Mostrando postagens com marcador humilhação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humilhação. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de agosto de 2010

A Epifania de um Derrotado

Vocês podem me dilacerar
Com suas palavras afiadas
E pisar em minha carne definhada
O quanto desejarem.

Os mortos não sentem
Não olham, não vêem.
Pois não há relevância
Em assistir um mundo em chamas
[Novamente.

Pois o fundo do poço
É inalcançável para as pedras
Incessantes e elaboradas
Que lançam sob mim.

Fui derrotado, humilhado atrozmente
E deixei se apagar em mim
Qualquer chama que enaltecesse
E pungisse meu ser.

O prazer e a dor estavam juntos num velório
E eu velei sob eles piamente.
Fitei seus cadáveres embalçamados
E esbocei um sorriso sincero em minha face.

Eu morri junto deles
E meu corpo desalmado permaneceu.
Portanto, pouco me importa a opinião alheia.
As pedras já não me atingem.

Não exista o que atingir.
Apenas vago, fantasmal,
Solitário, morto-vivo
Até que a sorte da morte me atinja.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Trajetória Emocional (gênese e óbito de um romance)

No dia em que nasci,
Numa doce tarde de Novembro.
Eu, fruto de seu jovial olhar
Tive minha primeira concepção de vida.

Nasci livre em um sufocamento
De uma circunstância proibida.
Como se dar sentido a existência
Fosse um pecado capital.

Vivi clandestinamente junto de ti
Em promessas e sonhos
E tentativas lógicas
De evitar o inevitável.

E fui arrancado de minha vida,
Arremessado em uma prisão dogmática.
Os dias se tornaram meses...
Os meses se tornaram anos...

No romper da escuridão
Em epifania, um anjo dá
Gênese a esperança e
Ressuscita-me em glória.

Volto aos teus braços
E construo nosso sonho.
Transformo o abstrato
No tangível.

Junto minha vida a tua.
Nós, vítimas de nós mesmos
A desfrutar em harmonia
De nosso insólito desejo.

Nasce o fruto de nosso romance.
Morre o anjo de nossa esperança.
A existência se transmuta.
A confiança se dilacera.

Um olhar detrás das cortinas
Revela a obscuridade grotesca.
Sou exposto como palhaço nu
À platéia da humanidade.

E assisto o fruto já-não-meu
De um romance apunhalado
Crescer e se tornar
Um fantasma do passado.

Dilacero-me, esfacelo-me
E apenas me resta o desejo
De te ver e lhe fazer
Se afogar neste mar adúltero de desilusão.