quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Ultima Dança de Zaratustra

Zaratustra está morto!
E hoje o céu chora.
Mas as coisas acabam,
E Zaratustra devia morrer,
Nós o matamos.

Damos adeus a ele em nossa ultima dança
Para dizer que o mundo é grande
E a espontaneidade é bela!

Damos adeus com belas oferendas,
Dança, suor, poesia
Músicas, poemas!
Parindo novíssimos artistas,
- Alias, melhor ainda -
Parindo belíssimas estrelas que brilham no céu da estrada.
Astros cada vez mais livres para flutuar sob o universo.
Flores de outono que cantam primavera.
Florescendo e morrendo
Na imensidão...

Pois o Sol se põe
Para brilhar na manhã.
E a Dança de Zaratustra brilhou
E brilha em nós!

"Pra que rimar amor e dor?"
Zaratustra voou
E deixou a Terra do Nunca mais colorida.

Solta!

Solte-me! Me solta!
Porque a vida é uma piada
Porque a vida é uma estrada
A se caminhar sem destino!

Porque a vida é uma esquina,
Uma guinada,
Uma delícia sem sentido!

SOLTA-ME! ME SOLTA!!!!
Porque o amor,
- meu amor, meu querido, minha querida -
O amor
É infinito!!!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dragões em Flor

Nasce a primavera,
E depois do peso seco
E de todas as crateras,
O rio corre, caindo pela serra

Esta primavera parirá dragões em flor.
Florescerá torrencial em chamas belas
Com a potência de uma cachoeira
Que molda a pedra numa graça indolor.

Nascem nascentes serpentinas,
Correntes macias acariciam os braços dos rios...
E as pernas, e a nuca, os lábios e todos os fios de cabelo...
Correndo correntes, caminhando em direção ao infinito do mar.

Movem moinhos que se tornam hélices,
Que nos dão todo o direito, dever e devir,
De graciosamente flutuar
Diante das cores vivas

Diante de um Sol que respira em meus poros,
Olho o céu aberto. Olho: Céu aberto...
Flores em meu rosto, folhas e espinhos,
E vinhas, e vinhos em linhos tecendo ósculos.

Floresço em mim e em todas as flores do meu jardim.
Meus amores e amoras são rios que se encontram
No movimento desta corrente,
Metamorfoseando-se, mutantes,
Em direção ao mar.


Em direção ao infinito.

domingo, 15 de setembro de 2013

De Reneide à Carlota Carlotinha

Mulher forte e linda que me inspira
E me faz rir com a força do mundo.
Mulher malabarista,
Sincera e convicta ao jogar tudo pro ar.

Amo-te como as águas do mar de Lagoinha do Leste.
Como a poesia nas areias desertas.
Corro como um caderno inspirado voando para o mar
Com minhas pernas voadoras no meio da estrada.

Desejo-te tanta poesia que não cabe num soneto,
Tanta graça que não cabe num nariz de palhaço
E tanta audácia que não cabe num jogo de claves!

Desejo-te muita inspiração, muita criação e transformação
Pois o mundo é pouco,
Muito pouco para quem tem pernas para voar!

Eu te amo!

Dedicado à minha querida Carla Teixeira

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Ultimo dos Moicanos

O Ultimo dos Moicanos, dos grandes guerreiros
Não é forte pelo braço, pelo machado.
É cheio de coragem, mas não para matar.
Coragem para fazer viver, para fazer sorrir.

O Ultimo dos Moicanos empunha uma caneta
Em defesa de sua arte celestial.

O Ultimo dos Moicanos é guerreiro-poesia,
É um grande poeta
Dançando ao redor da fogueira da vida!


Dedicado ao grande poeta moicano Cássio Oliveira José

A Distância do Mundo num Poema Curto

A grande distância entre eu você
Está em um simples "Oi!".
Num simples "E aê!".

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Meu Poema Caiu no Chão

Meu poema caiu no chão
Quando leu as manchetes dos jornais.
Caiu no chão quando ouviu os sussurros
Vindo das casas pau-à-pique, de pedra,
De madeira compensada, de papelão,
De sacos plástico, de telhas esburacadas...

Meu poema gritou de susto
Quando respirou gás lacrimogênio e ficou com o peito e olhos em brasa,
Quando acertaram um tiro de borracha na cara
De uma jornalista
E viu um policial em chamas de molotov.

Meu poema urrou de agonia e medo
Quando Amarildo – assim como vários outros- sumiu
Na espuma da baba de cães raivosos com raiva
Encoleirado por sua tão pura higiene mental.

Meu poema vomitou várias e várias vezes
Após beber inúmeras garrafas de cachaça,
Conhaque, vodka e vinho barato;
E fumar inúmeros baseados,
E cheirar inúmeras carreiras de cocaína,
E mergulhar no ácido
E no tesão sintético.

Meu poema chorou
Quando caiu o nariz do palhaço
E a risada acabou.
Quando o malabarista derrubou seu chapéu
E as moedas tilintaram no asfalto.

Meu poema sentiu vergonha de si
Quando leu “Omissão” de Ferreira Gullar.

O meu poema pulou de alegria e esperança
Quando viu os universitários em greve
E o povo nas ruas gritando e clamando por
Justiça e dignidade.

Meu poema sangrou quando a mídia nos engoliu;
E quando nossos militantes foram detidos
E as toalhas, blusas, calcinhas e pertences de nossas militantes
Foram gozadas.

Meu poema sangra cada aborto que mata uma mulher,
Cada estupro,
Cada violência sexual.

Sangra cada assalto e cada reintegração de posse.
Cada usuário de crack na Estação da Luz
E cada calafrio de uma criança em situação de rua
Descalça no asfalto da madrugada.

Sangra cada gay, travesti, transexual que é espancado,
Dentro e fora dos holofotes.

Meu poema sangra e grita,
Mas como dizia Gullar:
“A poesia é rara e não comove,
E não move o pau-de-arara”

Mas meu poema grita e sangra
Batendo dentro do peito
Como uma impiedosa alfaia.

Meu poema nada fora da raia
E não é o suficiente.
Mas meu canto e minha dança,
Meu corpo insaciável,
Ocupam o espaço.

Meu poema é amor, tesão
Ritmo e compasso.
Tentado transformar cada pedra de cascalho,
Em conchas de mar
Numa praia aonde

Qualquer um possa nadar.