sexta-feira, 16 de maio de 2014

Círculo Mágico

Eu sou um círculo mágico
Que pode tomar infinitas formas
Desconfigurando-se,
Torcendo o corpo,
Rangindo vozes ignotas.

E quando se quebra um pedaço
Como Hidra,
Nascem dois pescoços desvairados.

Sou corpo em pedaços,
Sem órgãos,
Mil tragos,

E por essas crateras
Exalarei borboletas,
Por essas cicatrizes
A vibração de tambores coração
Para cada lágrima mil poemas
E para cada sorriso uma imensidão.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Corte Cego

Olhai e vês!
Hoje as cores são mais belas
Que o "pânico e a solidão a bordo do navio"
Hoje a nossa ironia não é decadente
Hoje a ironia é riso
Sorridente!

Mostro meus ousados dentes
E vejo vibrações e mandalas
Guiando energias astrais
Natureza disforme de meus olhos

Hoje canto e danço
E não me canso de dançar
A dança do vento
Que leva tudo embora,
Que leva as cinzas
E que às chamas retorna

Queimo e danço com as salamandras
Movimentos sorrateiros e graciosos
Banham a bainha de ser
Me coloco em posição de combate
E com a lâmina, não corto nem firo
Mas admito
Que verdadeiro guerreiro é aquele
Que sabe largar a espada.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

InsonÍa

Insonía não-sonía
Misantropia
E o som das gotas na pia

O tic tac do relógio
Pulso torto
Os mosquitos-helicópteros

Deita na minha cama sem permissão
Bagunça cabeça, colchão, coração
Dias colados, adesivados
Segundaterça, quartaquinta
Sexta não!

Sexta não durmo por opção.

Tépido Cúmplice

Olhai, vês que dentro há
Um algoz absorto
Plantando explosivos no peito.
Bomba-relógio da qual passo a ser oriundo.

Bombeia pedaços de universo,
Moléculas invisíveis que matam
Na sutileza de pequenos versos do corpo,
Escondidos detrás da fechadura do quarto.

Sou cúmplice do teu crime apaixonado
Sob os olhos, sob o beijo,
Vejo sincero e puro desejo.

Sob teu codinome leve, guardo,
Sem rancor, nem lamúria e anseio,
Esta marca soturna e embriagada

Que já não causa medo.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Abismo

Poderia chover
Poderia chover
Poderia chover
Poderia chover
Até que o inferno todo
Ficasse molhado

Poderia chover
Até que a eutanásia
Chegasse a todos moribundos
Até que a mão que afaga
Chegasse a todos desconsolados

Para me afogar
Junto a tudo aquilo
Que apedreja
Num oasis no meio do deserto
Pois sou o abismo de mim mesmo

Poderia chover
Até que minha alma
Banhada de suor e desejo
Esperasse apenas sua pele
E que as gotas a tocassem
Num carinho de garoa

Pois entre eu e mim
Existe um penhasco
Que atravesso todos os dias
À altura do desejo e da dor


Trapezista entre eu e mim

Criação conjunta de Renê Echeverria e Carla Teixeira

Oriundo Celeste

E dos poemas mais belos
Dos versos inversos
Encontro olhos e sorrisos
Que tornam os pés leves

E as fluídas pulsações
Já não afogam
Mas sim devoram o mundo
Com o brio e ímpeto do Sol!

Meu amor é oriundo de tudo que voa.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Mãos

Mãos encantam por potência de ação.
Na contra-mão encontro alguma razão.
Nas mãos encontro delicadezas,
Calos, cicatrizes de diversas naturezas,
Unhas roídas, polidas, quebradas ou não.

Mãos no céu sentem o vento
Pés no chão – as vezes – para o coração.
Mãos dadas, ciranda, cirandão – vamos todos cirandar -
Quero todas mãos e corpos e pelos fora do vão.

Me dê a mão para que possamos decifrar, desafiar,
Essas linhas infinitas, essas veias rotas
Que se expandem ou varizes,
Que acariciam e apedrejam
Que destroem e fazem construção.

Mãos em mãos, quanto mais melhor.
Mãos fazem de tudo

Só não fazem e vão.