segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Outono

É preciso podar a si mesmo,
Arrancar pedaços e deixa-los na estrada.
É preciso que a ferida cicatrize,
Caindo-se as cascas.

Que caiam os pedaços podres do eu,
Pois estes já não servem.
Para sobreviver ao inverno
É preciso encarnar a planta seca
E deixar que o resto se desfaça no solo.

Para resistir a ventania
É preciso desapegar-se de si.
Uma árvore de outono não está desprotegida,
Está se tornando cinzas
Para renascer escarlate brilhante em chamas.

E a queda de cada pedaço irá doer agudamente.
Cada unha, dedo, mão, braço,
Todos os pelos e fios de cabelo,
Cada olho, lábio, dente, orelha,
E restará o tronco, o peito dolorido e paciente.

E na sabedoria das árvores,
Na filosofia do outono,
Florescerá uma nova poesia

Para desafiar a roda do ano!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Ultima Dança de Zaratustra

Zaratustra está morto!
E hoje o céu chora.
Mas as coisas acabam,
E Zaratustra devia morrer,
Nós o matamos.

Damos adeus a ele em nossa ultima dança
Para dizer que o mundo é grande
E a espontaneidade é bela!

Damos adeus com belas oferendas,
Dança, suor, poesia
Músicas, poemas!
Parindo novíssimos artistas,
- Alias, melhor ainda -
Parindo belíssimas estrelas que brilham no céu da estrada.
Astros cada vez mais livres para flutuar sob o universo.
Flores de outono que cantam primavera.
Florescendo e morrendo
Na imensidão...

Pois o Sol se põe
Para brilhar na manhã.
E a Dança de Zaratustra brilhou
E brilha em nós!

"Pra que rimar amor e dor?"
Zaratustra voou
E deixou a Terra do Nunca mais colorida.

Solta!

Solte-me! Me solta!
Porque a vida é uma piada
Porque a vida é uma estrada
A se caminhar sem destino!

Porque a vida é uma esquina,
Uma guinada,
Uma delícia sem sentido!

SOLTA-ME! ME SOLTA!!!!
Porque o amor,
- meu amor, meu querido, minha querida -
O amor
É infinito!!!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dragões em Flor

Nasce a primavera,
E depois do peso seco
E de todas as crateras,
O rio corre, caindo pela serra

Esta primavera parirá dragões em flor.
Florescerá torrencial em chamas belas
Com a potência de uma cachoeira
Que molda a pedra numa graça indolor.

Nascem nascentes serpentinas,
Correntes macias acariciam os braços dos rios...
E as pernas, e a nuca, os lábios e todos os fios de cabelo...
Correndo correntes, caminhando em direção ao infinito do mar.

Movem moinhos que se tornam hélices,
Que nos dão todo o direito, dever e devir,
De graciosamente flutuar
Diante das cores vivas

Diante de um Sol que respira em meus poros,
Olho o céu aberto. Olho: Céu aberto...
Flores em meu rosto, folhas e espinhos,
E vinhas, e vinhos em linhos tecendo ósculos.

Floresço em mim e em todas as flores do meu jardim.
Meus amores e amoras são rios que se encontram
No movimento desta corrente,
Metamorfoseando-se, mutantes,
Em direção ao mar.


Em direção ao infinito.

domingo, 15 de setembro de 2013

De Reneide à Carlota Carlotinha

Mulher forte e linda que me inspira
E me faz rir com a força do mundo.
Mulher malabarista,
Sincera e convicta ao jogar tudo pro ar.

Amo-te como as águas do mar de Lagoinha do Leste.
Como a poesia nas areias desertas.
Corro como um caderno inspirado voando para o mar
Com minhas pernas voadoras no meio da estrada.

Desejo-te tanta poesia que não cabe num soneto,
Tanta graça que não cabe num nariz de palhaço
E tanta audácia que não cabe num jogo de claves!

Desejo-te muita inspiração, muita criação e transformação
Pois o mundo é pouco,
Muito pouco para quem tem pernas para voar!

Eu te amo!

Dedicado à minha querida Carla Teixeira

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Ultimo dos Moicanos

O Ultimo dos Moicanos, dos grandes guerreiros
Não é forte pelo braço, pelo machado.
É cheio de coragem, mas não para matar.
Coragem para fazer viver, para fazer sorrir.

O Ultimo dos Moicanos empunha uma caneta
Em defesa de sua arte celestial.

O Ultimo dos Moicanos é guerreiro-poesia,
É um grande poeta
Dançando ao redor da fogueira da vida!


Dedicado ao grande poeta moicano Cássio Oliveira José

A Distância do Mundo num Poema Curto

A grande distância entre eu você
Está em um simples "Oi!".
Num simples "E aê!".