quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dragões em Flor

Nasce a primavera,
E depois do peso seco
E de todas as crateras,
O rio corre, caindo pela serra

Esta primavera parirá dragões em flor.
Florescerá torrencial em chamas belas
Com a potência de uma cachoeira
Que molda a pedra numa graça indolor.

Nascem nascentes serpentinas,
Correntes macias acariciam os braços dos rios...
E as pernas, e a nuca, os lábios e todos os fios de cabelo...
Correndo correntes, caminhando em direção ao infinito do mar.

Movem moinhos que se tornam hélices,
Que nos dão todo o direito, dever e devir,
De graciosamente flutuar
Diante das cores vivas

Diante de um Sol que respira em meus poros,
Olho o céu aberto. Olho: Céu aberto...
Flores em meu rosto, folhas e espinhos,
E vinhas, e vinhos em linhos tecendo ósculos.

Floresço em mim e em todas as flores do meu jardim.
Meus amores e amoras são rios que se encontram
No movimento desta corrente,
Metamorfoseando-se, mutantes,
Em direção ao mar.


Em direção ao infinito.

domingo, 15 de setembro de 2013

De Reneide à Carlota Carlotinha

Mulher forte e linda que me inspira
E me faz rir com a força do mundo.
Mulher malabarista,
Sincera e convicta ao jogar tudo pro ar.

Amo-te como as águas do mar de Lagoinha do Leste.
Como a poesia nas areias desertas.
Corro como um caderno inspirado voando para o mar
Com minhas pernas voadoras no meio da estrada.

Desejo-te tanta poesia que não cabe num soneto,
Tanta graça que não cabe num nariz de palhaço
E tanta audácia que não cabe num jogo de claves!

Desejo-te muita inspiração, muita criação e transformação
Pois o mundo é pouco,
Muito pouco para quem tem pernas para voar!

Eu te amo!

Dedicado à minha querida Carla Teixeira

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Ultimo dos Moicanos

O Ultimo dos Moicanos, dos grandes guerreiros
Não é forte pelo braço, pelo machado.
É cheio de coragem, mas não para matar.
Coragem para fazer viver, para fazer sorrir.

O Ultimo dos Moicanos empunha uma caneta
Em defesa de sua arte celestial.

O Ultimo dos Moicanos é guerreiro-poesia,
É um grande poeta
Dançando ao redor da fogueira da vida!


Dedicado ao grande poeta moicano Cássio Oliveira José

A Distância do Mundo num Poema Curto

A grande distância entre eu você
Está em um simples "Oi!".
Num simples "E aê!".

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Meu Poema Caiu no Chão

Meu poema caiu no chão
Quando leu as manchetes dos jornais.
Caiu no chão quando ouviu os sussurros
Vindo das casas pau-à-pique, de pedra,
De madeira compensada, de papelão,
De sacos plástico, de telhas esburacadas...

Meu poema gritou de susto
Quando respirou gás lacrimogênio e ficou com o peito e olhos em brasa,
Quando acertaram um tiro de borracha na cara
De uma jornalista
E viu um policial em chamas de molotov.

Meu poema urrou de agonia e medo
Quando Amarildo – assim como vários outros- sumiu
Na espuma da baba de cães raivosos com raiva
Encoleirado por sua tão pura higiene mental.

Meu poema vomitou várias e várias vezes
Após beber inúmeras garrafas de cachaça,
Conhaque, vodka e vinho barato;
E fumar inúmeros baseados,
E cheirar inúmeras carreiras de cocaína,
E mergulhar no ácido
E no tesão sintético.

Meu poema chorou
Quando caiu o nariz do palhaço
E a risada acabou.
Quando o malabarista derrubou seu chapéu
E as moedas tilintaram no asfalto.

Meu poema sentiu vergonha de si
Quando leu “Omissão” de Ferreira Gullar.

O meu poema pulou de alegria e esperança
Quando viu os universitários em greve
E o povo nas ruas gritando e clamando por
Justiça e dignidade.

Meu poema sangrou quando a mídia nos engoliu;
E quando nossos militantes foram detidos
E as toalhas, blusas, calcinhas e pertences de nossas militantes
Foram gozadas.

Meu poema sangra cada aborto que mata uma mulher,
Cada estupro,
Cada violência sexual.

Sangra cada assalto e cada reintegração de posse.
Cada usuário de crack na Estação da Luz
E cada calafrio de uma criança em situação de rua
Descalça no asfalto da madrugada.

Sangra cada gay, travesti, transexual que é espancado,
Dentro e fora dos holofotes.

Meu poema sangra e grita,
Mas como dizia Gullar:
“A poesia é rara e não comove,
E não move o pau-de-arara”

Mas meu poema grita e sangra
Batendo dentro do peito
Como uma impiedosa alfaia.

Meu poema nada fora da raia
E não é o suficiente.
Mas meu canto e minha dança,
Meu corpo insaciável,
Ocupam o espaço.

Meu poema é amor, tesão
Ritmo e compasso.
Tentado transformar cada pedra de cascalho,
Em conchas de mar
Numa praia aonde

Qualquer um possa nadar.

domingo, 28 de julho de 2013

À Batom Vermelho

Uma graça, maravilha experienciada, vivida na loucura destas casas...
Nosso beijo é como um dançarino e uma dançarina.
Separados, são o que são.
Juntos são poesia.
São o dilema térreo que me faz sorrir,
Vivência que estava guardada na memória, de invernos que já passaram por Assis.

Teus pequenos lábios, graciosos, ousados e recônditos,
São armadilhas pontuais.
Teu sorrisinho, riso, graça,
São pequenas surpresas,
Epifaniazinhas que assisto iluminar a noite ébria.
Tua pele macia, rosada de frio e de estrada...
Desperta em mim um carinho arriscado.

E mesmo, tanto depois de invernos em invernos,
Da evasão, perfeição, riscos e trincos do coração,
A poesia que existe nesta dança,
No frio e no silêncio da noite,
Remanesce como uma obra de arte preciosa a ser apreciada.

Nessa epifania escondida e maravilhada,
Retira-se a obra do museu,
E a coloca, com todo carinho sujo,
No meio do caminho, no meio da estrada.
Para mostrar para a noite, que,
Embora evasiva, clandestina, fugitiva,
A nossa dança é
A poesia escrita à batom vermelho,
Dançando na noite fria,
Gostosamente sublime

Como um delicioso devaneio.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Cão do Estado

Como se sente um cão do Estado ao ser questionado por um estudante da militância?
Como se sente um cão do Estado ao invadir e depredar uma ocupação legítima?
Como se sente um cão do Estado ao representar a intransigência, a ignorância e a falta de diálogo daqueles que se escondem atrás de uma mesa de escritório como se esta fosse uma fortaleza de silêncio?
Como se sente um cão do Estado com sua cara fechada, tirando onda com militantes que, com muita luta, muito cansaço e determinação tentam mudar a educação desse Estado e enfrentar sua ordem vigente?
Como se sente um cão do Estado ao bater em estudantes, homens e mulheres, sem nenhum escrúpulo?

Cumprem ordens, eu sei...

Incrível a habilidade apática destes cães.
A habilidade de ignorar todas as questões sociais para ser um peão mantenedor do status quo!
As vezes acredito que é através do ódio e a da repressão que estes cães conseguem dialogar.
É através do sequestro, das bombas de gás e dos cacetes que eles conversam!
Que língua vocês, filhotes de tucano, aprenderam a falar?
E eu seu filhote, aonde irá estudar, cão do estado?

Quando a universidade for completamente sucateada e privatizada,
Você não terá dinheiro para pagar pela educação de seu filhote.
Ele não terá acesso a bolsas de pesquisa, extensão ou de auxílio sócio-econômico, coisas que vocês julgam regalias;
Ele não terá moradia de qualidade, se tiver moradia...

Pelo o que lutas, cão do Estado? Pois não lutas pelo povo e muito menos por você e pelos teus!
Lutas, cão do Estado, por aquele que é seu dono,
Aquele que lhe joga migalhas para comer de cima de um palanque,
Que lhe serve a miséria com talheres de prata e mesa bem posta.

Acordai cães do Estado! Juntai-vos e componha conosco uma transformação da realidade!
Pois aquele que te manda reprimir nas ruas e matar nas favelas sempre o deixa com fome

E um cão com fome somente consegue demonstrar raiva!