Olhai e vês!
Hoje as cores são mais belas
Que o "pânico e a solidão a bordo do navio"
Hoje a nossa ironia não é decadente
Hoje a ironia é riso
Sorridente!
Mostro meus ousados dentes
E vejo vibrações e mandalas
Guiando energias astrais
Natureza disforme de meus olhos
Hoje canto e danço
E não me canso de dançar
A dança do vento
Que leva tudo embora,
Que leva as cinzas
E que às chamas retorna
Queimo e danço com as salamandras
Movimentos sorrateiros e graciosos
Banham a bainha de ser
Me coloco em posição de combate
E com a lâmina, não corto nem firo
Mas admito
Que verdadeiro guerreiro é aquele
Que sabe largar a espada.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
InsonÍa
Insonía não-sonía
Misantropia
E o som das gotas na pia
O tic tac do relógio
Pulso torto
Os mosquitos-helicópteros
Deita na minha cama sem permissão
Bagunça cabeça, colchão, coração
Dias colados, adesivados
Segundaterça, quartaquinta
Sexta não!
Sexta não durmo por opção.
Misantropia
E o som das gotas na pia
O tic tac do relógio
Pulso torto
Os mosquitos-helicópteros
Deita na minha cama sem permissão
Bagunça cabeça, colchão, coração
Dias colados, adesivados
Segundaterça, quartaquinta
Sexta não!
Sexta não durmo por opção.
Tépido Cúmplice
Olhai, vês que dentro há
Um algoz absorto
Plantando explosivos no peito.
Bomba-relógio da qual passo a ser oriundo.
Bombeia pedaços de universo,
Moléculas invisíveis que matam
Na sutileza de pequenos versos do corpo,
Escondidos detrás da fechadura do quarto.
Sou cúmplice do teu crime apaixonado
Sob os olhos, sob o beijo,
Vejo sincero e puro desejo.
Sob teu codinome leve, guardo,
Sem rancor, nem lamúria e anseio,
Esta marca soturna e embriagada
Que já não causa medo.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Abismo
Poderia chover
Poderia chover
Poderia chover
Poderia chover
Até que o inferno todo
Ficasse molhado
Poderia chover
Até que a eutanásia
Chegasse a todos moribundos
Até que a mão que afaga
Chegasse a todos desconsolados
Para me afogar
Junto a tudo aquilo
Que apedreja
Num oasis no meio do deserto
Pois sou o abismo de mim mesmo
Poderia chover
Até que minha alma
Banhada de suor e desejo
Esperasse apenas sua pele
E que as gotas a tocassem
Num carinho de garoa
Pois entre eu e mim
Existe um penhasco
Que atravesso todos os dias
À altura do desejo e da dor
Trapezista entre eu e mim
Criação conjunta de Renê Echeverria e Carla Teixeira
Poderia chover
Poderia chover
Poderia chover
Até que o inferno todo
Ficasse molhado
Poderia chover
Até que a eutanásia
Chegasse a todos moribundos
Até que a mão que afaga
Chegasse a todos desconsolados
Para me afogar
Junto a tudo aquilo
Que apedreja
Num oasis no meio do deserto
Pois sou o abismo de mim mesmo
Poderia chover
Até que minha alma
Banhada de suor e desejo
Esperasse apenas sua pele
E que as gotas a tocassem
Num carinho de garoa
Pois entre eu e mim
Existe um penhasco
Que atravesso todos os dias
À altura do desejo e da dor
Trapezista entre eu e mim
Criação conjunta de Renê Echeverria e Carla Teixeira
Oriundo Celeste
E dos poemas mais belos
Dos versos inversos
Encontro olhos e sorrisos
Que tornam os pés leves
E as fluídas pulsações
Já não afogam
Mas sim devoram o mundo
Com o brio e ímpeto do Sol!
Meu amor é oriundo de tudo que voa.
Dos versos inversos
Encontro olhos e sorrisos
Que tornam os pés leves
E as fluídas pulsações
Já não afogam
Mas sim devoram o mundo
Com o brio e ímpeto do Sol!
Meu amor é oriundo de tudo que voa.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Mãos
Mãos encantam por potência de ação.
Na contra-mão encontro alguma razão.
Nas mãos encontro delicadezas,
Calos, cicatrizes de diversas naturezas,
Unhas roídas, polidas, quebradas ou não.
Mãos no céu sentem o vento
Pés no chão – as vezes – para o coração.
Mãos dadas, ciranda, cirandão – vamos todos cirandar -
Quero todas mãos e corpos e pelos fora do vão.
Me dê a mão para que possamos decifrar, desafiar,
Essas linhas infinitas, essas veias rotas
Que se expandem ou varizes,
Que acariciam e apedrejam
Que destroem e fazem construção.
Mãos em mãos, quanto mais melhor.
Mãos fazem de tudo
Só não fazem e vão.
Acidentes na Selva de Concreto
As vezes calor e vivacidade,
Carnes flamejantes,
Copos transbordantes
E diálogos-epopéias.
As vezes dias ranzinzas .
Amanheço perdendo dentes
Na cidade dos acidentes
Os prédios gritam tons de cinza.
Volta e meia, ameno amanhece
Sol radiante de queimar os poros
Dizem dia limpo,
Digo que dependem dos olhos.
Se meus óculos escuros captassem
Todo calor do asfalto
E a dor dos vagabundos
Que capengam tragos
Eu olharia num lampejo
A poesia das frutas podres
Que caíram das caixas
Na feira da cidade.
Como estas lentes não são máquinas fotográficas
Eu tento compreender
Obstinado
Corte por corte,
Como pintor, traço por traço,
Os enleios
Desta selva de concreto
No mundo inteiro,
Dentro de mim.
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