segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O Poeta Covarde (Parem de Escrever Poesia!)

As vezes sou um poeta covarde
Poeta com areia nos olhos,
Ofuscado pela intensidade
Cada emoção e acontecimento que arde
Rompendo em mim todos os poros

É preciso ter muita coragem para viver essa vida
Ousadia e audácia para agarra-la
E mordê-la como um fruto suculento
E apreciá-la intensamente dentro de seu alento
Porém, às vezes, prefiro escrever poesia

É preciso matar um dragão por dia
E atingir nos céus as glórias de vencer angústias e medos
Parem de escrever poesia!
Vamos caminhar por este caminho por inteiro
Guerrear na batalha, brandir as espadas,
Chegar ao desfecho das coisas através desta ousadia

Parem de escrever poesia!
Pois cada palavra é um direcionamento,
Uma aposta, um dispêndio de energia,
Vibração de vida que não volta
E oportunidades não voltam no tempo

Viva o dia como um grande dia!
E respire a poesia deste belo presente
Pois quando parei de escrever
Deleitei-me do amor de cada falange
Que rompe muralhas com o calor do Sol poente


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ode à Assisterdã

Eu sou guerreiro da luz
Lutando contra as próprias trevas
E sou mundrungagem intensa
Nos voos e nas quedas

Pois em Assisterdã vivi, e sei da transmutação
Lá pequeno menino fui
Dentro de cada tijolo que lá dentro rui
Até virar um meninão

Lá naveguei nas mais intensas tempestades
E muito, como bardo, cantei
Junto de diversos músicos de e suas raridades
Compus harmonias que jamais lembrarei

Lá todomundo joga as coisas pra cima
Bate a cabeça contra a quina
E sai por aí a cantar
Prazeres de curta e de longa vida

Lá, Assisterlar!
Casa de viajantes destemidos
De Mundrungos remoídos
Aonde as paredes estão a gritar

Assisterjam! Instrumentos na sala
Assisterdã! Em todas suas palas
Os dois lados da moeda
Em uma só casa

Pois é estando dos dois lados
No mesmo lugar
Que aprendi que dá pra voar
Sentado no chão

Assisterdã,
Irmãos e irmãs,

Gratidão!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ao Querido Pé de Maracujá

Tínhamos um pé de maracujá
– nosso vizinho tinha –
Que deixava um dos seus braços em nossas telhas
E dava “olá” ao nosso quintal

Esta árvore em sua subversão
Nos dava frutos clandestinamente
E deixava uma sombra calma
Na janela de meu quarto.

Certo dia reparei em suas folhas
Um tom opaco
Olhei para detrás das telhas
E o pé de maracujá havia sumido

Fiquei triste naquele momento
Peguei suas ultimas folhas
E coloquei em meu tabaco
Para sentir o abraço desta árvore
Que sutilmente conheci

Em outro momento notei
Que poderia ver o belo Sol se pôr
Como não podia antes

Numa manhã, fui acordado pelo seu brilho
Que invadia meu quarto
E despertava o dia num sorriso

Observei na noite soturna
Luas plenas de graça
Estrelas e constelações,
Que por causa do pé de maracujá
Não havia fitado anteriormente

Na manhã púrpura de hoje
Agradeço ao pé de maracujá
Pelos seus frutos e companhia
Pois ainda posso sentir tua essência
Na fumaça de meu cachimbo

E aprendi que havia chegado a hora
De sair debaixo de árvore
Pois já era muito maior que sua sombra

E o céu era bem maior que nós dois

domingo, 4 de janeiro de 2015

Meu Silêncio Também é Poesia

Vim para cuidar do teu ouvido
Num canto macio neste papel
Massageando cada canto do seu ser
Transformando em mel o que era fel

Papel encanta quando toca
Que a gente dança no mesmo lugar
E a caneta, que mesmo toda torta,
É toda musical quando beija o olhar

E cada letra que sai dos meus lábios
Pode ter um toque de harmonia
Mas, consciente, às vezes deixo de lado

Pois o meu silêncio também é poesia

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Tudo começa quando se vê com outros olhos...

Tudo começa quando se vê com outros olhos
Começa quando se quebra em dois, três, e quatro...
Começa quando se trocam os óculos
E quando ao invés de somar coisas a si, nudificamo-nos.

Tudo começa num sorriso, num desabrochar de flor.
Começa quando tem que começar
Em seu ritmo, tempo e prosa necessária,
Na velocidade certa,
Sem estourar o velocímetro
E sem causar engarrafamentos.

Tudo começa quando se cortam os cabelos
E se escreve poesia.
Começa quando os corpos se colocam em movimento
E as consciências em harmonia

Tudo começa quando as lágrimas finalmente escorrem
E quando se decide não responder violência com violência
Quando porcos espinhos se beijam, eles não se espetam.

Tudo começa quando se acorda preparado para o imprevisto
Com um sorriso no rosto e com uma sensibilidade que não derruba,
Mas edifica.

Tudo começa quando se observa um quadro e se vê além de um quadro
Quando se aprecia um pôr do Sol sem pressa.
Tudo começa quando se pode estar em silêncio
E não falando tanto que não se pode ouvir.

Tudo começa quando para,
Pois às vezes é preciso baixar a cabeça
E às vezes é preciso empinar o nariz

Tudo começa num doce acorde de violão,
Na batida coração do tambor
- Não bata em si mesmo, bata no tambor –
E não julgue a dança dos outros,
Mas dance de olhos fechados.

Tudo começa quando começa a se sentir
Começa a sentir o outro
E perceber que o amor,
Que por muitas vezes é tido como algo sexual,
É na verdade algo incondicional.

Começa quando se vê pessoas andando nas ruas,
Não objetos, máquinas.
Começa quando se sorri para um artista de rua
E coloca umas moedas no chapéu em troca deste sorriso no meio da metrópole.

Tudo começa se sente no peito
E quando o querer fazer
Simplesmente se torna em ser.

Tudo começa no amor de pai, de mãe, de irmão e de amante.
Tudo começa quando a alma não é pequena
E quando os abraços são maiores que as espadas

Tudo começa no amor

Pois é aonde tudo começou.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Paciência, Noite e Dia

Desejos que se implicam em pesos
Fardos que caem sobre o eu como bigornas invisíveis
Acreditar que se possui asas é possível
Mas não aquelas que estão nas vitrines

Pois um corpo pode ser uma escultura
Mas que seja uma cultura do corpo
E não uma pintura medíocre
Num outdoor num cais, no porto

As coisas são como são
Elas se transmutam lentamente
E a velocidade cabe num pequeno passo
Que é o primeiro a se iniciar
E o mais desengonçado e displicente.

Na sola dos primeiros pés
Nos joelhos do primeiro engatinhar
Posso primeiro parar o autoflagelo dos chicotes
Para depois aprender a me acarinhar

E quando quero tudo na velocidade de uma metrópole
Paro e penso que o Sol e a Lua são pacientes
Mantém sempre o ritmo
E chegam ao destino
Para começar de novo.

Eu Sol Lua paciente
Mantenho a dança no ritmo
Desembarco na estação da transmutação
Para que possa haver noite e dia

Dentro de meu coração.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poesia

Se meu canto saísse em letras
Eu não leria
Apenas esparramaria na parede mais pública
Mais próxima
Mais oposta à parede inóspita
Só para deixar um suspiro de poesia
Nessa terra cinza

Pois sei que há
Uma colorida harmonia
Dentro de cada ser que
Com coragem e ousadia
Constrói sua existência

Como obra de arte contínua
Exala e grita
Através do concreto e do caos...

Quando um poeta grita
Ninguém escuta
Quando um poeta morre
Ele é cult
Mas quando o poeta é...

Ser transpõe tudo que é belo nesse mundo
E a obra de arte

É a existência.