Engraçado é sentir o peso de voar.
O peso de cada soco de ar
Que bate na face felpuda
Com o carinho do sopro da concubina
Na ferida de sua prole.
Engraçado é sentir o carinho do frio
Que nos adoece.
Da poeira que nos suja e desconforta
Em nossa armadura de areia e cascalho
Que nos edifica e fere.
Engraçado é sentir os calos gritarem,
Se manifestando por nossos pés, como intérpretes
De mudo desconsolado.
Expressando-se através de cada furo no sapato:
- Pare, por favor! Pare de bom grado!
Engraçado é sentir o calor da insônia
E suas alucinações na câmara dinâmica.
Nas concepções da mente lucidamente ébria
De vontade de cair.
Engraçado é sentir a fúria atroz
Do grito de dor incessante do corpo,
Estalando pelos ossos como um instrumento de corda,
Desafinando cada pedaço de harmonia
Que é a angústia do absorto.
Engraçado é sentir...
Por apenas ter a ousadia de se desprender,
De colocar o dedo na areia
E se dar ao mundo que gira, incessante,
Em sua dança inerte.
(...)
Sentir a dança do mundo sapateando
E palpitando no peito é escutar a si mesmo.
Escutar a si mesmo é escutar o mundo.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Chama Remanescente
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A estrela se sufoca, implode,
Dando gênese ao buraco na parede da memória.
Encerrando o espetáculo que não havia começado,
Embora todos tão vívidos ensaios...
Os atores – que ainda nem sequer eram personagens –
Dançavam no palco sem cenário, sem roteiro,
Sem iluminação daquele teatro vazio:
Nosso sarau, grotesco e surreal,
Sem diretor e sem direção.
Dançavam sonhos em efemeridade da escuridão.
Pedaços de vida rindo, gritando, escorrendo
E exalando seu corta-rédeas-de-padrão...
Atores mal-pagos pelas pedras das rodovias
- Tão vazias vias – que furam seus sapatos velhos e baratos.
A trupe que invadia e ocupava, sem alvará,
Sua função de estar, em dispêndio da matéria,
Na fúria atroz da pena que voa, que escreve,
Que sangra...
Os palhaços a riam, os malabaristas a agitavam,
Os poetas a exaltavam junto dos bardos
- Que a cantavam junto de seus fardos – em dentes amarelos
E olhos secos de tanto chorar e rir, ela:
A asa de voar para os céus desejados.
E, de súbito, uma das poesias deixou o livro em composição.
Sem se despedir, se esvaiu, sumiu, desapareceu.
A concepção era simples, e não de preocupação:
Esta iria dançar em outros livros.
- Seu brilho esta no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz,
De criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Os livros se encaminharam,
As trupes encenaram, se encerraram e continuaram,
E várias poesias foram saltitar em outras páginas.
O mundo virou nosso palco, e já não estávamos ensaiando.
(...) Nada se soube sobre a poesia atriz-feliz.
E foi-se dada a notícia num mural velho de mais um dos palcos
Rechaçados e dilacerados, no qual poetas bêbados e entorpecidos
Cantavam mais uma ode dos marginalizados.
(...)
O silêncio estanque fulminou a garganta de todos.
A hemorragia recôndita fora cruel, um súbito linear
Dissonando a nota única que todos esperam, desesperam e exasperam.
Uma estrela que se perdeu em seu fôlego.
Um pedaço arrancado da bomba sanguínea de cada poeta gritante.
Lágrimas alcoólicas e sangue toxicológico...
Um poema incompleto, uma covardia da existência
Abortar uma estrela viva...
A lástima intransponível...
Não haveria de se dizer mais nada.
As poesias se entreolharam em seus prantos, com um único e uníssono verso já citado:
- Seu brilho está no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz, de criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Uma estrela morta ainda grita dentro de sua galáxia...
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
A estrela se sufoca, implode,
Dando gênese ao buraco na parede da memória.
Encerrando o espetáculo que não havia começado,
Embora todos tão vívidos ensaios...
Os atores – que ainda nem sequer eram personagens –
Dançavam no palco sem cenário, sem roteiro,
Sem iluminação daquele teatro vazio:
Nosso sarau, grotesco e surreal,
Sem diretor e sem direção.
Dançavam sonhos em efemeridade da escuridão.
Pedaços de vida rindo, gritando, escorrendo
E exalando seu corta-rédeas-de-padrão...
Atores mal-pagos pelas pedras das rodovias
- Tão vazias vias – que furam seus sapatos velhos e baratos.
A trupe que invadia e ocupava, sem alvará,
Sua função de estar, em dispêndio da matéria,
Na fúria atroz da pena que voa, que escreve,
Que sangra...
Os palhaços a riam, os malabaristas a agitavam,
Os poetas a exaltavam junto dos bardos
- Que a cantavam junto de seus fardos – em dentes amarelos
E olhos secos de tanto chorar e rir, ela:
A asa de voar para os céus desejados.
E, de súbito, uma das poesias deixou o livro em composição.
Sem se despedir, se esvaiu, sumiu, desapareceu.
A concepção era simples, e não de preocupação:
Esta iria dançar em outros livros.
- Seu brilho esta no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz,
De criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Os livros se encaminharam,
As trupes encenaram, se encerraram e continuaram,
E várias poesias foram saltitar em outras páginas.
O mundo virou nosso palco, e já não estávamos ensaiando.
(...) Nada se soube sobre a poesia atriz-feliz.
E foi-se dada a notícia num mural velho de mais um dos palcos
Rechaçados e dilacerados, no qual poetas bêbados e entorpecidos
Cantavam mais uma ode dos marginalizados.
(...)
O silêncio estanque fulminou a garganta de todos.
A hemorragia recôndita fora cruel, um súbito linear
Dissonando a nota única que todos esperam, desesperam e exasperam.
Uma estrela que se perdeu em seu fôlego.
Um pedaço arrancado da bomba sanguínea de cada poeta gritante.
Lágrimas alcoólicas e sangue toxicológico...
Um poema incompleto, uma covardia da existência
Abortar uma estrela viva...
A lástima intransponível...
Não haveria de se dizer mais nada.
As poesias se entreolharam em seus prantos, com um único e uníssono verso já citado:
- Seu brilho está no céu, nos iluminando com olhar vívido de atriz-feliz, de criança sonhadora nos primeiros vislumbres do mundo.
Uma estrela morta ainda grita dentro de sua galáxia...
A luz que se apaga apenas acentua
A chama ardente que remanesce,
Mesmo sem ar...
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Ao Invés de Várias Doses, Uma Garrafa Inteira
“Foi um pouco de tudo no meio do nada”
Enquanto não-santos foram fieis de fidelidade diferente – nada de coisas concretas, só poesia.
O palhaço e a palhaça decidiram: ao invés de pagar caro por várias doses,
Escolheram pagar por plenas garrafas.
A palhaça lhe deu um nariz, o palhaço a deu um complexo.
Ambos riram destilados - e daqueles também – diante de seus cigarros...
O palhaço disse:
- Eu gosto de marcas, são memórias concretas. E toda experiência é sempre válida.
A palhaça ficou vermelha como seu nariz...
Trocaram pronomes, adjetivos, verbos e métricas presentes e ausentes
Eles haviam se soterrado.
Sintetizado intenções que tomaram caminhos diferentes diante do frio e da poesia.
(...)
O palhaço fitava e lia as paredes enquanto a palhaça fazia café.
A palhaça disse – com canecas e garrafa a mão:
- Vamos escutar a gaita, já que não fizemos o pandeiro e a flauta.
O palhaço sorriu com bafo de café enquanto recusava-se a voltar do onírico
Metade do brinco sumiu, a outra ficara com a palhaça.
Caminharam, o palhaço sem-brinco-com-nariz e a palhaça com meio brinco e um complexo amaciado pelo cômico, pelo sol da manhã que já se esvaira.
Enquanto não-santos foram fieis de fidelidade diferente – nada de coisas concretas, só poesia.
O palhaço e a palhaça decidiram: ao invés de pagar caro por várias doses,
Escolheram pagar por plenas garrafas.
A palhaça lhe deu um nariz, o palhaço a deu um complexo.
Ambos riram destilados - e daqueles também – diante de seus cigarros...
O palhaço disse:
- Eu gosto de marcas, são memórias concretas. E toda experiência é sempre válida.
A palhaça ficou vermelha como seu nariz...
Trocaram pronomes, adjetivos, verbos e métricas presentes e ausentes
Eles haviam se soterrado.
Sintetizado intenções que tomaram caminhos diferentes diante do frio e da poesia.
(...)
O palhaço fitava e lia as paredes enquanto a palhaça fazia café.
A palhaça disse – com canecas e garrafa a mão:
- Vamos escutar a gaita, já que não fizemos o pandeiro e a flauta.
O palhaço sorriu com bafo de café enquanto recusava-se a voltar do onírico
Metade do brinco sumiu, a outra ficara com a palhaça.
Caminharam, o palhaço sem-brinco-com-nariz e a palhaça com meio brinco e um complexo amaciado pelo cômico, pelo sol da manhã que já se esvaira.
terça-feira, 5 de julho de 2011
O Câncer Do Vazio
- Bla bla bla, e todas coisas mais que você diz sobre si mesma, não passam de outdoor mal-colado na avenida, de pixação rústica no muro sujo da rua escura...
- Largue de ser cínico e hipócrita Poeta Ébrio, tu sabes que o único decadente aqui é você!
- Eu que sou o decadente, Musa!? Não sou eu o robotizado, a maquininha de caixa-eletrônico que expele notinhas pelas partes baixas! Não sou eu a engrenagem, lubrificada pelas cabeças de cima da nuvem, rodando sem parar neste organismo grotesco de suor e sangue!!!...
- Não comeces o discurso piegas e seu blábláblá bêbado-surreal nesta salada de críticas metafóricas que usas como argumento no diálogo unilateral. Tuas lânguidas e porosas falácias são apenas folhas secas que passam pelo meu fronte no outono: Ou nem sequer me atingem, ou são simplesmente pisadas pelo meu sapato.
Poeta Ébrio aponta para a face de Musa com seu júpiter furioso
- Tu és cega pelas mesmas configurações e condicionamentos que mecanicamente responde e ganha um biscoitinho, como uma cadela adestrada!
Julgas “diálogo unilateral” a língua do poeta que tu não entendes – e jamais entenderá – se não libertares a poesia estagnada, na cela enferrujada, do peito exasperado!
O silêncio envenena o ambiente, ambos sufocam suas línguas com a epidemia venenosa dos ecos de cada pequeno som diante do vácuo. Musa fita o céu cinza da noite urbana, através da lente suja, com um olhar de cólera em síntese com seu corpo rijo e tenso. Acende um cigarro aos tremeres inconscientes, e guina teu olhar infectado pela mais pura ira que um dia Poeta Ébrio já vira:
- Tu jamais entenderás o que é o determinismo, cretino-como-câncer, de um bando de cabeças mecânicas-em-vácuo que te estupram desde a infância com suas imagens vazias, cheias de pretensões e terceiras-intenções, de fetichismo da existência!
Poeta Ébrio se levanta da cadeira cheia de formigas e infectada pela ansiedade oca de tremeres, caminha mancamente pela sala, em disfarce de adolescente chegando bêbado em casa às cinco horas da madrugada. Seus olhos se esbugalham com o comentário de Musa, porém, ainda sim, a observa com um olhar soberbo, como se Musa fosse apenas mais uma ovelha desgarrada aprendendo a andar sem um pastor. Pretendia ajuda-la se não fosse cega-surda-tagarela.
Musa inconteve o silêncio e continuou o falar exasperado, soltando todos seus demônios recônditos encima de Poeta Ébrio:
- Minha mente é uma cabeça matastaseada com o câncer do vazio! O fetiche condicionado consome apenas lixo enfeitado, eufemismos de realidade! Não tenho um filtro que separe o entulho do extulho, nem o lixo do luxo!
Poeta Ébrio agora se inconforma,vê em Musa um espelho partido, sujo pelas poeiras do existir, vê teu passado gritando: “Tu jamais atingirás tua obra, Poeta-Pateta na contramão!”.
Exaspera teu grito de sermão libertador:
- Tu não tens filtro?! Tu apenas observas pelas lentes! Apenas olha pelas lentes opacas, trincadas, machadas e distorcidas pelo padrão! Teu erro é observar por lentes!
Pare de procurar caminhos e crie estradas! Pare de lamentar tua infecção pela configuração, tu não és a única! Pare de observar por lentes, seja a lente!
O Poeta bate a mão esmagadora sobre a mesa e fita Musa com o olhar desconcertado. Esta olha para os próprios sapatos e, em conflito existencial pleno, observa seu pé se mexendo histericamente.
Ele olha as horas no relógio, se aproxima da porta do apartamento, seus passos ecoam caminhando pelo silêncio, observa Musa tremer enquanto seus olhares abrem e fecham e seu rosto se rubora:
- Sabe qual é o silêncio mais cruel que existe? O da madrugada, pois este poderia simplesmente não existir se estivesse no lugar no certo, na hora oportuna e libertadora, quando as luzes se apagam e os loucos não precisam usar máscaras.
Não há mais nada a se dizer neste cômodo oco.
O Poeta Ébrio abre a porta, dá seu primeiro passo de fim-de-noite, e bate a porta do apartamento de Musa, como se se despedisse com o barulho ecoante de sua inconformação decepcionada da madeira barata batendo no estalar do portal daquele universo que julgava pobre.
Musa chora durante duas horas até desmaiar de sono e tensão enquanto Poeta Ébrio desmaia em uma calçada no centro da cidade.
- Largue de ser cínico e hipócrita Poeta Ébrio, tu sabes que o único decadente aqui é você!
- Eu que sou o decadente, Musa!? Não sou eu o robotizado, a maquininha de caixa-eletrônico que expele notinhas pelas partes baixas! Não sou eu a engrenagem, lubrificada pelas cabeças de cima da nuvem, rodando sem parar neste organismo grotesco de suor e sangue!!!...
- Não comeces o discurso piegas e seu blábláblá bêbado-surreal nesta salada de críticas metafóricas que usas como argumento no diálogo unilateral. Tuas lânguidas e porosas falácias são apenas folhas secas que passam pelo meu fronte no outono: Ou nem sequer me atingem, ou são simplesmente pisadas pelo meu sapato.
Poeta Ébrio aponta para a face de Musa com seu júpiter furioso
- Tu és cega pelas mesmas configurações e condicionamentos que mecanicamente responde e ganha um biscoitinho, como uma cadela adestrada!
Julgas “diálogo unilateral” a língua do poeta que tu não entendes – e jamais entenderá – se não libertares a poesia estagnada, na cela enferrujada, do peito exasperado!
O silêncio envenena o ambiente, ambos sufocam suas línguas com a epidemia venenosa dos ecos de cada pequeno som diante do vácuo. Musa fita o céu cinza da noite urbana, através da lente suja, com um olhar de cólera em síntese com seu corpo rijo e tenso. Acende um cigarro aos tremeres inconscientes, e guina teu olhar infectado pela mais pura ira que um dia Poeta Ébrio já vira:
- Tu jamais entenderás o que é o determinismo, cretino-como-câncer, de um bando de cabeças mecânicas-em-vácuo que te estupram desde a infância com suas imagens vazias, cheias de pretensões e terceiras-intenções, de fetichismo da existência!
Poeta Ébrio se levanta da cadeira cheia de formigas e infectada pela ansiedade oca de tremeres, caminha mancamente pela sala, em disfarce de adolescente chegando bêbado em casa às cinco horas da madrugada. Seus olhos se esbugalham com o comentário de Musa, porém, ainda sim, a observa com um olhar soberbo, como se Musa fosse apenas mais uma ovelha desgarrada aprendendo a andar sem um pastor. Pretendia ajuda-la se não fosse cega-surda-tagarela.
Musa inconteve o silêncio e continuou o falar exasperado, soltando todos seus demônios recônditos encima de Poeta Ébrio:
- Minha mente é uma cabeça matastaseada com o câncer do vazio! O fetiche condicionado consome apenas lixo enfeitado, eufemismos de realidade! Não tenho um filtro que separe o entulho do extulho, nem o lixo do luxo!
Poeta Ébrio agora se inconforma,vê em Musa um espelho partido, sujo pelas poeiras do existir, vê teu passado gritando: “Tu jamais atingirás tua obra, Poeta-Pateta na contramão!”.
Exaspera teu grito de sermão libertador:
- Tu não tens filtro?! Tu apenas observas pelas lentes! Apenas olha pelas lentes opacas, trincadas, machadas e distorcidas pelo padrão! Teu erro é observar por lentes!
Pare de procurar caminhos e crie estradas! Pare de lamentar tua infecção pela configuração, tu não és a única! Pare de observar por lentes, seja a lente!
O Poeta bate a mão esmagadora sobre a mesa e fita Musa com o olhar desconcertado. Esta olha para os próprios sapatos e, em conflito existencial pleno, observa seu pé se mexendo histericamente.
Ele olha as horas no relógio, se aproxima da porta do apartamento, seus passos ecoam caminhando pelo silêncio, observa Musa tremer enquanto seus olhares abrem e fecham e seu rosto se rubora:
- Sabe qual é o silêncio mais cruel que existe? O da madrugada, pois este poderia simplesmente não existir se estivesse no lugar no certo, na hora oportuna e libertadora, quando as luzes se apagam e os loucos não precisam usar máscaras.
Não há mais nada a se dizer neste cômodo oco.
O Poeta Ébrio abre a porta, dá seu primeiro passo de fim-de-noite, e bate a porta do apartamento de Musa, como se se despedisse com o barulho ecoante de sua inconformação decepcionada da madeira barata batendo no estalar do portal daquele universo que julgava pobre.
Musa chora durante duas horas até desmaiar de sono e tensão enquanto Poeta Ébrio desmaia em uma calçada no centro da cidade.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Mosaicos e Paródias Do Canibalismo Secular
Vejo e beijo o povo como um bando de microondas lotados de migalhas podres, cheias de fungos... Naturezas mortas tão belas...
Da minha língua, nenhuma destas bitucas de cigarros apagados não-por-mim, saca, entende, ou comenta sobre...Língua de poeta ébrio, louco como dizem...
Só as línguas manchadas pelo etanol, pelo propinol, pelo tal-tal produto de industria farmacêutica que não sei nomear, que não sei dizer sobre... Línguas manchadas entendem línguas manchadas...
Serei a língua podre do difunto moribundo desbundando do caos e fazendo loucuras nas correrias das estradas e estradas e estradas que não fazem – nem nunca fizeram – tanto sentido... Como pena flutuante, diria, como bobagem que se diz e não se lembra...
Como ser um pedaço de universo, preenchendo suas lacunas com o blues do lacrimoso, o jazz do swingado, o folk do inspirado e a ausência do impiedoso...
Esses eletrodomésticos não calam a boca! Vivem com suas radioatividades baixas e tão letalmente inertes e irrelevantes...
Nem sequer me dão um câncer!
Me poupem do discurso pieguisse-sobre-pieguisse e igrejas e padres e jesus e nadas...
Diria que existe um murro na parede para cada tijolinho laranja que se prosta nas paredes góticas, romanas, postólico-romanas! Ou simplesmente venenos contemporâneos... Acreditem, são até piores que antigos...
O raio do sol sopra! Quero a ardência da estrada e o medo do efêmero novo...
Não a tortura do temperamento abafado das vidraças mosaicas, cheias de história e paródia clichê, que grelham carne em oitavo pecado capital ou nona sinfonia clássica do poeta surdo...
Arcadismos rendidos são a trilha sonora, claro...
Afinal, arte pela arte é coisa de gente louca...
Ajoelham-se como Madalenas prostadas à serviço!
Abrem suas bocas puras e recebem o canibalismo secular – de sangue e de corpo e de “espírito” –
Saem do ritual alegrinhos e chegam em casa de fígados sobrecarregados e culpas pesadas nas costas... E acabam ganhando algumas mais...
O ciclo se cumpre, periódicamente...
Oh! Me ponho a dizer: “Se é acrática a concepção, a única púnica culpa é justa!”
Da minha língua, nenhuma destas bitucas de cigarros apagados não-por-mim, saca, entende, ou comenta sobre...Língua de poeta ébrio, louco como dizem...
Só as línguas manchadas pelo etanol, pelo propinol, pelo tal-tal produto de industria farmacêutica que não sei nomear, que não sei dizer sobre... Línguas manchadas entendem línguas manchadas...
Serei a língua podre do difunto moribundo desbundando do caos e fazendo loucuras nas correrias das estradas e estradas e estradas que não fazem – nem nunca fizeram – tanto sentido... Como pena flutuante, diria, como bobagem que se diz e não se lembra...
Como ser um pedaço de universo, preenchendo suas lacunas com o blues do lacrimoso, o jazz do swingado, o folk do inspirado e a ausência do impiedoso...
Esses eletrodomésticos não calam a boca! Vivem com suas radioatividades baixas e tão letalmente inertes e irrelevantes...
Nem sequer me dão um câncer!
Me poupem do discurso pieguisse-sobre-pieguisse e igrejas e padres e jesus e nadas...
Diria que existe um murro na parede para cada tijolinho laranja que se prosta nas paredes góticas, romanas, postólico-romanas! Ou simplesmente venenos contemporâneos... Acreditem, são até piores que antigos...
O raio do sol sopra! Quero a ardência da estrada e o medo do efêmero novo...
Não a tortura do temperamento abafado das vidraças mosaicas, cheias de história e paródia clichê, que grelham carne em oitavo pecado capital ou nona sinfonia clássica do poeta surdo...
Arcadismos rendidos são a trilha sonora, claro...
Afinal, arte pela arte é coisa de gente louca...
Ajoelham-se como Madalenas prostadas à serviço!
Abrem suas bocas puras e recebem o canibalismo secular – de sangue e de corpo e de “espírito” –
Saem do ritual alegrinhos e chegam em casa de fígados sobrecarregados e culpas pesadas nas costas... E acabam ganhando algumas mais...
O ciclo se cumpre, periódicamente...
Oh! Me ponho a dizer: “Se é acrática a concepção, a única púnica culpa é justa!”
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Heróis da Linha Torta
Meus heróis não usam espadas,
Nem armas impregnadas de pólvora.
Suas lâminas implacavelmente forjadas
Atingem o peito, sem demora.
Suas balas voam oníricas em asas.,
Atingem e queimam as vísceras da alma.
E vos peço que tenham calma,
Pois aquecem e ferem as impetuosas brasas.
Meus heróis não vem de exércitos nem de barricadas,
Não são guerreiros treinados por nada
Além das crateras e deformidades da estrada
Que se segue, se seguiu e se seguirá.
Estão nas mansões, nos sanatórios, nos bares...
E, solitários com seus cigarros,
Externam pedaços d’alma impares,
Compostos de lógicas, atmosferas, ascos...
Meus heróis são como coringas do baralho:
Bufões saltitantes sem função específica
Em meio a potências altas e baixas do carteado,
Sacados aleatoriamente para mostrar sua magia.
São instrumentos que ecoam no hall da vida,
Rendidos voluntariamente a seus músicos abstratos
Que os manipulam com certo carinho e certo maltrato,
E são mais conhecidos como poesias.
Meus heróis são mestres da polêmintriga
E não estão nem de um lado nem de outro da moeda.
Na verdade, estão bem longe dela...
Não observam através da lente... São lentes!
Não usam pentes,
São bagunçados alucinados.
São gente indecente, (in)fluentes,
Rochas crucificadas.
Meus heróis são artistas – da vida e do nada,
Ousadias que põem a mão na merda.
Malabaristas que engolem a ponta da espada;
Revolucionários, malditos e subjulgados
Por muitas lentes opacas-cegas que os observam.
Nem armas impregnadas de pólvora.
Suas lâminas implacavelmente forjadas
Atingem o peito, sem demora.
Suas balas voam oníricas em asas.,
Atingem e queimam as vísceras da alma.
E vos peço que tenham calma,
Pois aquecem e ferem as impetuosas brasas.
Meus heróis não vem de exércitos nem de barricadas,
Não são guerreiros treinados por nada
Além das crateras e deformidades da estrada
Que se segue, se seguiu e se seguirá.
Estão nas mansões, nos sanatórios, nos bares...
E, solitários com seus cigarros,
Externam pedaços d’alma impares,
Compostos de lógicas, atmosferas, ascos...
Meus heróis são como coringas do baralho:
Bufões saltitantes sem função específica
Em meio a potências altas e baixas do carteado,
Sacados aleatoriamente para mostrar sua magia.
São instrumentos que ecoam no hall da vida,
Rendidos voluntariamente a seus músicos abstratos
Que os manipulam com certo carinho e certo maltrato,
E são mais conhecidos como poesias.
Meus heróis são mestres da polêmintriga
E não estão nem de um lado nem de outro da moeda.
Na verdade, estão bem longe dela...
Não observam através da lente... São lentes!
Não usam pentes,
São bagunçados alucinados.
São gente indecente, (in)fluentes,
Rochas crucificadas.
Meus heróis são artistas – da vida e do nada,
Ousadias que põem a mão na merda.
Malabaristas que engolem a ponta da espada;
Revolucionários, malditos e subjulgados
Por muitas lentes opacas-cegas que os observam.
Da Tela ao Céu Manchado
A tela colorida comeu meu cérebro.
Maquinou os sonhos e engendrou ilusões vãs cheias pus e poesia,
Rotulou minha nuca e me jogou num armazém sujo e cheio de ratos gotejantes...
Fiquei no galpão alguns meses...
Me alimentaram bem, me jogaram numa poça de gente estagnada...
Me cortaram pedaços, encheram de flavorisantes, conservantes, colorantes, e me vestiram
Com vestes de palhaço pra alegrar crianças com síndrome de down...
Rastejei, poça suja a poça suja, pra fora daquele galpão...
Aleijado, rolei pela grama e me enchi de coisas orgânicas...
Capenguei pelos etílicos, flutuei pelas nuvens branco-acizentadas...
Vi poeira e areia sintetizarem animais epiléticos palpitando em buracos rasos...
Rolei... Rolei por ai... Criei pedaços novos com papéis de jornal e papelão,
Virei uma salada de peças soltas – com um gosto agridoce temperado com ácido...
Aprendi a grunhir formigas... Depois peixes, tartarugas... Rosas artificialmente coloridas...
Até enfim vomitar asas que gritam violões para platéias mancas...
(...)
Vomito asas, alguns usam como muletas, outros como drogas...
...Alguns como deveriam ser usadas: Sem manual de instruções.
Maquinou os sonhos e engendrou ilusões vãs cheias pus e poesia,
Rotulou minha nuca e me jogou num armazém sujo e cheio de ratos gotejantes...
Fiquei no galpão alguns meses...
Me alimentaram bem, me jogaram numa poça de gente estagnada...
Me cortaram pedaços, encheram de flavorisantes, conservantes, colorantes, e me vestiram
Com vestes de palhaço pra alegrar crianças com síndrome de down...
Rastejei, poça suja a poça suja, pra fora daquele galpão...
Aleijado, rolei pela grama e me enchi de coisas orgânicas...
Capenguei pelos etílicos, flutuei pelas nuvens branco-acizentadas...
Vi poeira e areia sintetizarem animais epiléticos palpitando em buracos rasos...
Rolei... Rolei por ai... Criei pedaços novos com papéis de jornal e papelão,
Virei uma salada de peças soltas – com um gosto agridoce temperado com ácido...
Aprendi a grunhir formigas... Depois peixes, tartarugas... Rosas artificialmente coloridas...
Até enfim vomitar asas que gritam violões para platéias mancas...
(...)
Vomito asas, alguns usam como muletas, outros como drogas...
...Alguns como deveriam ser usadas: Sem manual de instruções.
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