobres destas faces recônditas,
Acabrunhantes a vagar
Na ausência do dilacerar,
No entediar dos prazeres
A morrer estaticamente.
Pobres meras faces
Que de tanto sangraram.
Negam-se a escorrer,
Pois detrás de tais máscaras
Resta apenas a carne fria.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Irrelevância
Concebo o mundo pelo meu pensamento. Fito-o, o interpreto com a irrelevância de poeiras cósmicas. Afinal, como poderia eu ser arrogante se sou tão irrelevante como todos nós, sacos de carne errantes em busca de algum sentido para existir?
De tudo que sei, sou insignificante. E é com minha irrelevância que encaro a realidade, pois esta é minha maior dádiva libertadora.
Minha condição me faz ser o que quiser ao meu bel prazer. Pois de nada faço parte. Nada integro neste mundo em chamas. Nem nada devo aos efêmeros itinerantes que vagam inanes por cá e por lá.
Não sou um homem de palavras, pois estas nada valem. Como poderia eu afirmar alguma certeza, sendo que sou apenas uma peça desintegrada suscetível às paixões do mundo?
Como poderia eu, peça desqualificada de um todo que nunca existiu, afirmar alguma certeza neste conjunto de cenas incessantes e inconstantes?
Não existem certezas. Existem intenções. Estas mesmas serão apenas vitimadas por outras remanescentes.
De tudo que sei, sou insignificante. E é com minha irrelevância que encaro a realidade, pois esta é minha maior dádiva libertadora.
Minha condição me faz ser o que quiser ao meu bel prazer. Pois de nada faço parte. Nada integro neste mundo em chamas. Nem nada devo aos efêmeros itinerantes que vagam inanes por cá e por lá.
Não sou um homem de palavras, pois estas nada valem. Como poderia eu afirmar alguma certeza, sendo que sou apenas uma peça desintegrada suscetível às paixões do mundo?
Como poderia eu, peça desqualificada de um todo que nunca existiu, afirmar alguma certeza neste conjunto de cenas incessantes e inconstantes?
Não existem certezas. Existem intenções. Estas mesmas serão apenas vitimadas por outras remanescentes.
Qualificações:
ensaio,
existência,
Irrelevância
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Lábios Clandestinos
Esses teus lábios...
Os observei, os contemplei
Durante esse conjunto de cenas
Desta realidade que não é minha.
Esses teus lábios...
Os contemplei, porém nunca os vivi.
Nunca os senti nos meus,
Nunca os senti em mim.
Não.
Não se trata de romance.
Trata-se destes lábios, desta boca tua,
Deleite exótico do qual nunca provei.
Desejo submerso
Nas profundezas da clandestinidade.
Não desejo os possuir,
Não desejo os amar.
Desejo apenas prova-los,
Apenas por um momento atemporal.
Somente para forjar a obra de arte
Efêmera que é um beijo.
Os observei, os contemplei
Durante esse conjunto de cenas
Desta realidade que não é minha.
Esses teus lábios...
Os contemplei, porém nunca os vivi.
Nunca os senti nos meus,
Nunca os senti em mim.
Não.
Não se trata de romance.
Trata-se destes lábios, desta boca tua,
Deleite exótico do qual nunca provei.
Desejo submerso
Nas profundezas da clandestinidade.
Não desejo os possuir,
Não desejo os amar.
Desejo apenas prova-los,
Apenas por um momento atemporal.
Somente para forjar a obra de arte
Efêmera que é um beijo.
Essencialismo Débil
Morrer sem ter consciência
De seu significado
Nas lentes opacas
Da existência.
Existir sem conhecer
A origem de sua razão.
Sem metas, sem visão,
Perdido sozinho na escuridão.
Agir sem pensar
Deixar os naturais instintos
Da exasperada humanidade
Guiar vossos impulsos.
Sentir sem vontade.
Simplesmente sentir obstinadamente
A emoção que flui,
Que assassina, que morre.
Existir sem conhecer
Sentir sem querer
Agir sem pensar
Morrer sem saber.
Essa é a essência tão débil
E humana que narra
Os trajetos conflitantes
Da realidade por nós forjada.
De seu significado
Nas lentes opacas
Da existência.
Existir sem conhecer
A origem de sua razão.
Sem metas, sem visão,
Perdido sozinho na escuridão.
Agir sem pensar
Deixar os naturais instintos
Da exasperada humanidade
Guiar vossos impulsos.
Sentir sem vontade.
Simplesmente sentir obstinadamente
A emoção que flui,
Que assassina, que morre.
Existir sem conhecer
Sentir sem querer
Agir sem pensar
Morrer sem saber.
Essa é a essência tão débil
E humana que narra
Os trajetos conflitantes
Da realidade por nós forjada.
Qualificações:
existência,
poesia
Assinar:
Postagens (Atom)